segunda-feira, novembro 12, 2007

Porque o Fernando está errado (e eu também)

Eu poderia postar aqui uma resposta ao post do venerável Fernando Rivelino, psicólogo, pai e saudoso atacante do Corinthians e da Seleção. Postando uma resposta contra-argumentando, eu poderia fortalecer minha posição, reforçar meus argumentos, e como um grande macacão territorialista, defender meu precioso espaço-cabeça. Mas vou fazer diferente.

Para mim, o Fernando está correto.

Vocês não leram errado. Ele está certo sim, mas digo isso, sabendo que, em certo sentido, ele sabe que eu estou correto. Os discordianos atentos aqui completariam: e de outro ponto de vista, os dois estão falando besteira.

Recentemente tenho notado uma certa tendência dogmática entre alguns membros mais novos da nossa Sociedade Discordiana (a qual você está filiado quando menos espera, e não paga taxas de adesão, ao contrário deles) algo como: “O Discordianismo é assim e assado!” ou “Todos os cristãos são estúpidos!” ou “Todas as batatas fazem parte de uma conspiração para o controle do mercado de hortifrutigranjeiros!” e defendem isso até o fim (que na internet, não é muita coisa)

Idéias são ferramentas. Ou pelo menos, no meu atual estado de consciência, ver idéias como ferramentas me parece o modelo mais adequado para a sua compreensão. (Agora RAW está satisfeito) Acreditar em Deus pode ser uma forma de ver a realidade, mas também tem uma utilidade intrínseca, senão não seria uma idéia muito popular. Não acreditar em Deus também pode ser uma forma de ver a realidade e também tem utilidade. Transformar o dinheiro em divindade é uma ferramenta. Não colocar foco nenhum no dinheiro também é. Sigilizar uma feijoada, orar para Ganesh, e jogar búzios são utilizações de ferramentas assim como projetar um prédio e pintar um quadro. Idéias podem ser manipuladas. (Publicitários, Marketeiros de Guerrilha, Alguns Tipos de Loucos e os futuros Engenheiros Meméticos diriam (ou dirão) que elas devem ser manipuladas)

Comentei há pouco tempo atrás no blog do Franco-Atirador que às vezes, as pessoas controlam as idéias, mas às vezes, as idéias controlam as pessoas. Isto é muito mau.

Como o Grant Morrison fala no Pop Magic, observe a si mesmo, constantemente. Faça uma constante autocrítica, e muitas coisas vão se explicar sozinhas. Muitas vezes, ao decorrer desse exercício, você vai se pegar defendendo posições irracionais apenas por afinidade a uma idéia. (ou a pessoa (ou grupo) que lhe passou aquela idéia)

Então senhores, é tudo muito simples:

“Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, absurdas em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e absurdas em algum sentido, falsas e absurdas em algum sentido e verdadeiras, falsas e absurdas em algum sentido.”

Espero que agora tenha feito sentido.

4 comentários:

shenren wang disse...

playing safe...
http://www.globalonenessproject.org/video/Peter-Kingsley/3
tio peter kyngsley explica... ingles safadinho...

Anônimo disse...

Real! Discordianismo não é nenhum surrealismo trotskista pra ficar polemizando por migalhas. Polemizamos muito mais pra descobrir todas as possibilidade e aplicações de uma afirmação. Pelo menos pra mim, é isso que invoca a famosa frase "Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido e blablabla...". É testar as 'ideologias' ao extremo, pra que elas mostrem seus pontos desnecessários, descartáveis e principalmente dogmáticos, fazendo com que voltem a se tornar IDÉIAS. Esse processo é divertido pra euzinho.

Idéias sempre são boas pra multiplicar a criatividade. Ideologias as podam.

5 disse...

quem faz sentido é soldado!

FernandoR. disse...

vermes escolásticos!