segunda-feira, abril 05, 2010

Olhos de Vidro e Marmore

por Menina Morta

A noite estava insólita com um ar mais frio e rarefeito do que o normal quando Timóteo Pinto adentrou para a escuridão do beco local. A noite estava clara sob a lua cheia de plena sexta-feira 12, e apesar de Timóteo não estar bêbado, certa “consciência alterada” tomava conta de seu ser nesta fatídica noite.

Sua atenção foi chamada com o som efêmero e “inócuo” de uma gota d’água em uma pequena poça de água semi-dissolvida com vestígios fecais de alguma ave. O som parecia de tilintares de taças acompanhada com diminutos coaxos e certos “cri-cri-cri-cri”

Timóteo entrou e pensou que seus olhos o enganaram, pois o nosso senhor assustou-se ao ver um sofá velho sob a tremenda influencia do tempo e colossais ondas de poeira.
Por algum motivo incógnito desmerecidamente, Timóteo ficou hipnotizado ao olhar os olhos do velho, eram olhos opacos, possuíam tons de nevoas, e ao mesmo tempo uma escuridão apocalíptica, como se a qualquer segundo aquele olhar sombrio e caloroso (os dois ao mesmo tempo) pudesse dar inicio a uma reação de cadeia que prenderia tudo sob a hipnose daqueles olhos.

Timóteo se aproximou e ficou à dois metros olhando diretamente os olhos do velho, não sabia o porque, mas os olhos daquele velho pareciam a coisa mais importante da existência. Parecia a única essência realmente essencial da vida. Ele reparou que lentamente mergulhava em seus olhos e então percebeu: Pequenas cutículas dentro de seus olhos começaram à exalar um brilho carnavalesco, e rodava, em espirais uma majestosa dança sobre o ritmo de ‘Magnificat’ ou de Eine Kleine Nachtmusik.

Seus olhos por fim deram origem a uma galáxia, perfeita em todos os seus detalhes. Ele não sabia mais dizer à quanto tempo estava encarando aqueles pares de olhos imateriais, o tempo parecia estranho agora. TIMÓTEO sabia com certeza que fazia mais de dois dias e com incerteza sabia que fazia menos de uma semana.

Uma vontade LOUCA de urinar atacou-o quando ele sabia que, como em um sonho surreal, que se parasse por dois segundos de olhar aqueles olhos, e retorna-se sua visão, não seria mais a mesma coisa. Então sem pestanejar, TIMÓTEO urinou sua substancia ureica-amoniaca ali nas calças mesmo. E pela primeira vez na vida Timóteo perguntou alguma pergunta decente e inteligente:

“-Senhor, quem diabos é você?!”

A voz extremamente fina do velho, como se tivesse alguma doença nas cordas vocais, parecendo uma imitação do clássico personagem Kiko (chaves) lhe respondeu:
“-Me desculpe, mas eu não sou daqui, sou de outro planeta, gosto de cogumelos…e eu sou maluco branquelo, de cabelo amarelo, minha vida é a estrada e eu não ligo para nada, só quero cantar…flutuar no Universo ver o mundo de perto ver a Terra girar…

“Me desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu. Saiba que a lua ao lado é sempre igual e que Júpiter sempre muda, que eu sou um louco caótico e doente, sou Maluco Beleza, e que, a caixa-mágica manipula sua mente, os pergaminhos do Times são malignos. Agora eu preciso sair daqui, vou pra outro planeta, algum distante que possa sentar e relaxar.”

Timóteo não sabia como, mas aquela noite durou mais de dez anos e toda a sua liberdade, todo seu livre-arbitrio, todo seu intelecto e toda sua sanidade mental (não que ele pudesse dizer com certeza que possuia uma, obviamente)

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