quinta-feira, abril 13, 2017

A circunferência que havia chego na ilha na noite anterior, onde foi recepcionada pelos moradores da vila que já previam a chegada da mesma, acordou. Ao notar que sua primeira notação do dia não ocorrera, se transformou numa circunferência curiosa, e buscando por uma resposta, olhava para dentro de si. A vila dos lápis, naquela manhã, descansava. Durante a festa de comemoração da invenção da grande serra, via-se, espalhados pela superfície das arvores, os lápis recém nascidos. Desde a fundação da vila, aquilo nunca havia ocorrido, e nunca antes os lápis se preocuparam com os insetos a lhos perseguir, a fim de se alimentar dos brotos que passaram a se projetar para fora do lápis, formando galhos. Nos fins de tarde, espalhados pela praça, e na casa de familiares, os lápis trocavam uns com os outros informações acerca dos novos lápis-broto, tentando entender as implicações e as causas, escrevendo na história da vila um novo ambiente onírico, onde coisas como "A Maldição da Serra Dentada" e "A Deixa do Vendedor de Repelentes" buscavam o caminho para sair do imaginário e criar raizes no panorama da vila. Na época eu era apenas um um fio de silício que havia ficado preso na pata de um libélula, que na tentativa de se livrar do incomodo causado pela minha estadia ali acabou por perder 4/5 das asas, e não fosse a atração eletromagnética, eu mesmo teria saído, pois a ultima vez que fiquei preso em um inseto, fui abocanhado por um pássaro, de onde só pude sair depois de ele ter morrido, apodrecido e se tornado poeira. O sol não era comum naquela época do ano, e este dado não correspondia a verdade do orvalho, que se integrava na cachoeira para os céus enquanto se acumulava no rio fora da curva.
O líder da vila era um crayon verde musgo, e este, apesar de não ser feito de madeira, também era palco de transformação, sob uma cortina de fungos.
-Estou sem o meu centro!- disse a circunferência, apontando a causa de sua notação não ocorrida. Um lápis, reconhecendo o certo ar da circunferência, notou que algo à surpreendia, e tentando descobrir, surpreendeu-se com o que acontecia no outro lado da rua, pois bem, naquele instante, um gato corria pelos arredores da vila, atrás da sombra de um corvo. Um lápis-broto, logo a frente da sombra. Instalou-se na vila, uma apreensão, fazendo vibrar as mãos da natureza do medo sobre o papel da história da vila. Dentre a nação dos lápis, já se sabia de longa data, mais longa que o próprio idioma, que os corvos eram animais perigosos se não fossem devidamente treinados. Eram demasiado inteligentes e naturalmente avessos a qualquer coisa diferente, ou outras formas de vidas: mas não atacavam enquanto lhos interessasse. Haviam rumores de vilas inteiras que foram dizimadas pela ação de um único corvo, que usava de truques sofisticados para pegar lápis por lápis. Outros, usavam verdadeiras armadilhas, usando iscas de uma forma elaborada, para pegar muitos de apenas uma vez. Alguns eram tolos, e eram abatidos antes que conseguissem pensar num plano. Outros, aprendiam a contribuir, e alguns eram inteligentes, e ao mesmo tempo, abobados, pois davam em troca dos nossos bens, muito mais do que precisávamos, e indiscutivelmente não merecíamos. Mas respeitamos o senso de valor do corvo. Até mesmo por que nos convém, mas será que é honesto ele não saber?
Bem, eu assumo que ele saiba. Até mesmo porque nós não fazíamos a menor ideia do nosso significado para ele. Alguns tempos depois, essa dúvida, acabou gerando uma vontade de recompensa tão grande, que todos começaram a pensar que o Corvo era um Deus. Ai, tivemos o primeiro grande colapso, gerando frequências de degeneração social, pois nossas vidas tranquilas, e antes, relativamente segura dos corvos, começaram a confundir, o perigo que o animal representava, com o senso de obrigação moral que lhos ligava aos animais: era uma ação primariamente defensiva, e então, uma relação de simbiose entre as raças, o que poderia lhas tornar amigas, talvez. Mas essas perguntas silenciosas, como que sombras sobre um mundo algoz, ocupava o tempo e a o senso de decisão dos lápis, e assim, começava a recuar para além do agora, a riqueza e a beleza da interação entre os lápis e os corvos, trazendo o agora, para uma vestimenta de fatos aos quais os lápis começaram a enxergarem no corvo uma bomba relógio, e, CARALHO! - naquele momento, o corvo pousou logo afrente de lápis broto! E o gato, pulou por cima d'ambos.
Algumas pontas se quebraram, e, como que um trovão sobre uma novena, foi a docilidade da cena sobre o ímpeto de horror dos lápis expectadores - que desesperados, já haviam pulado de seus respectivos lugares, como se fossem afugentar o que tanto temiam. O pequeno lápis, demonstrava, com inspiradora assertividade nos modos, como podia ser bom um corvo e um gato, se você soubesse educa-los. O garoto tirava um inseto de suas costas, o qual ele havia impedido de sugar-lhe o néctar, e o segurava com uma das mãos, e na outra, ficava com um pedaço de noz (era o objeto que ele queria em troca), fazendo um jogo de manipulação espacial, ele aprendeu a manipular a atenção do animal, de uma tal forma, que ele conseguiu relacionar a proximidade do inseto e da noz, dando o inseto logo depois de comer a noz, depois, usava o inseto de longe para o corvo perceber a noz, e então, depois de comer a noz, entregava o inseto, logo em seguida, tentou ensinar para o corvo que ele podia usar a noz para conseguir o inseto. Foi aumentando cada vez mais, e então para compensar, aumentou o número de insetos, e número de noz. Aos poucos foi dando tempo para o corvo, sem gerar estresse. E ali estavam, neste meio tempo o lápis o ensinou o corvo a receber uma espécie de carinho como sinal de aprovação - ele não tinha certeza o que isto significava para o corvo, mas certamente um pouco de proximidade seria seguro! E o corvo também o ensinou muita coisa "através da qual nós nos compensamos" pensava o jovem lápis. "E tudo de maneira saudável. Esse gato é um amigo, ele gosta de mim porque eu posso deixar marcas em lugares. Ele me dá uns negócio massa que ele encontra em troca de umas marcações aqui e ali".
O âmbito dos ares diferentes da circunferência não foi notado, e a mesma nem se quer notou o que havia ocorrido ali fora, um evento histórico que significava uma nova era para espécie, ela estava compenetrada na sua bolha de descentralização.

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"E esta foi a minha história."
Disse o camundongo por dentre o guardanapo, que assim como seus companheiros de almoço, usava para limpar-se. "Esta cenoura estava uma maravilha!" "Sim!" concordaram e saíram, cada um para um lado, subiram por uma parede, percorreram o forro e sumiram por lugares que apenas eles conhecem.

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