#TheGame23 - Enter the Rabbit Hole








Project 00AG9603 - #TheGame23 mod 42.5 level 5

"00A G9603 develops as a self-organizing organism, connects with the virtual environment through its hosts (admins) by arranging the surroundings randomly for its own autonomous purpose" - Timóteo Pinto, pataphysician post-thinker

"00A G9603 se desenvolve como um organismo auto-organizativo, conecta-se com o ambiente virtual através de seus hospedeiros (admins) organizando os arredores randomicamente para seu próprio fim autônomo" - Timóteo Pinto, pós-pensador patafísico



terça-feira, dezembro 28, 2010

Lotomania? Mega-Sena? Que nada!!! Caia na Teia da Prosperidade! - E se o Homem-Aranha aparecer.....manda ele casar com o Duende Verde!

Vou postar aqui uma técnica de trabalho Magicko chamada Teia da Prosperidade.....não....não é do Silvio Santos! Vou postar a explicação da minha querida amiga Chaos Baby, ela explica bem melhor do que este lesado retardado amante de Vinho!









Prosperity Web
Teia da Prosperidade

Retirado do link: http://deathbylollipop.com/forum/index.php?topic=1621.0#msg9535
Adaptação livre para o português por Chaos Baby

A idéia: Criar uma “teia” de energia programada pelos participantes. O foco da teia é Prosperidade.

Como fazer esse trabalho?

Vários trabalhos magickos e grupos não são novidade. Várias pessoas colocando suas energias, pensamentos e tempo dentro de um objetivo comum para ter uma rápida manifestação daquele objetivo. Estamos vivendo numa era onde a troca de informações instantâneas e ligações pessoais e de comunicação já não estão limitados pela proximidade física. Magia, em minha opinião nunca foi limitada por tal, mas a incapacidade de se comunicar e coordenar com outros praticantes, efetivamente, a distância limitava a exploração de trabalhos linkados. Isso vem mudando ao longo dos anos devido ao avanço das tecnologias de comunicação e disponibilidade de informação esotérica. Distância é uma coisa poderosa.
Para aqueles que já participaram de trabalhos à distância no passado, este será um pouco diferente em alguns aspectos. Primeiro, não há um ritual específico para fazer, nenhuma divindade em particular ou mesmo o uso de divindades é necessário. Isto não é um “caminho” de magia específica. Para criar um link na teia da prosperidade é requerido apenas que você intente criar um link de prosperidade na teia. Nós iremos listar algumas associações comuns que você usar para te ajudar a direcionar seu intento e ancorar o seu link para a teia em sua mente. Mas, como você usará essas associações é totalmente com você. Se você quiser acender uma vela e desejar crescimento para você e para a teia, isso funcionará. Se você desejar usar um talismã em meditação para linkar sua energia na teia, isso também funcionará. Se você desejar invocar uma divindade de seu próprio panteão e pedir por prosperidade para você e para teia, faça. Se um sigilo seu, carregue-o. Se você trabalha no astral talvez faça uma viagem e explore a teia, se você trabalha com energia você pode entender o fluxo entre as partes, a teia é um segmento de energia única hiper carregada para ser usada na manifestação do padrão de manipulação. Prosperidade para você e para a teia.
Nós usaremos a energia do eclipse lunar do dia 21 para lançar a teia. As pessoas podem fazer os links nela em qualquer ponto depois, através de algumas das associações abaixo. A teia será como um encantamento perpétuo de prosperidade, sustentado e carregado pelos participantes. Quanto mais energia você colocar na teia, mais você será capaz de acessar e sentir as reverberações dela, porque seu link será forte. Essa característica também permite que as pessoas participem da teia sem horários sincronizados, ou seja, pode-se juntar a qualquer momento após a criação inicial no dia 21.


Associações para a Teia da Prosperidade



Associações Planetárias:

Jupiter

Governa
Sucesso, Abundância, Dinheiro, Crescimento, Visões, Apostas

Detrimento
Ganância, Desperdício

Elementos
Água, Fogo

Dia da Semana
Quinta-feira

Signo Astrológico
Sagitário

Cor
Azul, Púrpura

Metal
Estanho

Cristais
Lapis Lazuli, Ametista, Turqueza,  Sugilite, Sáfira, Sodalita, Azurita

Ervas e Óleos
Aloés, Noz Moscada, Sálvia, Melissa, Cedro, Canela, Agrimônia, Anis, Betônica, Dente-de-Leão, Hissopo, Bagas de Zimbro, Tília, Menta, Visco Branco

Tarot
Roda da Fortuna

Tom Musical
Fá Sustenido




Mercúrio

Governa
Comunicação, Intelecto, Negócios, Escrever, Contratos, Compra e Venda, Informação de todos os tipos, Sabedoria, Inteligência, Criatividade, Ciência, Memória

Detrimento
Desonestidade, Decepção

Elemento
Ar

Dia da Semana
Quarta-feira

Signo Astrológico
Virgem, Gêmeos

Cor
Laranja, Dourado

Metal
Mercúrio

Cristais
Opala, Ágata Musgo, Aventurina, Sodalita, Fluorita

Ervas e Óleos
Alecrim, Âmbar, Lilás, Casca de Limão, Agrimônia, Anis, Betônica, Dente-de-Leão, Hissopo, Bagas de Zimbro, Noz-Moscada, Sálvia, Lavanda, Cerejeira, Mirta

Tarot
O Mago


Tom Musical


Associações de Dias e Eventos:


A terça-feira é governada por Marte – Governa: conquista, poder sobre os inimigos – Usado para magias de ações rápidas, vitória sobre os inimigos, força, resistência, liderança, independência, competitividade, dominação – Energia: Masculina.

Total Eclipse Lunar: perfeito uníssono de luz e escuridão. A lua carrega as energias de ambas Lua Cheia e Lua Negra e todas as fases entre elas. É dito que as energias solares ficam no sentido de igualdade com as energias lunares.

Solstício: Vir para a luz. O simbolismo aqui pode ser aplicado como um período de crescimento, reforçando os efeitos da teia.

Associações Numéricas


Dia:  21                2+1=3

Mês: 12              1+2=3

Ano: 2010           2+0+1+0=3

O número 3 simboliza o princípio de crescimento. Quando a força iniciadora do 1 se une com a energia germinadora do 2 há a fecundidade, 3. Ele significa que há uma presente síntese, que a imaginação e a efusão de energia está em ação. O Três lida com a magia, a intuição e a vantagem. O número três invoca a expressão, versatilidade, e a alegria criativa. O Três também pode ser simbólico de recompensas cooperativas.

333

3+3+3=9

1+2+2+1+2+1=9

O número nove simboliza o princípio de uma filosofia ou consciência universal. O Nove representa realização, satisfação, sucesso e domínio. O Nove lida com o poder intellectual, investimentos, influência sobre situações e coisas. Protegendo suas possibilidades no mundo.

Cores Associativas:
Azul
Dourado
Verde

Os símbolos do talismã consistem de símbolos astrológicos de Júpiter e Mercúrio. Um cifrão, uma vez que é associado com dinheiro e prosperidade, e a figura que consiste na letra S sobreposta a letra L para representar o símbolo de link, o tema da teia.

Parece divertido para mim, isso ser postado em um monte de lugares diferentes, deverá ser uma mistura legal!

 ------------------------------------------------------------------------------------------------------

 Então está aí! Podem começar a fazer suas mandingas, trabalhos, feitiçarias.....e quando terminarem.....deixe um pouco de vinho pra mim!

AWIKA!!!!

domingo, dezembro 19, 2010

Ritual Bozo da 5ª Dimensão

Estava eu esses dias, a pensar, coisa não muito frequente, prefiro delirar!
Batendo a cabeça 23 vezes na parede para abrir o Terceiro Olho! Me veio este ritual, não sei de onde veio. Se de Éris ou fratura craniana!

Num dia que escolhestes (ui! hoje tá foda), em um horario propicio, escolha uma musica que goste muito, desde que seja movimentada. Coloque no volume mais alto que puder! Mergulhe na musica! Dançe! Pule! Cante!
Perca-se no ritmo! Solte-se completamente, enlouqueça!
Deixe seu corpo suar, sua Mente se perder naquele momento! Perca o sentido de Tempo, mande Chronus ir se foder!
Invoque o Extase, como os Xamãs, é melhor que faça isso em um ambiente com um (de preferencia) colchão por perto ou cama. Dance até não aguentar mais, pule até seu corpo doer, cante até sua Mente perder os Significados!
Se preferir neste momento, tenha seus Sigilos ou use palavras e frases do Ouraniano Barbarico, invente! Crie qualquer loucura que imaginar!
Chegará um momento que você não aguentará mais, mais vá ao limite!
Neste momento, deixe-se cair, exaustão e extase! O que cada um poderá experimentar será diferente. Mas, neste momento, quando estiver caído no chão, exausto, gargalhe! Gargalhe de Tudo! Ria como se fosse louco!
Ria de si mesmo, dos vizinhos, do Mundo! Ria de Tudo e Todos! Sinta a alegria,
saboreie a ironia da Existência! Deixe este momento ser Natural, não interrompa, deixe fluir!
Quando sentir que tudo terminou, faça alguma coisa prazeirosa! Pegue sua namorada/o, esposa/marido, amante, sei lá! Faça sexo, amor, putaria! Faça qualquer coisa que lhe dê prazer!!!


Se quiser e for de seu agrado, no momento do ritual, use incensos, defumadores ou sei lá o que lhe agradar. Enfeite o ambiente com sua Imaginação, crie seu Templo Especial! Crie!!! Se quiser fazer em grupo, faça!
Se no final terminar em orgia, melhor ainda!
Mas liberte-se de suas amarras do convencional! Da maldita "normalidade"!

LIBERTE-SE!!!


Hail Éris!
Hail Caos!
Salve Discordia!!!


Até a proxima overdose de Vinho!

segunda-feira, dezembro 13, 2010

SOOOOOOOOOlanja!! Cadê você? Eu sei que cê veio aqui só pra me ver!

Solange Almeida, a recauchutada vocalista dos Aviôes do Forró, conheceu a FACE POP mais descarada de Timoteo Pinto. Porque vírus que é vírus incomoda onne pode, até no suvaco!

Alô SOLANJE ALMEIDA - aliás SOLANJA, convenhamos que é mais massa - Seja uma nós > venha para a LUUUUUUUZ!



oi A3! this is the mindfuck of the year

alow tps, solange almeida is the hyperlinks for the google boomblinks *correção: google boombing correção...

sábado, dezembro 04, 2010

A Balada do Chapeleiro Louco

Cantemos, saltitantes em extase
Salve os Aventureiros
Que sempre desbravam loucos Mares
Pulemos com os Arlequins
Com suas mil cores
E suas historias escritas com aquarelas e nanquins
Ode aos Loucos que nada temem 
As fronteiras ultrapassar
Pulando de trem em trem
Caindo nos buracos
Como Alice 
Atravesse o Espelho 
Não tenhas medo
De louco ficar
Somos loucos sim
Somos malucos e pirados
Mas vou-lhes contar um segredo
As melhores pessoas o são
Não tenhas medo
Venhas tomar chá
Já está servido
Sente-se na mesa 
Acompanhe-me nesta bela balada
Vou-lhes contar um outro Segredo
Tão Sagrado 
Que nunca foi parar no Supermercado
É apenas um Jogo
Tente se lembrar
Somos mais o que contam
Em suas Telas Brilhantes que nada apontam
Vamos cantar
Pular
Ode aos Deuses Enebriantes
Salve a Dionísio
  Hail Éris
Achas que sou louco?
Oh acertou
Sou Loki
Sou muitos
Cinco em um
O Chapeleiro agora sou
Venhas comigo
Atravesse o Portal
De sua Pineal
Cuidado com os Cinzentos
Estão a todo momento
Querendo Te comprar com seus proventos
Oh venha cantar comigo
Nesta festa sem fim
Não tenhas medo do Jaguadarte
Cinzento ele é
Mas Vorpal o espera
Com sua Lamina de Vontade
Venha
Cante Pule Grite
Não construa Limites
Vamos beber o Vinho
Pegue sua Taça
Venha minha Amada Imortal
Venhas comigo
Vamos dar um Salve as Ninfas
Salve aos Andarilhos do Universo
Não tenhas medo
A Vida é só um momento
Que só se torna Eterno
Quando realmente nos tornamos 
Atentos 
Aos nossos proprios Pensamentos
Venha
Eu sou o Chapeleiro Louco
Venhas tomar chá comigo
Cantemos........

quarta-feira, dezembro 01, 2010

LinKaonia número 4

yo!

esta é a quarta edição do micro-zine aperiódico com as últimas, penúltimas e primeiras em links caóticos e similares

:::

Anarcofagia - pela Arte & pelo Humor.

Igreja Discordiana da Galiléia - Papa Doc Ablurat de volta de novo novamente outra vez.

Formigas Elétricas do Amanhecer Dourado - O Insano Mundo de Vortek, o Xamã do Caos Abissal.

kalibut - tumblr de Timóteo Pinto.

Simple things to know and do - coisas simples para saber e fazer.

:::

conhece algum link caótico? mande para a redação já! -> minimalistaarrobagmail.com <-

oy!

quinta-feira, novembro 25, 2010

OLOATIRVE CHUWAKAGATHAZ












FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD,

FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD, FNORD.






domingo, novembro 21, 2010

300 Sigilos em busca de um OVNI

Vou-lhes contar minha primeira experiencia com os famigerados Ovnis, esta historia é completamente verdadeira em um sentido, possivelmente falsa em outro, talvez verdadeira e falsa ao mesmo tempo em outro angulo!

Passei toda minha vida querendo ver a porra de um Ovni, nunca vi um maledito sequer! Apenas pequenas luzes no céu a noite parecendo estrelas, se moviam e desapareciam, apenas satélites artificiais (acho eu).
Então para acabar com esse marasmo cosmico decido usar a Magia do Caos como solução! Como um Xamã do Caos Abissal começo a pensar no ritual para chamar os malemolentes ovnis e seus tripulantes aloprados!
O ritual é preparado numa noite estrelada, no quintal de minha tão amavel residencia, traço um circulo magicko com fita isolante no chão, nas quatro direções coloco uma daquelas lampadas negras pra dar um visual! Traço varios sigilos para meu intento, não consegui contar na hora por causa do vinho!
Dou play no mais nervoso psytrance que pude encontrar e começo a dançar como um epilético em culto da Igreja Universal!!!
Usando canticos que faria um Cultista de Cthulhu corar, inicio a invocação dos candangos do espaço!
Quando já tinha carregado todos os sigilos e me sentido pior que peão sendo pisado por touro brabo, caio no chão exasto! Não sei quanto tempo passou, mas ao levantar a cabeça pude ver uma certa luminosidade no céu estrelado!
Me levanto, pensando, será? Já funfou? Caciudis!!!
A luminosidade vai aumantando e tomando a forma de um objeto hexagonal, brilhante feito a porra!!!
Quando a coisa chega mais perto de minha residencia, um feixe de luz dourada dispara até meu quintal, nela se materializa um ser estranho, baixo, pele cinzenta, olhos negros e cabeça avantajada. Os maleditos Greys!!!
O bichin caminha lentamente até mim, percebo que o cinzentinho levava uma prancheta embaixo do braço.
Ao ficar frente a frente com a estranha criatura, ela me olha de cima a baixo, pega sua prancheta e uma caneta que não sei de onde tirou e me pergunta:

- Você se chama Vortek, o Xamã do Caos Abissal?

- Sim. Sou eu.
Respondo laconicamente, mais espantado que toupeira em dia de caça as lebres!

O bicho ruim me olha e diz:
- Você é um idiota.

O maledito ao dizer isso marca alguma coisa na prancheta, se vira e vai embora, entrando novamente no raio dourado e voltando para sua nave.
Fico com a cara de um lemingue que comeu cogumelos estragados!
Até hoje fico pensando na mensagem do birriguento, se mudou minha vida não sei, mas já estou pensando em escrever um livro e entrar para a comunidade Ufologica!

sexta-feira, novembro 12, 2010

Um Canto a Beira do Universo

Para a grande maioria das pessoas, o mundo é apenas aquilo que se vê, senti e cheira. O chamado Universo é apenas fotos em revistas, sites e imagens em video de documentarios. Mas, há outras Realidades, Planos e Conceitos que muitos não  percebem; não estou falando do que está literalmente na nossa frente, fome, miséria e outras coisas; e sim de coisas mais sutis, etéreas, idéias que se cruzam, se misturam, criando Rizoma. Imaginemos estas Idéias, umas tão Antigas e outras tão novas, se encontrando em algum lugar. Porque Tudo precisa algum dia se encontrar! Tudo se conecta, então imaginemos esse lugar de encontro como outro qualquer, como os lugares que costumamos ir.
Um bar, sim porque não um bar?!

Esse bar não se encontra aqui na Terra, mas, sim em algum ponto muito distante no Cosmos, talvez ele faça esquina com o Restaurante no Fim do Universo. Voltemos ao nosso bar, nele varias Idéias se encontram, muitas delas tiveram existencia fisica no nosso Plano, outras nem tanto, mas estas mostraram sua presença através de receptores. Chegando mais perto vemos que o bar se posiciona bem em cima de um pequeno asteroide, o suficiente para manter o estabelecimento vagando pelo Cosmos infinito, chegando ainda mais perto vemos que o bar é bem comum, até meio velho, igual a esses botecos que encontramos por aí, janelas pequenas e cartazes velhos e rasgados de varias épocas.
Ao entrarmos pela porta pintada de esmeralda já descascada, vemos um interior esfumaçado, meio escuro, cheiro de diversas bebidas e algumas conversas ao léu. Agora sentemos bem no fundo e observemos seus ocupantes, não que alguns sejam desconhecidos, outros só vistos no Sonhar.

Na ponta da bancada perto da porta de entrada, estava sentado um senhor de aspecto misterioso e ao mesmo tempo de comportamento excêntrico, falava com o barman como se fosse a propria Besta:

- Todo Homem é uma Estrela!!! - Dizia segurando seu copo de whisky, derramando algumas gotas no balcão.
- E...as mulheres....não são....es...trelas!!!??? - Respondeu uma dama ao lado segurando um grande copo de cerveja, parecia ter passado da conta, esta dama parecia velha e nova ao mesmo tempo, não era possivel discernir; e seu traje lembrava uma caçadora e guerreira. Seu rosto mudava a todo instante já que suas representações eram muitas pela face da Terra.

Lá pelo meio do balcão duas figuras conversavam, uma gargalhava  despreocupadamente como se a Existencia dependesse disso, o que lhe fazia rir parecia muito com um palhaço, só que este palhaço lembrava mais todos os comediantes juntos, numa mistura de uma Arlequinada só!
O distinto senhor que gargalhava aos estrondos lembrava um individuo muito conhecido nos meios politicos e ideológicos. Com sua grande barba arquetipa e suas filosofias comunais e proletarias.
Chegando mais para perto de onde sentamos, entre fumaças de cigarro e esperanças perdidas, uma mulher vestida toda de negro e um xale tambem negro que lembrava uma grande teia encobrindo seu rosto misterioso, ela falava para um Rei, um rei sem reinado, pois sua espada lhe havia sido tirada. A Dama Negra fumava um narguile enquanto consolava o probre Rei:

- É melhor ser esquecido do que transformado em uma parodia de si mesmo....
O Rei sem espada olhava fixamente o seu copo vazio, lembrando de seus dias de gloria.

Agora neste momento tiramos um pouco nossa atenção do balcão para as pequenas mesas no fundo do bar, lá em uma delas está sentado um individua baixo, magro, olhar penetrante e um estranho e pequeno bigode, se olhassemos para ele em qualquer outro plano de existencia diria que ele foi/é apenas um ridiculo com idéias ainda mais ridiculas. Mas, quem o conheceu saberia os Horrores que suas idéias ridiculas causaram.
Este senhor olhava com um certo asco para os diversos tipos de pessoas/pensamentos no ambiente do bar, seu olhar ficou marcado como o simbolo de toda Intransigencia, toda Repressão. Ele se fartava sozinho no escuro com sua cerveja.
Chegando bem ao nosso lado, numa mesa com cinco cadeiras, todas elas ocupadas, bebericava um alegre grupo, o mais estranho era que Todos eram o mesmo individuo ou o mesmo Ser com diversas aparencias de acordo com sua época. Um deles lembrava algum deus grego bebendo seu vinho, outro parecia um desses hippies, cabelos longos e barba, vestindo uma simples tunica, tambem bebia vinho. O outro simplesmente parecia o proprio Sol encarnado, o restante era tão recuado no Tempo que não era possivel descrevermos. Todos foram/são Um, mas separados pelos Aeons.

De repente um barulho se faz no ambiente já barulhento, era a porta do bar escancarada dando passagem a mais doze pessoas e um decimo terceiro, este signo jamais foi lembrado pelos tempos. Todos foram para a mesa dos cinco que eram um.

O ambiente do bar foi ficando mais cheio e barulhento, quase não se podia ouvir mais nenhuma conversa, todas se misturavam numa onda caótica de idéias, pensamentos, palavrões e segredos indubitáveis. No meio do bar dançavam, pulavam, alguns mais festivos. Com seus chapéus cornudos e canções primevas, de tempos que Alegria não era um Pecado. Muitos chamavam por suas Deusas, que ali mesmo estavam e diziam:

- Não enche...!!!!

Nos levantamos, pois já vimos de mais, caminhemos para a porta desviando de dançarinos alucinados. Mas, por um ultimo momemto olhemos para o fundo do bar, olhando bem no fundo, uma mesa que estava quase entre os espaços do Espaço, sozinha, uma mulher, sentada com sua bebida e fumando um cigarro, olhava tudo com um fino sorriso nos labios, sorria, sim, ela sorria por toda aquela diversidade, todo aquele Caos. De seu sorriso veio uma deliciosa gargalhada, que varou o Cosmos e tocou os confins do Universo.
Saímos, tambem com um certo riso em nossa face; e ao voltarmos para nosso Plano Mundano lembramos daquela frase mais que substancial:

"É uma Piada. Tudo é apenas uma Grande Piada".

sábado, novembro 06, 2010

Entorpecimento da razão ou a epidemia dos sagadinhos

Nada se fala nos jornais. O noticiário da TV nada mais faz do que encubrir a epidemia, provavelmente por questões políticas, mas isso não muda o fato.

Uma epidemia do vício em salgadinhos tem se alastrado pelas principais capitais brasileiras. Os principais sintomas são: alucinação olfativa (sentindo o cheiro de salgadinhos quanto este inexiste ou não é sentido por outros humanos), síndrome de abstinência (a pessoa começa a sentir um desejo tremendo de comer salgadinhos, especialmente coxinhas, e quando esta falta come várias outras coisas para suprir a necessidade, em vão), fissura (ou craving),  ausência de consciência de morbidade (não se sabe doente, acha sua doença uma coisa normal, natural), além de ser muito comum uma alteração profunda na personalidade, com traços de personalidade anti-social ou borderline (a pessoa pode roubar, vender objetos de casa ou mesmo traficar para comprar seu salgadinho).

Alguns casos já foram notificados, como é o caso da Chaos Baby, que ilustrou bem o que ocorre quando a pessoa é tomada pela patologia da Coxinha. Recomendo a leitura do seu relato AQUI. Felizmente a jovem já passa bem e encontra-se a uma semana abstinênte da coxinha. Milhares de jovens pelo Brasil, infelizmente, não tiveram ainda este destino e se encontram a mercê de situações críticas senão caóticas.

Urge portanto localizar a epidemia dos salgadinhos como problema de saúde pública de prioridade máxima. Os casos ainda são subnotificados devido a ausência de consciência de morbidade dos usuários dos salgadinhos e do lobby dos salgadinhos que ainda os protege de um ataque público eficiênte.

Considerando esta mídia discordiana de extrema relevância, público este post como um chamado urgente para que tomemos providências junto ao Ministério de Saúde provocando uma alteração neste estado que, considero, de calamidade pública.

Nas fotos, vemos: A esquerda: um víciado em coxinhas defendendo o objeto de seu vício. A direita: Restulado de anos de vício. A primeira foto, acima, mostra um mercado de salgadinhos a céu aberto, com o aval da sociedade brasileira.

domingo, outubro 31, 2010

O Clã das Baratas Voadoras

Para começar este é meu primeiro post neste excelentíssimo e Caótico blog! (na verdade fui abduzido e obrigaram a escrever isto em troca de uma mariola e cinco balinhas juquinha). Não sei como começar, eu fiquei pensando no que colocar aqui, dei voltas e mais voltas pelo meu quarto, tracei um circulo magicko com fita isolante no chão, cantei que nem rouxinol com garganta inflamada! Nada! meus rituais xamanicos do fundo do abismo não estavam funcionando. Foda-se! Pedi uma pizza! Depois de varios pedaços cobertos com os mais trangenicos temperos e umas boas doses de vinho que o anão caolho fdp deixou de afanar! Veio!!! Sim!!! Porra nehuma, continuava na mesma! Fiquei sentado na frente do PC olhando a tela brilhante que nem besta vesga; e lembrei do ultimo e sagrado pedaço da maledita pizza. Ao voltar para a cozinha e vizualizar a caixa redonda como se fosse a ultima comida da Terra, observei algo entranho! Havia um barulho, bem fraco, como de perninhas finas a deslizar rapidamente pelo papelão. Foi aí que vi! A cascuda mais maledicente deste Aeon!!! A criatura que faz as mulheres (e alguns homens) subirem nas cadeiras gritanto como se tivesse baixado o satanás!!! Barata maldita desgraçada! Preparei-me para begar meu chinelo, mas, tinha esquecido que eu já estava em cima da cadeira gritanto como se tivesse baixado o satanás!!!! Depois de me recompor, fui atrás da cascuda, a disgramada foi logo pra baixo da minha pia onde guardo minhas panelas e outras coisas vindas das bandas do Iraque. Quando levantei o pano que consegui por uma pexinxa na barraquinha de um Deus lá em Madureira (isso é uma outra historia); vi o, como dizia Lovecraft, Inominável!!! Nem se Cthulhu estivesse enfiado embaixo da minha pia (se ele coubesse) eu ficaria mais espantado! Ali nos racantos mais humidos existia uma cidade inteira de baratas! Um porralhão delas! Acho que tinha até Av. Brasil!!! Enlouqueci, não sabia o que fazer, corri para o banheiro e pegar alguma coisa que exterminasse alquelas hediondas cucarachas! Quando voltei estava com um daqueles inseticidas sem marca que se vende de porta em porta, nem sei que merda era aquela. Tasquei nas nojentinhas, o efeito logo aparente foi o mesmo da tal bomba gama num tal de Dr. Bruce Banner. As bichalocas começaram a ficar raivosas e parecia que estavam formando um esquadrão de ataque! Não deu outra! A porrada comeu!!! Eu contra as baratas assassinas na balada do pistoleiro manco! No climax da batalha, algo aconteceu! Começou com uma tênue luz brilhante a se manifestar em cima da  pia, foi aumentando, tomando forma!...Porra!...de outra barata!!! Puta quil pariu! Que merda era esta?! Só que essa nova barata era diferente, parecia sábia, zen! As outras cascudas ao verem a iluminada pararam e ajoelharam em respeito! Putz! Seria o Padim Cicero?! Focalizei minha atenção de onitorrinco vesgo e aí persebi a grande verdade! Era nada menos que São Gulik!!! O proprio! Diante daquela manifestação Divina tambem me ajoelhei perante tão sábio mestre. São Gulik olhou pra mim e disse:
- Por que tanta violencia. Não sabes que o que está em cima é igual ao o que está abaixo?
Eu não podia contra tamanha sapiência, expliquei meu caso ao grande Mestre Zen; e atraves de sua intervenção fizemos um tratado de paz! As baratas poderiam ficar morando nos recantos profundos da minha pia, desde que não metessem suas patinhas na minha comida! Pelo que sei está tudo bem, quando olhei pela ultima vez já tinah até uma Vila Mimosa!
Bem...e eu continuo sem idéias....acho que vou encher a cara de vinho!!!

sexta-feira, outubro 22, 2010

Contradições

por Hermano Vianna


Interessante encontrar Vivianne Westwood agora no núcleo duro do "sistema"

Duas semanas atrás, em Londres. Tudo punk-dominado: impossível, com olhar atento/“antenado”, circular pelos arredores chiques de New/Old Bond Street sem encontrar algum vestígio da influência cada vez mais consolidada que Vivienne Westwood exerce em certa cultura contemporânea. Os folders de suas novas coleções ordenavam em letras garrafais: “Compre menos.” Havia uma exposição de seus sapatos na loja de departamentos Selfridges. As vitrines da Lee traziam o lançamento de jeans com sua assinatura. E dentro do Palácio de St. James, residência real, na Garden Party organizada pelo príncipe Charles, Vivienne Westwood era a curadora de moda. Apenas Vivienne Westwood, não.
O material de divulgação do evento a tratava por Dame Vivienne Westwood, título ainda de alguma nobreza que recebeu em 2006.
Nada mal para alguém que inventou, junto com seu marido, Malcolm McLaren, e o designer situacionista Jamie Reid, o estilo visual e indumentário dos punks. Ou que, ainda no início dos anos 80, dizia fazer “moda de confrontação” e declarava: “Tenho uma visão política da moda: é uma maneira de contestar o sistema.” Interessante encontrála agora no núcleo duro do “sistema”, entronizada nas lojas mais comerciais e aliada de um príncipe que não esconde uma visão artística tradicionalista, vide seus ataques a toda tentativa de se construir edifícios de arquitetura (pós)moderna em Londres.

Mudou o sistema ou mudou Vivienne Westwood? A Garden Party do príncipe Charles não era uma festa qualquer, sem causa. Havia uma isca: os jardins cheios de História dos palácios Clarence House, St. James, Marlborough House e Lancaster House, geralmente cercados por forte aparato de segurança, estavam abertos para a população plebeia. Claro, era preciso pagar as libras da entrada, mas, repetindo a propaganda, por uma boa causa: o dinheiro arrecadado seria aplicado em alguma iniciativa ecologicamente correta de Sua Alteza.
Muitos debates, shows, exposições de projetos que nos incentivavam a poupar energia, deixar de viajar, não desperdiçar nada e até plantar a própria comida seguindo o exemplo da horta orgânica cultivada ali mesmo pelo Príncipe de Gales.

Confesso que fico sempre meio apavorado nesses ambientes verdes, achando que sou culpado pelo fim do mundo.

Também tenho implicância com a ideia de que a Natureza é boazinha e que tudo o que é artificial faz mal. Mesmo assim consegui me divertir nos jardins reais, descobrindo gente bem maluquinha, não apenas velhinhas fazendo bolsas com o tecido das cortinas velhas dos palácios.

Como o pessoal de moda reunido pela curadoria da Dame Vivienne Westwood.
Tenho certeza de que vão ser cada vez mais presentes em qualquer passarela: o pessoal do coletivo Noki House of Sustainability, a atriz Emma Watson (Hermione nos filmes de Harry Potter) agora também ecodesigner, ou a estilista Orsola de Castro, líder do movimento do “upcycling”, o termo fashionista para reciclagem.

Mas em nenhum momento deixava de causar estranheza a presença de ideias até bem extremistas em local tão “estabelecido”. O ar estranho dos tempos, onde está tudo — conservadores e vanguardas — junto misturado, ficou mais denso quando entrei, bem do lado dos palácios, no prédio do Institute of Contemporary Arts (ICA), ocupado pelos russos do Chto Delat?, coletivo ou “plataforma” formado por artistas, filósofos, críticos e escritores que tentam fundir teoria política, arte e ativismo. (E quando lembramos do poder que magnatas pós-Perestroika, como Roman Abramovich, exercem hoje em Londres — do futebol do Chelsea ao circuito de arte, isso para falar só na “superestrutura”... — tudo fica ainda mais pesado e animado.) Chto Delat? pode ser traduzido como Que Fazer?, título do livro de Lênin, que trata das “questões palpitantes do nosso movimento”. O pessoal do Chto Delat? faz muitas coisas bem palpitantes: vídeos, instalações, performances, um jornal, seminários etc.

Para Londres eles prepararam várias ações diferentes, que poderão ser acompanhadas até 24 de outubro.

Assisti ao final de um seminário que durou 48 horas. Os participantes tinham mesmo que ficar 48 horas juntos, inclusive comendo e dormindo juntos nas galerias do ICA. Terminou com uma performance brechtiana.

O tema era “Que lutas temos em comum?”, tudo comandado por Olga Egorova, artista que cria umas roupas filosóficas (a de que mais gostei era um vestido com a seguinte declaração bordada no peito: “Acordo às 6 para ler Hegel”).

No palco, divididos, dois grupos: os artistas e os ativistas.

Atrás deles, um coro cantando hinos comunistas. Os artistas recebem convite para exposição patrocinada por uma grande corporação, os ativistas fazem campanha contra a aceitação do convite.
Na plateia, a Liga dos Trabalhadores Culturais Revolucionários protesta: tudo aqui seria uma farsa ingênua, promovida com dinheiro público.

No final, palmas, risos — obviamente, nenhuma conclusão.

Sigo dali para a festa de 16 anos da Rinse FM, rádio que era pirata e comemorava sua oficialização recente no dial londrino. A programação era também extremista: dubstep, UK funky, grime.

Muito subgrave esquisito. Na fila da entrada, mais de três mil garotos normais, nada esquisitos.

De volta à contradição dominante: a contestação no poder, o choque e o banal de mãos dadas. Mundo complexo este “nosso”.

sexta-feira, outubro 15, 2010

LinKaonia número 3

yo!

esta é a terceira edição do micro-zine aperiódico com as últimas novidades em links caóticos e similares

:::

fnordsintheair – blog dos reverendos JaPa, Mottähead, entre outros.

Hacked InRealLife – rotina hackeada

Fuck Yeah SubGenius! – A celebration of J.R. “Bob” Dobbs and the Church of the SubGenius.

…and THIS is why we can’t have nice things… – A collection of stuff, things, nonsense, rants, raves, pretties, sillies, and gee-gaws from Rev. Hugo Nebula, Ordained Minister of the Church of the SubGenius.

Igreja Delariantista do 23º Dia – blog oficial da Igreja

conhece algum link caótico? mande para a redação já! -> minimalistaarrobagmail.com <-

oy!

sábado, setembro 11, 2010

O P.I.P.A. apóia: Urso da Felicidade



Nas eleições para primeiro ministro da Letônia, país báltico europeu, o candidato do “Último Partido” é um urso de espuma de dois metros. Ele concorrerá ao cargo no dia dois de outubro. Espera-se que receba um número expressivo de votos.

O Último Partido indicou o “Urso da Felicidade”, um personagem do escritor letão Andrejs Upits, para o cargo máximo do país. A Comissão Central Eleitoral da Letônia não quis comentar o caso. O autor, falecido nos anos 70, escreveu peças de teatro, comédias, tragédias e histórias para crianças, entre outras. Seu trabalho foi censurado duas vezes durante o regime comunista.

fonte: POP Trash

quinta-feira, setembro 02, 2010

Delarismo versão 2.3.5

:::

O delArismo é uma alquimia multicabalense entre o Larismo de reverendo wodouvhaox e o Delírio Coletivo de Reverenda Fada Verde.

Enquanto o Larismo abastece a necessidade ontológica de Introversão Meditativa, o Delírio Coletivo alimenta o outro lado do espelho de Alice, a Extroversão Slackronediana.

É também conhecido como DeLariantismo. e um dos seus motes principais, utilizado quando há uma grande Aflição Espiritual, é: "Cale a boca! a não ser que você queira dizer algo engraçado e/ou divertido".

Alguns textos sagrados:


Delírio Coletivo

por Fada Verde

Ao longo da história, a maioria dos movimentos literários e artísticos contradiziam o movimento anterior. O Renascimento foi contra tudo o que a Era Medieval disse, o Realismo negava os fundamentos do Romantismo e assim por diante.
Já o movimento Nonsense resolveu que não gostaria de contradizer o movimento anterior, no caso, o Modernismo e a Pop Art, o Nonsense quis negar absolutamente tudo e/ou não negar absolutamente nada.
Sob a máxima "Pra que fazer sentido!?", esse movimento cria uma contradição de tudo e dele mesmo, com raízes em todos os estilos literários e tendo por característica a abolição da linguagem figurada, nada mais era figurativo, tudo era real, e o que era real não existia, ou existia, ou o que quer que o leitor prefira.

O que aconteceu foi que no fim do século XX e começo do século XXI, com o fim da Guerra Fria, a ascensão dos EUA como maior força política e econômica do mundo, detendo um poder quase imperialista e com a estagnação de todo e qualquer movimento revolucionário, o mundo conheceu um período de conformismo em que qualquer coisa era uma revolução. Andar fantasiado, por exemplo, ou simplesmente usar um nariz de palhaço pela rua, já causava um grande choque por quebrar a monotonia cotidiana. O movimento DC, autor da obra Sofia, foi um dos primeiro a notar isso e adotar a idéia do Nonsense.

Da idéia para a prática foi um pulo. Embora no começo, apenas algumas pessoas tivessem adotado essa "revolução", assim como em qualquer outra já ocorrida, o clima e as idéias sem sentido foram tomando proporções mundiais e o mundo conheceu uma época maravilhosa, onde a espontaneidade e a imaginação tomaram conta de todos e tudo passou a ser fantástico e irreal. Chegou até a haver um certa desaceleração nas pesquisas cientificas, afinal não importava mais provar que pode-se dividir uma célula infinitamente.

Antes desse movimento, as pessoas buscavam uma explicação científica para tudo, mas depois ninguém mais queria a explicação lógica e inteligente. Todos perceberam que a fantasia era bem melhor, que cada um poderia formular sua própria teoria para qualquer coisa, todas as lendas sobre os "porquês" voltaram à tona e todos os povos buscavam as raízes de suas culturas para saber algo, quando não encontravam, criavam uma nova cultura.
Em meados da década de 10 do século XXI, o mundo já não fazia sentido algum. Viam-se pessoas fantasiadas, nas ruas, nos supermercados e até nos escritórios você encontrava pessoas vestidas de Pantera Cor-de-Rosa ou Smurffle.
As casas tinham pinturas psicodélicas e, às vezes, achavam-se florzinhas desenhadas no meio da rua.
Com a população nesse incrível estado de espírito, era natural que as artes também seguissem esse caminho.

Leis Absolutas do Delírio Coletivo

1ª Lei Absoluta
PATAFÍSICA- Tudo é decidido pela imaginação e não pela razão.

2ª Lei Não Absoluta
Não encher as caras aos domingos.
Quem quer fazer sentido?
A realidade é relativa;
A Fantasia é bem melhor;
Arte, Poesia e Loucura.

3ª Lei Absoluta
Usar LSD.

4ª Lei Absoluta
Enlouquecer a Política.

5ª Lei Absoluta
Nenhum tipo de censura.
Mandar as preposições e a gramática pro inferno!

6ª Lei Absoluta
O que fazer em casos de incêndio?
Deixe queimar!

7ª Lei Absoluta
Jogar uma garrafa de conhaque no Delírio Coletivo

8ª Lei Absoluta
DELIRAR.

9ª Lei Absoluta
Assassinar a monotonia causada pela razão.


Loucura Lúcida

por Fada Verde

Não conseguir fugir da realidade significa um excesso de lucidez ou extrema loucura?

A resposta confirmaria minha tese poética-lunática, de que não só o excesso de lucidez leva a loucura como o excesso de loucura leva a lucidez.

Se minha realidade é na verdade uma ilusão, quando tento fugir dela, tento alcançar a realidade? Ou migro de ilusões em ilusões? Se as realidades são múltiplas a tentativa de alcançar a realidade única em que todos se enquadram seria uma farsa. Talvez todos vivam em suas respectivas ilusões, que criamos e recriamos. Se pertence a cada sujeito que a resolva viver, a realidade sim que é uma ilusão, a ilusão da ilusão. A ilusão é uma realidade. A realidade está fora ou dentro? do exterior ou do interior? O que faz pensar quantas realidades seriam possíveis. Infinitas. Nos casos que unem mais indivíduos, podemos denominar precisamente como o fenômeno do Delírio Coletivo.

Se produzimos a realidade ilusória, o que é loucura? Como são diversas as loucuras, digo, ilusões, realidades. A metafísica disso tudo é expressa pela loucura de Deus, o tal dançarino do qual falava Nietzsche, que nos criou a sua imagem e semelhança, como deuses de nossas próprias loucuras. Fato é que nelas podemos fazer o que quisermos dentro dos limites da loucura de Deus.

Dizem por ai, que o sóbrio é aquele que sabe distinguir a realidade da fantasia, mas o que dizer se somos máquinas de produzir fantasias? Certamente jamais será possível olhar um homem despido de seu imaginário. Ilusões sobrepostas numa translucidez aguda. Perceber que está iludido não significa que nos livramos da ilusão se ela é real. As ilusões/realidades se desdobram uma fora da outra. Se trancafiamos alguns de nós dentro das salas estofadas, é porque os condenamos pelo abuso da criatividade.

O excesso de lucidez, faz perceber a ilusão real, que se exacerbada leva a loucura originária. A loucura alucinatória se levada a extremos nos leva a realidade ilusória, que é a realidade possível.

“É grave doutor?!?”


Larismo

por woouvhaox

Nós
somos uma tribo
de eremitas, solitários,
introvertidos, monges,
mudos, lacônicos,
e maníacos afins
que estão intrigados
com
Lara
DEUSA DO SILÊNCIO
e com
Seus
Afazeres

O Que Nós Sabemos Sobre LARA (não muito):

"Larunda (ou Larunde, Laranda, Lara) era uma Náiade ou ninfa, filha do rio Almo na Mitologia Romana. Ela era famosa tanto pela sua beleza como pela sua loquacidade - uma característica que os seus pais tentaram refrear. Ela era incapaz de guardar segredos, e assim revelou à esposa de Júpiter, Juno, o seu caso com Juturna (ninfa companheira de Larunda, e esposa de Janus). Por atraiçoar a sua confiança, Júpiter cortou a língua de Lara e ordenou a Mercúrio, o mensageiro, que a conduzisse a Averno, a entrada do Mundo Infernal e reino de Plutão. Mercúrio, no entanto, apaixonou-se por Larunda e fez amor com ela no caminho. Lara então tornou-se a mãe de duas crianças, conhecidas como Lares, deuses invisíveis guardiões dos lares. Contudo, ela teve que permanecer escondida numa casa nos bosques para que Júpiter não a encontrasse." wikipedia

"O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."
(Aristóteles)

"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute."
(Sabedoria oriental)

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete."
(Aristóteles)

"O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa."
(Platão)

"O Sábio cala ... a verdade por si fala"
(Ponto de Equilíbrio)

"As palavras não representam a coisa em si. Elas inicialmente eram metáforas para tentar comunicar ou indicar algo. Com a evolução da linguagem e sua crescente complexidade, foram criadas metáforas sobre metáforas, ficando cada vez mais abstratas até o ponto em que sua origem, a expressão da coisa em si, se perdeu completamente. Digamos que palavras são como o NX Zero, a cópia da cópia de recópia da tricópia." Timóteo Pinto

Mais sobre Menos:

Manifesto Clarifesto - Menos é Mais

por Reverenda subMarina

Eu não sei nada sobre as pessoas e isso é muito! E poucas pessoas sabem muito sobre outras pessoas, já que a maioria das pessoas pensa saber muito sobre as pessoas. Talvez saibam sobre uns e outros...Conhece a ti mesmo? Impossível se cada um é um universo, imagina conhecer outras pessoas, saber sobre outras pessoas? Poucas pessoas se conhecem, e eu me conheço muito pouco e isso é muito! Assim, dessa maneira, menos é mais e mais é menos! E eu não sei nada, ninguém sabe nada, o que é muito!Muitas pessoas pensam saber alguma coisa e saber alguma coisa é pouco comparado a não saber nada!"Tudo que sei é que nada sei" , só que eu nem sei o que é tudo, então eu nem sei o que é nada! Menos é mais!!! Então nada é tudo e tudo é nada...

Manifesto Clarifesto=Tudo é Nada?

fnord Tudo é Nada? Não saberemos nunca. Mas, e se eu souber? Como é que faço pra saber se sei? Então o "talvez" seja o "nunca" fnord disfarçado de probabilidade! E as probabilidades de eu saber nada sobre mim nunca serão reais, bem como verdadeiras, bem como saber tudo! Então "não sei" é o "sei" disfarçado de resposta! Ou de pergunta?

Salve Èris

Clarifesto Manifesto=Preço da Vaca

Então, de novo, o negócio é o seguinte: O preço da vaca é cento e vinte!(R$120,00)...Existem gnomos que costuram sua meia rasgada por bem menos e você não precisa ter uma vaca que custe R$120,00. Também existem fadas do dente que levam os dentes caídos por R$120,00, só que como poucas pessoas possuem dentes de ouro , e ou, com amálgamas de prata , então, dificilmente elas aparecem para comprar o seu dente...E por aí vai! O negócio é o seguinte: tenha uma vaca de cento e vinte que seus dentes ficarão na sua boca e suas meias sem rasgos...

Clarifesto Manifesto=23 anos

Eu queria ter 23 anos pra sempre! 2003 foi o ano da Multicabala Lispectoriana, porque esse número é o cabalístico erisiano...E eu que finjo...Enfim, como será que Èris se comunica com glândulas pineais em período de TPM? Na verdade o período de tensão pré-menstrual em garotas regidas por Éris se converte em Tentativa Pineal Magnânima (TPM)!!! Nesse período, garotas FNORDS têm sua comunicação expandida com a deusa e causam o caos em seus lares e adjacências...Quanto mais forte a TPM, mais regida por Èris é...Uma expansão do espectro super estendida chegando ao espectro gama ou nanomicrondas. E Èris nos fala através do sangue perdido:
"Eu sou uma cadeira e uma maçã e eu não me somo"

11:59(1½ horas atrás) Clarifesto Manifesto= 5 propostas

1. Se é cada um com seus problemas, então façamos um mercado de pulgas de problemas...A cada problema comprado garantimos uma plástica para aumentar a parte de trás da sua orelha

2. Vamos distribuir nossos problemas de graça e as pessoas que aceitarem os problemas, terão direito á 120 vacas ordenhadas por fadas ou gnomos...O leite será dourado , pois vacas ordenhadas por gnomos têm o leite coado e pasteurizado em meias de fio de ouro, que provêm dos dentes comprados pelas vacas...

3. De agora em diante tenho apenas 23 anos

4. “Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias. É uma grande aventura e exige muita coragem e devoção e muita humildade” -Clarice Lispector

5. Menos é mais

Clarifesto Manifesto=Clarice Lispector

Clarice Lispector é nossa patrona gran sacerdotisa mor...não há o que dizer a não ser, MENOS É MAIS!

“Mas já que somos pouco e portanto só precisamos de pouco, por que então não nos basta o pouco? É que adivinhamos o prazer. Como cegos que tateiam, nós pressentimos o intenso prazer de viver.”

"Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer- nessa pequena luta por não perder a paciência e entrar no mundo maior- muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então eu vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho."

trilha sonora

mais sobre lara

e é só. mú

:::


Unindo o Hodge & o Podge


1 - delArismo sexy

“ Por fim amamos o desejo, e não o desejado.” - Nietzsche

faz todo o sentido, certo?

então sejamos sinceros, a título de experimento mergulhemos nesse delírio, na ficção desse desejo. se aparecer algo real não fictício - mas de natureza delirante fictícia, logo real - qual a natureza desse algo afinal?

(su)pe(r-realidade)

paradoxos não são sexy, baby?


1.2 - Outras Relações

extrapolemos delirantemente esse exemplo incluindo toda e qualquer relação humana. perceba o quanto há de falso, fictício, irreal, surreal.

filosofias e religiões tentam sem sucesso estabelecer Rígidas Regras Morais Universais nessas relações, ignorando e reprimindo as minorias, o diferente, o excêntrico, o inadaptado, o esquisito, o ilegal, até mesmo o inovador (de suma importância à uma existência saudável & divertida).

o delarismo defende a multiplicidade de delírios. múltiplos paradigmas & semi-múltiplos paradigmas convivendo em um só indivíduo ou em um grupo. sendo assim ninguém, seja indivíduo ou grupo, tem o monopólio de um Delírio Salvador Universal Único.

"Felizmente nem tudo podemos apreender ou compreender através da lógica. Em todas as formas de arte, da música à dança, da literatura ao teatro, nem tudo é apenas técnica ou lógica. A emoção e o acaso também fazem parte da estrutura dessas atividades. Com a religião também não poderia ser diferente. Ela também tem seu lado lógico e racional, mas esta é apenas uma, talvez a menor, das várias facetas que possui."
- Timóteo Pinto

Outros textos sagrados delariantianos aqui


MultiCabalas de delArismo Slackronediano


conjunto de pluri-comunidades divididas entre estados (alterados da consciência) para facilitar o Amor Louco entre seus membros & membras e a criação & destruição de delírios de variável prazo de validade:

- Igreja Delariantista do 23º Dia

- A Igreja no orkut

- Le Fórum Absurd

- blog tudismocroned

- Portal Delírio Coletivo


Mais Delarismo Interativo

divulgue seu delírio aqui

:::

->:-:=:+<-

terça-feira, julho 06, 2010

Real-(id)ade


A realidade fixa-se quando, puxado pelos representantes do socius, o ainda-bebê vai ao cartório, lugar vil, onde encontra seu rosto prensado pela máquina de xerocar: IN-DIVÍDUO.

Não divisível.

Doravante o ego, conceito mais abstrato que papai noel, emerge com sua força pusilâmine. Por fraco e covarde que seja, o ego agora é o sujeito: não estamos aqui no domínio da crítica realista ao nominalismo como flactus vocis.

O paradigma do cartório é lacaniano.

Sujeito e nome se unem como significado e significante. Não estamos no plano do "sujeito" e "objeto", mas de uma realidade que se torna indissociável, prímeva, quase irrevogável.

Foi neste plano de guerra que os parrachianos desafiaram o status quo quando desbancaram de uma vez por todas o totalitarismo do nome único e eterno.

O realismo ingênuo treme na beirada da sua cova, num apartamento confortável.

O que é, é.

Os parrachianos, longe de louvarem incondicionalmente o não-eu e o não-território vão desterritorializar num plano de fuga rizomático. A imagem é amplificada num soul-making que produz novos nomes para novas realidades.

O que é, já era.

Nessa permissividade do sujeito, este pode descolar-se, entendendo que seu nome é, além de tantas coisas, um mecanismo de opressão inibindo o fluxo de sua excentricidade daimonica. Para tal foi instituido, como rito de desintituição, o rito do arroz.

E de arroz em arroz, o parrachiano defaz-se.

Não estamos tampouco no plano do idealismo aqui, mas num outra organização epistemológica imagética, entendendo que a saúde espiritual e psicológica só é possível a partir da invenção continua do ainda-não.

Um abraço queridos,
Encerramos por aqui hoje.

sexta-feira, julho 02, 2010

LinKaonia número 2

está de volta o micro-zine aperiódico com as últimas novidades em links caóticos e/ou delariantianos:

:::

-> Mama Éris - discordianismo, taoismo, prolixismo hardcore. uma produção de Don Guakito & suas identidades temporárias e Pedro Parrachia

Pranarchy - mais uma produção de Don Guakito. descrição nas palavras do próprio: "We are dedicated to Natural Resonance Revolution from a health, pop, musical, filmic, comix, spiritual, scientific and magikal point of view... all at the same time, mixing everything in it's diversity as a good informational ecology. If you don't like it, there is, for now, a carbon-based nature out there waiting for you to love her back. GO!" <-

-> Laboratório Episcopal Experimental do Papa Duubhglas Juarezzz - depois de um tempo cultuando Lara Papa Duubhglas traz novas experimentações em nosso laboratório discordiano preferido.

slackroned - bulldada, onanatomismo, hihislackulturas, random esquisitice. ou não <-

-> O riso como via de acesso ao criativo transformador - texto canônico do Delarismo


e por hoje é só pessoal

conhece algum link caótico? mande para a redação já! -> andre-farrobarocketmail.com <-

abraços

oy!

terça-feira, junho 08, 2010

técnica de tortura

- "Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- "Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- "Vai depilar o quê?"
- "Virilha."
- "Normal ou cavada?"
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- "Cavada mesmo."
- "Amanhã, às... deixa eu ver...13h?"
- "Ok. Marcado."
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique.
Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso
cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- "Querida, pode deitar."
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus , era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- "Quer bem cavada?"
- "...é ... é, isso."
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- "Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- "Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- "Pode abrir as pernas."
- "Assim?"
- "Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado."
- "Arreganhada, né?"
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- "Tudo ótimo. E você?"
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- "Quer que tire dos lábios?"
- "Não, eu quero só virilha, bigode não."
- "Não, querida, os lábios dela aqui ó."
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- "Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor."
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- "Olha, tá ficando linda essa depilação."
- "Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto."
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. - "Me leva daqui, Deus, me teletransporte". - Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- "Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?"
- "Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada."
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da puta arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- "Vamos ficar de lado agora?"
- "Hein?"
- "Deitar de lado pra fazer a parte cavada."
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- "Segura sua bunda aqui?"
- "Hein?"
- "Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda."
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê... Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- "Tudo bem, Pê?"
- "Sim... sonhei de novo com o fiofó de uma cliente."
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu twin peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até aliviava minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- "Vira agora do outro lado."
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A bruaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- "Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha."
- "Máquina de quê?!"
- "Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol."
- "Dói?"
- "Dói nada."
- "Tá, passa essa merda..."
- "Baixa a calcinha, por favor."
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha!!!...como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cú. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
" - Prontinha. Posso passar um talco?"
- "Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha."
- "Tá linda! Pode namorar muito agora."
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso . Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

(Fonte desconhecida)

quinta-feira, maio 20, 2010

O riso como via de acesso ao criativo transformador (texto sagrado do Delarismo) - parte 2

:::

Parte 1

:::

Diante do paradoxo e da indivisibilidade da vida, com seus pares de opostos, outros autores assinalam a ambivalência do riso, que este pode ter como fonte uma dor, uma defesa, um temor, mas ao mesmo tempo uma sabedoria. H. Adorno já afirmou que o riso sereno ou terrível marca sempre o momento em que desaparece um temor. Afirmou Platão, em A República, que ”um acesso excessivo de riso quase sempre produz uma reação violenta” (ibidem, p.4). De fato, ainda é difícil definir o senso de humor, embora Shopenhauer já tenha afirmado que a única qualidade divina de um homem era o seu senso de humor. Por outro lado, sabemos que o ser humano é um ser lúdico, ele é apenas completamente humano quando está brincando, um importante anseio humano é o de jogar.

Mas, o que significa o humor? Indicando algo que flui, líquido, a palavra “humor” simboliza também o movimento de forças inconscientes que gradualmente se desenvolvem, porém o “senso de humor” em si pode se originar no senso de proporção das partes com o todo, tanto no mundo externo como interno. Para haver senso de humor maduro deverá haver, além do riso, consciência e afetividade. Charles Williams, no seu livro All Hallow’s eve (apud Luke, 1992, p.16) considerava que “aqueles que apreciam e compreendem, penetram no riso, no coração das coisas. A humildade está intimamente relacionada com senso de humor”. Há muitos tipos de riso, ele pode ocultar uma rejeição destrutiva ou o desprezo, e quando nos rendemos a isto perdemos o senso de humor, que sempre fortalece a compaixão, onde todas as nossas dores e alegrias se tornam inteiras. Ressentimentos, humilhações, culpas, etc. podem ser aceitos com dor e conhecidos também como ocasiões para o riso que cura.

Ainda segundo Williams, no meio da dor emocional é importante manter o senso de humor sobre a própria importância e a dos outros, com a intenção de alegria. Quando nos sentimos absolutamente comuns, adquirimos a simplicidade e o senso de humor; assim, poderemos começar a brincar na liberdade e na simplicidade da criança, poderemos alcançar a filosofia do momento, também defendida por J. L. Moreno, e vivermos no aqui e agora, com o espírito presente em cada momento, sabendo o que realmente se é.

Quando Jesus Cristo diz que “aquele que não receber o reino de Deus como uma criança pequena, nele não entrará” (São Marcos, 10:15), estava se referindo a esta sabedoria divina do riso. Jung considerava que, além da ética essencial, além da beleza da ciência, filosofia, psicologia e teologia, além de todos os esforços da humanidade para compreender o bem e o mal, ainda restava uma porta final para encontrar a liberdade: o caminho para a brincadeira espontânea, não imatura, mas inocente, do espírito feminino. Segundo Luke (1992, p. 17), sem isto não haverá “qualquer criação que conheça a eternidade, depois da longa jornada de retorno, na dimensão do tempo. Ela está e sempre esteve brincando no mundo, na alegria da Criança escondida em cada um de nós”. É quando se encontra a liberdade de todas as convenções e não se importa mais em mostrar as deficiências, como um palhaço. O Tolo ou a Criança dentro de nós nunca é ingênua, pois é a própria sabedoria brincando no mundo.

J. L. Moreno, por sua vez, acreditava nesta criança eterna e livre que deveria ser despertada, com sua centelha divina da espontaneidade, desenvolvendo seu método para trabalhar o acesso a este senso de humor, a este riso, a esta alegria, esta criança livre do aprisionamento das conservas culturais. Ao trabalhar numa realidade suplementar, Moreno valorizava o poder do mágico, do ilusionista, da liberdade transformista de multiplicar formas e possibilidades, produtora de mundos impensados. Neste ponto, afirmamos que Moreno e Jung se encontram num mesmo diapasão: ambos percebem no riso a afirmação de um princípio criador.

Quando um sujeito está em crise, quando o poder ordenador e racional do ego se descontrola, a tensão é demasiada e o ser se sente fragilizado - é preciso que se imponha outra força, em alternância. E o que surge como força capaz de propor outros sentidos à trágica situação, é o expediente da comédia e da magia que existem dentro de cada um.

O palhaço em particular, traz a visão carnavalesca, dionisíaca, ousada e grotesca do mundo, anteriormente citada. E o seu valor de renascimento, regenerador e de renovação positiva, “pois ao inferiorizar, rebaixar, aproxima da terra, favorece a comunhão com a parte inferior do corpo, conduz à comunhão com uma força regeneradora e criadora” (Bakhtin, apud Sampaio, 1992). Segundo Bakhtin, o riso renascentista está ligado ao novo, ao futuro, ao nascimento, a abrir caminhos. A figura do palhaço nos leva a enxergar o mundo de modo diferente, mais móvel, intenso e imaginativo.


fonte: Psicodrama do Palhaço

quarta-feira, maio 19, 2010

O riso como via de acesso ao criativo transformador (texto sagrado do Delarismo) - parte 1

“O grau de liberdade que há em qualquer sociedade é diretamente proporcional ao riso que nela existe”

(Zero Mostel, in Humor Judaico)

...

O palhaço foi considerado por C. G. Jung como um representante do trickster, uma figura arquetípica do herói trapaceiro, ambíguo e contraditório, que zomba e transgride normas. O palhaço teria ligações estreitas com o trickster e seria, acima de tudo, uma exteriorização de algo íntimo, universal, primitivo e puro do indivíduo, que se encontra no riso e no exagero. Figura que pode ser amada, admirada ou temida por todos, que assume a dor, a ternura e o ridículo, integrando estes opostos.

Fazendo uma breve retrospectiva histórica do “palhaço”, encontramos já na Idade Média as figuras do bobo da corte ou bufão sábio. A trupe dos saltimbancos surgiu nas festividades da Idade Média e Renascimento. Nesta época, a concepção do cômico opunha-se à cultura oficial, ao tom sério, feudal e religioso da época. Encontramos esta figura cômica também como o “coringa” dos baralhos e como o “louco”, na carta 22 do Tarô. Somente se tornou realmente a figura do “palhaço” na Renascença italiana com a Commedia dell’ arte ( com a dupla “Branco e Augusto”). Passou a frequentar os palcos das festas populares, representando uma “concepção carnavalesca do mundo, uma segunda vida do povo”, assim como o lado jocoso, grotesco e alegre, recusando o poder instituído e afirmando a vida (Bakhtin, apud Sampaio, 1992, p.40). Surge, assim, uma visão do homem e das relações humanas alternante, necessária e revigoradora. Mas, este poder regenerador positivo do palhaço vai decrescendo após o século 17, mantendo-se atenuado em algumas formas do cômico sobreviventes, ligadas ao folclore, ao circo e à feira.

O trickster é considerado por Jung uma imagem arquetípica do inconsciente coletivo, que se insurge para brincar com a lei. É uma imagem eterna, arquetípica. Um herói mítico que é solitário, mas que se efetiva na relação com o outro, embora se volte sempre para si. O trickster é a imagem arquetípica do brincalhão com impulsos infantis, de natureza ambígua (animal e humana, sublime e grotesca). É o infantil no adulto, o infrator de normas.

(...)

Investigando o espírito cômico, observamos que ele é dialético, costuma dizer “não” a um “sim” aceito, ou dizer “sim” a um “não“ aceito e conservado culturalmente. Tem a capacidade de criar a súbita inversão, na qual a familiaridade do mundo comum é posta em questão, para que possamos ver a surpresa e experimentar o espanto que o familiar tende a esconder. A piada, por exemplo, depende muito de uma espontânea e súbita inversão do comum, da conserva cultural, da ordem das coisas geralmente aceitas. Por isto, há um certo atrativo inevitável na brincadeira.

Segundo Richard Underwood (apud Campbel, 2001, p. 166), “é cômico ver a súbita inversão da certeza ou familiaridade em incerteza ou surpresa”. Ou até pode ser trágico, indicando uma íntima ligação dialética entre tragédia e comédia. Como diz um velho cancioneiro popular, “o que dá pra rir dá pra chorar, questão só de peso e medida”.

J. L. Moreno (1889-1974), criador do Psicodrama, tinha plena consciência da força da brincadeira, da alegria e do jogo no trabalho terapêutico. Afirmou que devolveu a alegria à Psiquiatria e buscou no jogo, dramático ou não, o clima lúdico e o riso como condições para promover um estado espontâneo-criador, que ele considerava condição fundamental à saúde mental. Diremos que Moreno desenvolveu um método que visava também despertar o espírito cômico, com seu caráter transformador e transgressor, para que o sujeito com ele pudesse rir do seu drama, ver além da sua tragédia, além do seu modus operandi submerso e submetido às conservas culturais, a atitudes e padrões estereotipados.

Moreno deu, assim, credibilidade e valor à brincadeira como via de acesso ao poder criativo, e em especial no seu poder de colocar em questão o familiar, o conservado, desmontando “certezas”, princípios ou objetivos fixos, cristalizados e não questionados. Vai buscar na atitude lúdica a sua força criativa, para desmontar, desorganizar ou destruir certezas absolutas, pesquisando suas origens, numa perspectiva também genealógica.

(...)

Destacamos também a perspectiva dionisíaca presente do Psicodrama e na figura do palhaço. Dioniso, deus mitológico grego, é um deus do povo, da natureza, do vinho, da liberação pelo êxtase, das emoções, da promoção da vida, da não repressão, da expressão corporal, da dança, do teatro, do sexo e da alegria. Em seu lado sombrio, é o deus da tragédia e da loucura. Mas, é este deus que promove uma via de acesso ao mundo interior, a união das dualidades, do princípio masculino com o feminino, da luz e da sombra, do divino e humano, do alegre e triste, do bom e mau.

Na mitologia e na tragédia grega, é Dioniso quem aponta para a condição humana, que nos vem ensinar o mesmo que os poetas sempre transmitiram, que a vida é um jogo de pares de opostos, são parte de uma unidade permanente. Segundo Albor Reñones (2002, p. 148), “por trás de cada herói e cada sofrimento, ali estaria o deus Dioniso, apontando seu bastão para a nossa cara e dizendo: dance”. Para combater os excessos e a falácia da seriedade, aponta para a dança, para a permissão da alegria e da embriaguês, pois o mundo dá voltas e nada permanece, devendo a cada um de nós entendê-lo como passagem. Este autor (Ibidem, p. 156) nos aponta: “ante a insolubilidade da dor, temos a possibilidade de uma ação solidária, quando não amorosa”. Diríamos que nos resta a poesia, que está presente na alegria.

Segundo López-Pedraza (2002, p.44-45), “Dioniso permite uma perspectiva arquetípica para se relacionar e para diferenciar emoções, como uma via de acesso ao mundo interior”. Segundo Alvarenga (2000, p.143) Dioniso “prega a interação eu-outro de forma simétrica, restituindo a dinâmica do coração”. Dioniso é entendido com representante do arquétipo canalizador da agressividade, da força ou da corporalidade, transformando-a em manifestações criativas. Ao contrário de Apolo (deus do sol, da consciência, da ordem e do pensamento, defensor do patriarcado), Dioniso defende o feminino, é o deus lunar, do inconsciente, da intuição e do sentimento. Representa a dinâmica da alteridade, das relações simétricas, pós-patriarcal (Sousa, apud Alvarenga, 2007).


Parte 2


fonte: Psicodrama do Palhaço

sábado, maio 15, 2010

O velho tarado da Mercedes 78

por Pedro Ivo Resende

Seu Moreira comprou uma Mercedes 78. Adaptou a buzina com o tema do Star Wars para ver se fazia sucesso entre as colegiais. Ele tinha uma fixação magnética no que chamava de "garotinhas com cheiro de chiclete Trident". Por isso parava o carro de vez em quando na saída do colégio Pedro II.

- Ei, doçura, vem cá. Te dou um picolé de carne.

As garotas gritavam e se escondiam atrás das amendoeiras, com medo. Ele não ligava. Despia a camisa, a calça e ficava de cueca e meia preta, tomando sol em cima do capô do carro. E era nisso que se resumia o seu expediente de velho tarado. Até a vez em que uma mulher finalmente entrou no carro do Seu Moreira. Era a Tia Lucinda, que se orgulhava de ainda menstruar aos 68 anos de idade ("Aqui minha calcinha, ó. Cheia de sangue"). Ela perguntou:

- Seu Moreira, você tem algo contra próteses?
- Próteses?
- É, membros mecânicos.
- Tenho sim.
- Problema seu. Vamos pra Goiás. Quero começar vida nova ao seu lado.

Nisso, uma colegial chega e pergunta:

- E aí, Seu Moreira, o picolé ainda está de pé?

Tia Lucinda se adiantou:

- Psiu, o picolé já tem dona. Sai daqui, sua franguinha!

A menina fugiu com medo e se escondeu atrás de uma amendoeira. Seu Moreira abaixou a cabeça e chorou durante duas horas. Depois ligou a Mercedes e foi pra Goiás. Combinou de rachar a gasolina com a Tia Lucinda.

:::

Seu Moreira e Tia Lucinda, pioneiros Pipenses, apóiam Madame Lili

terça-feira, abril 20, 2010

Documentário “Anarco-experimentalismo”

por terminal1

Este documentário visa esclarecer o anarco-experimentalismo passando por várias etapas:

* Apartamento F324: muitos absurdistas se conheceram nessa célebre localidade. A princípio uma moradia, o F324 transformou-se através dos tempos. Foi um escritório. Foi uma TAZ – Zona Autônoma Temporária. Foi uma incubadora de empresa. E Foi um Squat. Localizado no Edifício Copan, no último andar, e sendo um apartamento de canto, ele tinha uma vista incrível e oferecia um ambiente seguro para as primeiras maquinações anarco-experimentalistas. Infelizmente, esse grupo de pensadores cresceu além do que o apartamento poderia suportar, o que trouxe a primeira grande lição a eles: “O absurdismo sempre gera atritos com os vizinhos.”

* Juventude Absurdista: uma identidade coletiva que também é um coletivo de identidades, a J.A. se formou emergencialmente através de encontros informais e formatou-se como um grupo fluído e dinâmico de filósofos, sociólogos e mendigos da sociedade em geral. Muitos clamam que eles se levam mais a sério do que deveriam, mas a verdade é que eles tem uma missão, e ela é instilar o caos. Portanto, enquanto homens e mulheres munidos de uma missão, não só eles se levam a sério demais, mas também apresentam comportamentos erráticos que os afastam da cultura popular tradicional. A verdade sobre eles pode ser mais claramente explícita assim: “Os absurdistas vivem a margem da realidade, num limbo confuso onde constantemente nada faz sentido. E adoram isso.”

* Festivais de apartamento: Da época em que os absurdistas perderam controle sobre o F324 por causa da intensa pressão da comunidade que se acercava (vizinhos), ficaram sem rumo. Como resultado, criaram a práxis alternativa, os Festivais de Apartamento. Não se engane pelo nome. Os festivais não envolvem arte, apenas performances das personas absurdistas. São festas que acontecem nas ruas, (apartamentos) onde se reunem todos os tipos de absurdistas, conhecidos e “recrutas”, fazendo com que esse evento seja essencial para a disseminação do caos. Geralmente a J.A tenta manter a ordem nesses eventos pelo simples fato de que sempre alguém aparece e diz: “Ordem não, aqui é o caos”. Sabemos que é alguém saindo do armário. Seu caráter realista os afasta da ficção e portanto os difere do cotidiano da J.A. Foi através dos debates informais regados a drogas, que os Absurdistas começaram a estruturar sua filosofia abstrata num programa político anti-partidário mais aplicável.

* Pacotes de leis: A base do programa reformista, retrovirótico, prático e anti-partidário que o absurdismo propôe como caminho para o Anarco-Experimentalismo. Pode ser mais simplesmente entendido como uma luta contra a perpetuação histórica da super-estrutura social, rompensdo com a ingenuidade típica do anarquismo que deseja erradicá-la. Basicamente, trabalha com a idéia de um contrato social customizado, que o indivíduo constrói através de um programa de pontos. Benefícios sociais custam pontos. Desvantagens dão pontos. Os cidadãos compensam benefícios com desvantagens, de forma a construir seu próprio pacote individual. Os pacotes abdicam do típico protecionismo da esquerda e entregam a responsabilidade na mão do indivíduo, mas buscam a igualidade de direitos entre todos, negando a visão competitiva da direita. A idéia é tangibilizar o ideal anarco-experimentalista do “Estado Customizado”.


JUVENTUDE ABSURDISTA? WTF?

A JUVENTUDE ABSURDISTA é um coletivo que relata fatos que ocorrem especialmente nas ruas e às vezes na rede.

A JUVENTUDE ABSURDISTA é um blog feito por e para anarquistas que acreditam nas leis de trânsito.

:::

O cabeleireiro das estrelas

por Pedro Ivo Resende

Meu cabelo é duro, estilo black-power. E se eu passasse algum tempo sem cortá-lo, sempre recebia o mesmo telefonema.

- O senhor Pedro, por gentileza.
- É ele.
- Bem, aqui quem fala é o representante dos direitos autorais da banda Jackson Five para a América Latina. Se você não mudar o seu penteado nas próximas vinte e quatro horas, entraremos com um processo por uso indevido de imagem contra o senhor. Passar bem.

Definitivamente era hora de cortar o cabelo e, por que não, adotar um visual moderno. Entrei no Chez Lutcho's, o salão da moda, e fui atendido pelo próprio cabeleireiro.

- Cabeleireiro, não! Sou hair designer.
- Ótimo.

Pedi pro Lutcho raspar o meu cabelo à máquina. Ele abriu a gaveta e me mostrou o aparelho.

- É isso que você quer?
- Sim.

Lutcho atirou a máquina contra o espelho e se enrubesceu de raiva.

- Sou Lutcho's Coiffeur, cabeleireiro das estrelas! Não me vendo por tão pouco. Eu te pego, eu te mastigo, te cuspo, eu te transformo. Deixa eu te mostrar uma coisa.

Lutcho remexeu num armário e me trouxe uma foto. Era ele e um sujeito loiro.

- Essa é uma foto minha com o Richard Gere. Cortava o cabelo dele em troca de aparições furtivas nos grandes sucessos de Hollywood.
- Porra, mas esse sujeito aqui não tem nada a ver com ele.
- A foto é antiga. Posso te contar um segredo?
- Sim.
- Eu inventei o corte asa-delta.
- É aquele da voltinha atrás?
- Isso.
- Que merda, Lutcho.

Lutcho ficou ainda mais transtornado e explodiu em prantos. Saiu correndo na direção de uma porta e se trancafiou lá dentro. Um velho barbudo de cadeira de rodas elétrica desceu uma rampinha do salão e parou ao meu lado.

- Lutcho tenta te agradar, te fazer feliz, e o que você dá em troca? Desprezo!
- Olha, não foi por querer.
- Peça desculpas para ele.

Andei até a porta, de onde se podia ouvir os soluços do cabeleireiro.

- Lutcho, desculpas aí.
- Diga!
- Dizer o quê?
- Diga que você é um animal, insensível, ignorante.
- Nem fudendo.
- Tá bom, me faça elogios então. Elogios em francês, elogios mil.
- Olha, eu só vim pedir desculpas. Mas também você fica contando essas mentiras. E isso é...
- Excuse me.

Olhei pro lado e vi um cara alto de cabelo grisalho. Puta merda, era o Richard Gere!

- Lutcho, darling, come on. Let's go to San Francisco.

Lutcho abre a porta e salta para os braços do galã de Hollywood, que o acomoda no banco traseiro de um Jaguar estacionado em frente ao salão. E eu fico com aquela cara de "mas que porra é essa?". Nisso o sujeito da cadeira de rodas sobe à toda velocidade para o topo da rampa e de lá proclama:

- Corações aflitos, meu jovem! O mundo está cheio deles.