quarta-feira, outubro 15, 2008

Pernalonga e meditação: tudo a ver!

por A Furiosa



Em teoria da comunicação, "ruído" é toda expressão que se pode jogar fora, pois ela só atrapalha a captura do significado que se pretende enunciar. É joio, não trigo. É enfeite, sobra, filigrana besta, desvio não essencial. Pois é: o que se fala por aí é só ruído, o sentido se perdeu. Não se pode dizer que isso foi produzido, de fio a pavio, como manipulação ideológica todo o tempo, mas pode-se afirmar que ela deu uma imensa e decisiva contribuição para que se tenha chegado novamente às cavernas, pela via da "inversão evolutiva", estágio em que a manifestação gutural é tudo o que se pode pretender como sofisticação lingüística. Para os evolucionistas, é uma volta à macaquice, digamos assim...

Em vista disso, complementando o post "marxista" sobre o livro de Bob Black, lembramos que Cristo, ao criticar Marta (vide o evangelho de São Lucas), ótima dona de casa e excelente pessoa, traz à baila não a condenação do trabalho em si, mas a escravização neurótica em que ele pode mergulhar os melhores e mais bem intencionados seres. Em contrapartida, o elogio à Maria, nesse mesmo episódio bíblico, é a proposta de um oásis verbal em meio à atarefada rotina do cotidiano, o que vem a ser uma drástica ruptura com o tal do "ruído", sem a qual a palavra essencial não pode emergir, trazida à vida em um diálogo tecido de silêncio autêntico e audição genuína, o pano de fundo perfeito para a comunicação entre o humano e o divino, em termos cristãos.

Quanto ao zen, lembramos que um dos conceitos mais importantes desse discurso fala de um vazio fértil - estado meditativo a que não se pode chegar sem uma dose cavalar de ócio -, a partir do qual ocorre o surgimento do verbo em seu melhor estilo, o da verdade, o que é impossível de se obter em meio à barulhenta verborragia que costuma acorrentar a maioria dos seres humanos.



Dessa forma, tanto o Budismo como o Cristianismo falam da necessidade de se limpar a mente, habitualmente estagnada num pântano de vícios verbais, o que só se obtém pela ruptura com a algaravia em que o homem-massa é aprisionado desde que vem ao mundo.

Ou seja: a premissa para se alcançar um estado mais perfeito de consciência passa pelo combate a todos os tipos de apego, inclusive o apego ao trabalho, o que vem ao encontro das análises de Bob Black, em seu Groucho-marxismo.

That' s all, folks!