segunda-feira, novembro 10, 2008

metafisica enquanto medo da realidade ontológica

por don guakito

Até onde pesquei o principia discordia tira aquele sarro do mundo ocidental neo-platônico. até onde percebo, erisianos, parece-me, a cada dia que passa se tornam mais e mais neo-platônicos. até a mais cômica e livre religião parece sofrer com seus usuários. estranho. mas o que tou seco pra escrever é sobre a constatação de que o ocidente anuviou os pré-socráticos, favorecendo, unicamente, a visão de uma realidade anterior absoluta e mental, vinda de sócrates em diante... mas ainda assim adoramos dizer que a filosofia nasceu com pitágoras. ao meu ver a filosofia que nasceu com pitágoras era uma onde o corpo humano era integrado ao ecossistema e era tão importante em uma medição quanto a máquina em si, no caso, o monocórdio. Amigo da sabedoria, pois incluia-se no experimento, pois ouvia-se o ultrasom no centro da cabeça.

já a filosofia que nos guia, seja na ciência ou religião, é aquela vinda da especulação grega. especulação pois isolou o processo em apenas mental, abstrato. Assim fomos do conceito de liberdade absoluta, logo, abstrata, nascida na especulação de sócrates, platão e aristóteles em direção ao idealismo transcendental de kant ao não entendimento do não-dualismo indiano por parte de hegel em sua tentativa de reintegrar o indivíduo na sociedade, apregoando um espírito ainda absoluto, abstrato e ideal, mas em procura por justificação da historicidade do pensamento, essa entidade abstrata que nega a realidade que vê, logo, a que não vê tb, pois vive em si e para si.

O pensamento é crise enquanto entidade que deve ser respeitada. não há pensamento. há indivíduos que pensam via consciência. E se há consciências individuais, há uma consciência coletiva, mas talvez, parece-me, esta consciência coletiva não é apenas a soma das consciências. a consciência coletiva é um conjunto maior que a soma das partes. Mas aceitar isso é negar o absoluto de outros pensadores, os idealistas e os lógicos tradicionais que nos diziam que o pensamento, enquanto instrumento, "eu penso que..." kantiano, via autoconsciência crítica :D :D :D, era algo verdadeiro! uma verdade absoluta, pois imaterial e ideal.

Dai dizer que todo o processo de pensamento, que por se propor sair ou buscar por uma verdade absoluta, especulativo ocidental, seja gnóstico, monista, kantiano, hegeliano, freudiano, junguiano, etc, consiste no esforço único e egóico de reintegrar na realidade, da qual separa-se, o ideal de espírito uno e eterno enquanto origem e destino do indivíduo e do homem coletivo, demonstrando a semelhança e paralelo teológico entre filosofia vinda da especulação socrática, ciência de base comutativa, religiões monistas e esoterismo neo-platônico, logo, gnóstico.

Há uma crise, mas não é uma crise da humanidade, nem uma crise da realidade, nem da ecologia, há uma crise no pensamento enquanto crise, no pensamento ocidental. A sociedade seguirá, mas o pensamento separado da realidade ontológica, este está a morrer. A teologia científica, religiosa, filosófica como a conhecemos está desmanchando no ar. O sonho irreal, pois absoluto e abstrato de convergir, centralizar tudo sobre um messias, um rei-filósofo, uma teoria de tudo, está a ruir, e a destruição será mais e mais violenta enquanto não aceitarmos o fato de que o erro especulativo grego foi o de separar a mente do corpo/natureza na busca do controle e perpetuação de um espírito eterno, abstrato, irreal.

O ocidente está doente até a medula óssea devido ao excesso de pensamento; corpos paralíticos perante a força do visgo de conceitos, palavras, pássaros presos em seus ovos, pois viciou-se em pensar absolutamente tudo aquilo que pode se tornar real, material, dai a fascinação quântica por infinitas probabilidades enquanto a realidade a ser alcançada: impor o pensamento sobre o próprio pensamento, prendendo-o, destruindo tudo o que não for absoluto enquanto potência controlável, convergente, isto é, na prática, destruindo a natureza, a realidade anterior, por tanto, ontológica, a cada ser, em nome de um ideal unificador de tudo em apenas um, seja comutativo ou monista, como ocorreu ao se impor a simetrização dos intervalos musicais.

Filósofos querem corpos sem órgãos. Religiosos querem espíritos sem corpos. Cientistas querem probabilidades em detrimento de possibilidades. Se há uma coisa que todo monista, gnóstico, filósofo, religioso merecia nesse nosso período de transição é terem as pernas e braços cortados, pois vivem na e pela mente apenas. Isto é negar a vida integral por temor ao tempo.

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