sexta-feira, agosto 31, 2007

Humor nonsense

por Carlos Eduardo Corrales

"(...)o texto de hoje tem como objetivo fazer uma introdução e dar algumas explicações sobre esse tipo de humor tão rico e genial que chamamos de humor nonsense. Falarei um pouco sobre os estilos diferentes, os principais representantes, cenas inesquecíveis, etc. Aí, quando você quiser mostrar para alguém como o humor nonsense é legal, pode simplesmente passar o link dessa página. E eu idem, pois estou cansado de explicar seu valor artístico para as pessoas que insistem em negá-lo.

Na verdade, já há alguns meses venho me interessando por “estudar” o humor, seus gêneros, o que faz as pessoas rirem e por aí vai. Aliás, se eu não fosse tão não-acadêmico, é muito provável que eu fizesse um mestrado ou algo mais formal baseado nisso. Por enquanto, o máximo que vou fazer é esse texto, mas quem sabe um dia?

Pois então, em todos os campos das artes, talvez o humor nonsense seja um dos mais incompreendidos. E aí está o principal erro daqueles que começam a assistir algo do gênero: tentar compreender o que intencionalmente não faz sentido (e que tem até o nome “nonsense” por causa disso) já é, por si só, uma atitude errada, não acha? De qualquer forma, para realmente compreender todas essas coisas absurdas que acontecem nos representantes do gênero, você precisa, antes de mais nada, esquecer a realidade e coisas que fazem sentido (se é que algo faz sentido na sua vida, porque a minha parece aqueles trechos tragicômicos e absurdos de O Guia do Mochileiro das Galáxias). Depois você precisa ir além das piadas, pois na maior parte dos casos, elas são apenas as formas encontradas para discutir temas muito sérios, que vão desde críticas sociais e idéias filosóficas a sentimentos e, por que não, mostrar que a vida e a sociedade realmente não fazem sentido para ninguém.

Muitos dizem que humor nonsense é coisa de intelectual (normalmente esses se referem ao estilo como “humor inglês”, termo que eu não gosto, já que muita coisa boa foi feita fora da Inglaterra). Outros acham simplesmente bobo. Sim, meu amigo. Esse gênero é bobo, mas não confunda “ser bobo” com “ser burro”, pois para ser bem sucedido no humor nonsense, é necessário ser muito inteligente e ter pensamentos críticos. E esse é justamente o motivo pelo qual um pedaço de mim morre cada vez que alguém chama o estilo de “besteirol” ou quando vejo traduções esdrúxulas, como Corra que a Polícia Vem Aí (Naked Gun), Uma Família da Pesada (Family Guy), Kung-fusão (Kung-fu Hustle), S.O.S. Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs), Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead) ou um dos piores e mais ofensivos, O Império do Besteirol Contra-ataca (Jay and Silent Bob Strike Back) e tudo mais “da pesada”, “do barulho”, “pra cachorro” e “muito louco” que você vê por aí.

Fala sério, tem muita gente que diz não gostar de humor nonsense sem nunca ter assistido, só por causa dessas traduções estúpidas. E com razão! Imagina o que os artistas que fizeram os filmes diriam se soubessem do desrespeito que as distribuidoras tupiniquins têm com o trabalho deles? E note que, no original, nenhum deles é tão infame ou imbecil, isso é coisa de brasileiro mesmo.

Em breve falarei mais sobre os diferentes estilos de humor nonsense, mas antes vamos falar do público, que se divide basicamente em alguns poucos grupos. Os nerds são provavelmente os mais ecléticos dentro do nonsense e, ao mesmo tempo, os fãs mais hardcore. É praticamente impossível conversar por mais de 10 minutos com um nerd sem que alguma referência, piadinha ou situação nonsense surja na conversa, o que contribui muito para que as demais pessoas nos achem indivíduos estranhos. Os intelectuais já são um pouco mais radicais. Monty Python é basicamente uma unanimidade entre eles mas, por algum motivo que ninguém até hoje conseguiu explicar, eles dificilmente acham graça em qualquer coisa humorística que não venha da Inglaterra, mesmo que seja até mais “pitonesco” do que o próprio sexteto inglês. Finalmente, temos as crianças que têm sua introdução no gênero através de desenhos animados infantis (sobretudo os da Warner, especialmente dos Looney Tunes) e que, alguns anos depois, serão os grandes fãs de suas contrapartes filmadas (e bem mais pesadas). Claro que existem aqueles “fãs de final de semana”, que até se divertem com alguns filmes e desenhos, mas não sabem nada sobre isso, não entendem as referências (e muito menos as críticas) e nem sabem que se trata de um tipo muito específico de humor.

Acho que isso é o suficiente para a introdução. Agora vamos falar um pouco sobre cada um dos estilos dentro do humor nonsense, dar exemplos de representantes de cada um e comentar algumas cenas e piadas clássicas (então fique avisado que o restante desse texto terá alguns spoilers)."

continua aqui

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