quarta-feira, novembro 14, 2007

Os peixes mais bem vestidos ao oeste do Himalaia

Enquanto nas minhas viagens aprendi uma importante lição com o povo de uma pequena vila ao oeste do Himalaia. Creio que este seja o momento certo de compartilhar tal conhecimento com meus irmãos.

Eu cheguei no tal vilarejo e todos lá vestiam roupas lindíssimas. Todas artesanais e enfeitadas com pedras brilhantes, penas e fitas das mais variadas cores. Por sorte eles falavam um dialeto de espanhol que dava pra entender e eu pude perguntar qual era o motivo das roupas, se seria uma celebração ou algo assim...
Eles me contaram que uma semana por ano eles confeccionam roupas do jeito que eles quiserem, qualquer coisa que gostem e as usam sem problemas. É uma semana que eles tiram para poder ser como quiserem sem ninguém tirar sarro de ninguém.
Bom, a idéia era interessante. Eles não tinham um "Seja Você Mesmo" eterno, mas tiravam uma semana por ano para fazer isso. O que já é melhor que muitos outros povos por aí.
Ao final da semana eles jogariam a tal roupa no rio e nunca mais as usariam. Elas não deveriam sequer serem comentadas depois disso. Seriam esquecidas.

É claro que eu também fui convidado e aceitei prontamente a passar o resto da semana ali e fazer uma roupa para mim também. E um tempo depois eu notei que rolava uma certa confusão na vila. E quando fui ver do que se tratava descobri um habitante que estava usando roupas completamente normais. Iguais as que ele usava o resto do ano, sem nem uma coisinha diferente. De fato, era uma roupa velha e gasta que ele sempre usava mesmo, sequer era nova. E por isso todos os outros discutiam com ele, dizendo que ele se recusava a participar da tradição. O coitado tentava se explicar, mas ninguém dava chance.
Mais tarde eu o procurei para perguntar sobre isso. Ele me disse que estava indo de acordo com a tradição sim, e estava usando a roupa de que mais gostava. Se ele pudesse usar qualquer roupa, dizia que queria usar aquela.
Eu tentei explicar isso pros outros habitantes, mas eles rapidamente retrucaram que aquela roupa não era algo diferente. Porém, segundo a tradição eles deveriam se vestir com qualquer coisa que quisessem... Eles não concordaram comigo no fim, mas pararam de implicar com o outro.

Então... Qualquer coisa é qualquer coisa. Caos é tudo. Ordem é Caos. Desordem é Caos. O diferente é Caos. O normal é Caos. O que você quiser é o que você quiser.
Não se esqueçam, irmãos... Todos estamos certos, errados e irrelevantes ao mesmo tempo.

2 comentários:

Anônimo disse...

http://br.youtube.com/watch?v=ain5WI0Lx8M

Anônimo disse...

Interessante metáfora. Hoje por exemplo, o bombardeio publicitário não passa desse festival, só que todas as semanas do ano é uma roupa diferente. Então o diferente se torna tradição... algo conservador e sem vontade pessoal, sem subjetividade.

No final das contas, quando se nega tal publicidade pra realmente seguir a subjetividade que deseja algo simples, somos condenados.