quinta-feira, abril 07, 2016

Sobre Aranhas Mariposas e Espaços fechados que se dividem em Ruelas

O sopro da rua dava espaço ao escuro da ruela, pois acabara de o pegar de volta dela, fazendo também um cartão postal de liberdade, sem dispensar cores, movimentos e risos espalhados num ambiente que parece ser um grande aglomerado gelatinoso, num oceano do tempo onde a liberdade é ser pó de gelatina, e as pessoas são confetes e outras geometrias doces e coloridas, flutuando sob molas invisíveis. E extasiado neste sentido particular de agora, mal pode notar, pois bem, o escuro também se esgueira. E as aranhas da ruela possuem pernas, que se correm por teias, que se projetam nos espaços... num lençol de movimentos que o põe estupefato no chão, já com o caderno se abrindo e as teias segurando a caneta. Assim a voz iniciou suas magias.

Mundo
a fora, neste exato momento vários detalhes, e eles estão acontecendo -ou só são detalhes ao ruir num lapso de acontecência?- (dá-te um pouco de liberdade, repousa no nada e para formar um buquê de passos, procura aos arredores a resposta para: que pode ser um detalhe?) sobre toda a sorte de coisas que você pode imaginar, em mentes de diversos tamanhos e formas, sobre diferentes passados e futuros, embrulhados e enfurnados por diferentes aspectos deste único agora. Em algum dos livros, que neste momento do texto acaricia o espaço com uma astucia compartilhada e construída junto a uma prateleira (que por sua vez acaba surgindo intuitivamente em algum paragrafo abaixo) de biblioteca, um personagem preparava-se para virar a chave do carro e pisar fundo, espalhando pelo mundo o fôlego com o qual pretendia salvar seus amados do perigo eminente. Em algum momento deste abrir porta, sentar-se, apertar botões e puxar coisas, ouviu-se do rádio uma frase "...encontrou já com os últimos amontoados de fumaça, então botou a mão na cabeça e disse -Maria, queimou o pão!- ela reclamou, e então começaram a rir, e a Maria já pegou a farinha, enquanto ele tirou o pão do forno e ia começar a limpar o..." e estas cenas só não foram vistas por eles, por que no momento exato em que Jo encostou no livro, uma mulher havia caído fazendo sorver pelo chão da biblioteca todas as suas coisas, e para seu chão interno, alguma coisa que a tornava vermelha, enquanto uns já se aprontavam preocupada e cuidadosamente para lha acudir, outros riam, uns achavam o riso impróprio mas eram apáticos ao que havia acontecido, outros jogavam uma raiva violenta na imagem dela, condenada a perturbar a paz de alguém que realmente precisa aprender isso antes que a noite chegue. Jo pegou outro livro, e já dispersa daquele fluxo ainda denso de atenção no local, sentaram-se juntos ao redor da mesa, e não se sabe encontrar o ponto em que as coisas começaram a se volatizar, enfim... tem-se ainda a sensação da coisa acontecendo, mas desconheço qualquer coisa sobre isto, isto é algo completamente novo sobre o que pode ser a vida para o meu comprador de livros interior... e num determinado quadro da lã-de-açúcar do tempo, apareciam assim...

-Enfim, de qualquer forma já estamos no corredor, e lá na frente pode-se ver a porta que nos leva para a sala dos cristais, mesmo que comecemos a conjuração agora não haverá tempo o bastante para a caixa materializar...- os semblantes iam de afogueado e vivaz para murcho e complacente.

Havia sido uma grande aventura, e neste instante, ninguém se lembrou do inicio de tudo, onde aos poucos a imagem da biblioteca ia se esvaindo aos seus arredores, até que por fim, viam-se realizados numa imagem que os mostrava na sala dos cristais, onde bem... eles estariam na sala dos cristais! Por outro lado, se lembraram do que veio após o inicio, onde conversavam euforicamente sobre os locais que o mapa mostrava, e os olhos a seguir os dedos a seguir as linhas, eventualmente erguiam-se, já com a voz a enunciar um detalhe dos tantos que brilhavam na imaginação deles, gerando fome para mente e mostrando os arredores, de onde ia chegar mais livros até a mesa, e neste transportar, com pernas de palavras a evocar luz em mistérios territoriais, iam descobrindo os possíveis percalços e maravilhas que se espalhavam por aquele espaço. O livro, quando aberto naquele lugar por pessoas que moram ali, geralmente, acaba por acionar um gatilho espiritual, que faz sorver consciência a dentro, ligações do real que assim que começou a chover, num levantar perturbado e então desajeitado por alguma espécie de medo, pode notar, com certo pesar um recorte dos fatos: rasgou-se a página, que caiu numa poça que já estava ali antes que a chuva. Era um dia em que o mundo parecia-lhe (ele, que apesar de não notar, também era um aranha-mariposa, para quem o mundo assim lhe aparecia), um espaço escuro com infinitos pisca-pisca, o mundo em que ele encontra abrigo num bar, onde encontra um amigo que há tempos não encontrava. Lembrou-se com certa ternura de uma frase, tão próxima quanto é quando é uma voz de uma pessoa real, mesmo quando a voz da pessoa real é tão próxima quanto é esta "a vida está ai fora" e na outra página "que é? vai querer discutir comigo agora?" sobre um livro. Um livro que lembra o leitor de que a vida está ai fora. E logo escorregou-se por cafés, texturas e sons e outras coisas misteriosas. E esta por ai...  

Um comentário:

Zaphod B. O presidente da galáxia disse...

cest-ci ne est pas une commentaire