sábado, agosto 25, 2007

Animais, humanos.

Minha primeira postagem neste blog. Não sei o que postar, então escreverei sobre algo que venho pensando há alguns dias. Não que eu seja a favor ou contra, mas é um tema interessante.

Aula de técnica operatória, a princípio os alunos demonstram sentir pena, no entanto disputam para ver quem serão os primeiros a cortar o pequeno ser. Animais criados em laboratório especificamente para serem cortados, terem suas vísceras retiradas e depois morrerem - nas primeiras vezes morrem durante o procedimento, com hemorragias por causa da inexperiência dos estudantes.

Somos humanos, somos deuses. Podemos criar animais como queremos, controlamos o destino da vida deles. Não apenas em uma aula de "técnica operatória e cirurgia experimental", mas alguns animais são criados especificamente para morrer e parar em nossos pratos: bois, porcos, aves...

Já ouvi comentários como: "Se o ser humano não criasse esses animais desse modo, eles não existiriam em tão grande número". Mas será que eles iriam querer, se tivessem a opção, ter uma vida fadada a crescer em um local muitas vezes fechado, comer, comer, comer e depois ter uma morte dolorosa? Claro que pode ter o instinto de sobrevivência da espécie, mas não deixa de ser um tema interessante. Como o homem manipula a vida.

"Deuses esmagando insetos" me dizem há pouco. Deuses? O homem está mais pra "demo". Não sou ninguém para julgar os outros e sou a pessoa menos indicada para falar em ética. Mas o que nos dá o direito de fazer isso? A capacidade de pensar? Por sermos uma espécie "superior"? Nosso ego? Ou pelo prazer que sentimos? Prazer? Sim, há prazer nisso, mesmo que inconsciente. Terça passada eu carreguei um coelho morto no colo e o levei para fazer companhia aos outros corpos de coelhos... nada agradável, mas na hora eu me prontifiquei para fazer tal trabalho - sinto que eu talvez tenha gostado da experiência.

Claro que se as aulas de técnica operatória não fossem em animais, não teria como os futuros médicos treinarem de um modo "eficaz". Se não criássemos animais para comê-los, muitas pessoas poderiam não sobreviver. É uma questão de instinto de sobrevivência, só que um instinto moderno. Um instinto levado por nossas comodidades e tecnologia. 2.000 anos atrás as coisas eram diferentes, um instinto diferente - ou igual. Talvez ele tenha evoluído - ou estagnado.

Disseram-me que para saber se algo é ético, tem que parar e pensar se você gostaria que fizessem contigo aquilo que você irá fazer com o outro. Mas que ponto de vista adotar? O da caça ou o do caçador? De certo modo, se for parar para pensar, são pontos de vista incompatíveis. Conciliar ambos parece meio difícil. Então deve ser adotado o mais cômodo. Dependendo da situação, se formos a caça podemos tentar manipular o caçador. Ou se formos o caçador acabaremos com a caça sem ter pena. O mundo não é dos fortes, é dos mais espertos.

Outro fator interessante é que as pessoas em sua maioria imaginam que estão sós no mundo. Tentando explicar melhor, é difícil tomarem consciência que a pessoa que está ao seu lado possui uma vida diferente, problemas mais complicados que os seus, entre outros. No máximo se preocupam com seus amigos e familiares. Uma coisa que eu gosto muito quando pego ônibus ou ando em grandes multidões, é olhar para cada pessoa e tentar entender o que ela está fazendo ali, o que a levou até aquele lugar, o que está esperando ela em casa, quais são seus principais problemas... é uma brincadeira divertida.
Não estou aqui incentivando o leitor a ficar pensando nos outros, apenas digo para perceber quantos pontos de vista existem. Isso faz parte do jogo da vida, caça e caçador. Conhecendo melhor o ambiente é possível chegar ao topo da cadeia alimentar.


Um pseudo-controle sobre a vida, espécies, pessoas e planeta. Não é uma sensação boa? Ter a impressão que tudo está sob controle, o mundo está girando na palma de nossas mãos... nada irá acontecer se não quisermos. É muito bom pensar assim, muito mais confortável. Eu poderia "viajar" mais nesse assunto, mas o sono está ganhando essa batalha. Fica para quem está lendo completar minhas palavras incertas, frases mal formadas e parágrafos desconexos.


Não sou vegetariana, corto animais em aulas e sou egoísta. Faça o que eu falo, não faça o que eu faço. Mas como eu não falei nada, faça o que você quiser.


LK
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2 comentários:

Chantinon disse...

Adoro textos viscerais!
Gostei muito desse seu!
Vamos complicar a coisa…
E o que podemos falar dos índios que matam os recém-nascidos que chegam ao mundo com alguma deficiência? Eles estão certos já que aquela criança teria poucas chances naquele ambiente ou simplesmente isso é uma atrocidade?
Eu como carne, acho que preciso disso... Mas e uma fazenda de jacarés ou chinchilas, eles precisam existir?
Não somos nem mais nem menos cruéis que chacais, somos só arrogantes.

mister delfinus pinctus curtus disse...

E o que podemos falar dos índios que matam os recém-nascidos que chegam ao mundo com alguma deficiência?
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poderíamos, talvez, falar que os índios que matam os recém-nascidos que chegam ao mundo com alguma deficiência matam os recém-nascidos que chegam ao mundo com alguma deficiência! :D :D :D

Eu estou crudista e uma vez matei um rato com minha espada, pois era ele ou minha mãe que ele assustou! foi a primeira e última vez q senti e desejo sentir um ser sendo cortado por uma lâmina que se estendia de meu braço. Tem q ser muito macho pra portar uma espada e com raiva abrir um ser, enquanto vivo, claro. Depois de morto é escultura de carne! :D :D :D