domingo, outubro 19, 2008

Como a polícia pode ser ontologicamente pior para o crime

Vamos supor um labirinto.

Neste labirinto você é um elemento A, vagando por entre seus complexos corredores.

No mesmo labirinto encontram-se várias pessoas do tipo B, e, vamos supor, a metade dessa quantidade de Bs do tipo C.

Bs e Cs tem algo que A não tem, e A quer pegar. Entretanto, se A tentar pegar com um C, ele acaba preso. Se A tentar pegar com B, e C ver, ele será preso também. Logo, qual é a estratégia para pegar o que B tem? Ora, observar os Cs e aproveitar os momentos em que B ficar por tempo sufciente sozinho para que possa pegar o que B tem.

O que acontece é que esse é um sistema previsível: você sabe o que deve evitar e é fácil reconhecer o que evitar; o alvo também se torna claramente distinguível.

Agora, se não fosse possível distinguir Bs de Cs - se fossem todos Ds, nenhum deles parecendo ter as características de um C - mas ainda assim, você sabe que alguns têm características de C. Seria mais fácil ou mais difícil pegar o que B (ou, nesse caso, D) tem?

6 comentários:

cachaça disse...

tipo pondo a policia civil e a guarda muncipal para fazer o policiamento ostencivo no lugar da militar?

sabia que nós somos um dos poucos países do mundo que deixa essa "tarefa" para a PM? e que nesses poucos paises que fazem isso tem alguma merda, tipo regime totalitario , ditador, genocidio e coisas assim?

Peterson Espaçoporto disse...

Isso é mais ou menos um brainstorm pra seguinte idéia:

Muitas pessoas dizem que se não houvesse lei, o mundo seria um caos, os bandidos fariam tudo que quisessem, etc.

Mas a questão é que os "bandidos" fazem "tudo" hoje porque eles sabem quem são as potenciais vítimas e quem eles têm que evitar / subornar / combater para alcançar seus objetivos.

Em uma sociedade sem esse tipo de lei, os "bandidos" não seriam punidos por fazer coisa alguma, só que como não existe divisão entre cidadãos comuns / policiais, não existe essa dicotomia, também é permitido qualquer tipo de retaliação. Então, se você quisesse, hum, bater em alguém, como fazer isso se você não sabe o que esperar de cada pessoa? Ou se não daquela pessoa, das outras que estão ao redor e podem não gostar muito da idéia? Talvez se os poderes fossem distribuídos igualmente, menos coisas ruins do tipo aconteceriam porque esse simples equilíbrio por si só evita esse tipo de coisa. Isso me lembra a palavra "sustentável", sei lá.

O que acha(m)?

Cara de 30 disse...

Hmmmm... Poder de polícia ao cidadão comum? Mas aí os bandidos também teriam este poder de polícia e abusariam do poder da mesma forma que a PM de hoje o faz, em alguns casos. Ou não?

Peterson Espaçoporto disse...

Essa é a questão, os bandidos não poderiam abusar dos "poderes de polícia" porque qualquer um teria os mesmos poderes. Não há nenhum nível superior de poder para "simular" - afinal, se eu tenho o mesmo poder que você não faz sentido eu tentar te, hum, prender, sei lá. Aí você diz: mas e se você tiver uma arma, uma faca, coisa assim? That's the point: quem garante que você também não tem?

Tem uma outra parte disso aí, mas to pensando ainda...

cachaça disse...

essa nao-dicotomizaçao seria temporaria. alem do mais, é melhor para quem-toma-as-decisoes do jeito que esta, entao VAI ficar assim!
hoje mesmo eu estava olhando do onibus em que estava que num dia q-u-e-n-t-e, a maioria das pessoas estava de calça.
e eu pensei:
porra, isso é o brasil, pais tropical vai se fuder, bermudas e saias ja!
mas depois me venho:
obrigar pessoas a usar calças, iduz elas a usarem carros e a ficarem em casa, a se exalrir mais...
ou seja, para quem toma as decisoes, é melhor assim. entao assim vai ficar!

Peterson Espaçoporto disse...

Ha, disso não tenho dúvida. Isso é coisa pro futuro.
Criemos, pois, o futuro.