quinta-feira, abril 13, 2017

O pingo e a poça.





-Ali.
Olhou. Confusão. -Nessa pocinha de barro?
Sorriu. -Isso!



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Pouco antes
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A chuva cessa. As arvores e coisas secam pouco-a-pouco com a gravidade, fricção de ar e vibrações. Vibrações. Vez ou outra uma seca abruptamente e outras não tem tempo de ficarem secas, pois pinga mais nelas do que pingam delas para o além. -Só agora que você chega?- apontando para o tapete encharcado. -Pois é... mas...- aviva-se com algo. -Ahm? que foi?- Perto de uma das extremidades do tapete havia uma protuberância paralelepipédica. Coisa recém-notada pelo recém-chegado, que tão logo foi notada, fez com que o velhinho que estava limpando seu cachimbo deixasse seu ofício de lado e caminhasse até a cena. -Que foi ai? Ah, não me digam que acharam o meu tabaco mais gostoso?- olham-se, num olhar de quebra-cabeças, onde pedaços de sem-jeito e pedaços de compaixão natural se entrelaçam em pedaços de agonia com pedaços de curiosidade. E rapidamente piscam: -Oh, não...- como um vento que espalha. O velhinho sorri um riso triste, se vira num sinal de quase-fazer-o-que e volta para seu cachimbo, parando antes num baú, de onde tira um pacote de tabaco qualquer. 2 á 3 e então 3 á 2 novamente. Olhava o velhinho enquanto voltava para onde estavam -...mas então, vamos ver o que é isso?- perguntou para o recém-chegado, que não estava ali. Apenas o tapete, só que agora, além de encharcado, dobrado pelo descuido e pela pressa. Ela se vira, e ele corria, de costas para ela, segurando alguma coisa ao peito. Quando por fim, chegou naquela poça...








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