quinta-feira, outubro 23, 2008

Cagar Sempre Foi Uma De Minhas Maiores Predileções (Distraídos Venceremos)

por Ari Timóteo Almeida Pinto

Durante meu período de suspensão criogênica a comunidade do Manual Prático de Delinquência Juvenil no Orkut foi abonada às traças. Nesse período uma traça chamada Federalista leu o livro e soltou este singelo comentário:

"li o manual
e descobri que há só rebeldia sem causa..
lamentavel "

O Felipoe respondeu o comentário de uma forma meio agressiva. Em nome da pluralidade de pontos de vista não sou muito adepto dessa tática. Vou explicar aqui o que hoje penso a respeito.

A respeito da acusação de rebeldia sem causa, não colocaria a coisa bem nesses termos. Bom, talvez sim, mas só para o caso de que ali o que ocorre é a mais absoluta e insolente indiferença política. A subversão, no caso, consiste em fazer desta indiferença uma ferramenta de inversão de perspectiva. Ao invés de fazer de si mesmo um instrumento para a Revolução, fazer a Revolução ser instrumento para si mesmo. O inimigo está em nós e a nossa vida é o campo de batalha.

Se a situação não for analisada sob esse prisma, resta o desejo de mudar o mundo

Só que pouca coisa pode ser feita para mudar o mundo, mas talvez exista um consolo para esse fato, o mundo provavelmente não quer saber desse negócio de mudança. Isso talvez explique o porque das órbitas planetárias serem tão estáveis. Talvez e mais uma vez talvez, essa coisa de mudar o mundo não seja nada além de pura e simplesmente vaidade. Aliás, uma vaidade pueril, diga-se, pois pressupõe uma superioridade sobre todo o resto das pessoas que simplesmente não liga, que simplesmente querem viver suas vidas e serem felizes na medida do possível. Como se isso fosse pouco. Como se isso não fosse a única coisa que valesse a pena tentar.

Acredite, para quem quer mudar o mundo, a busca pela felicidade individual é individualismo, alienação e mais uma série de adjetivos que seria por demais enfadonha listar aqui. Há algo de muito errado nisso.

As verdadeiras revoluções não foram feitas por quem partiu dessa premissa. As grandes revoluções foram feitas na cagada.

Vou citar um exemplo, o incensado Sgt. Peppers dos Beatles não foi o grande disco revolucionário de 1967, quem fez o grande disco daquele ano provavelmente o fez sem essa intenção, era o Velvet Underground. Outro exemplo foi a Revolução Francesa, que a única coisa que deixou de relevante foi aquele hino nacional trimassa.

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