terça-feira, outubro 27, 2015

Quirk Town



Quirk Town
As casas de Quirk Town viviam explodindo com festas de gente esquisita, todos os dias eram dias de festa. Eu estava andando pela rua.
AS ANDANÇAS PELAS RUAS DE QUIRK TOWN
A cidade mais esquisita, a única da região, já que ao redor não haviam mais casas, povoados, nem nada organizado, civilizado. Conta uma história pra mim? Conto. Havia uma grande placa feita de NADA, derivada de NADA Plus, a derivação inversa em que um material mais bruto vem depois do material refinado, trollando a mente, dando a entender que a brutalidade dessa cidade é bem refinada. Mas não tem nada a ver não, morrer, viver, festejar, nada muito excessivamente violento, pois tem hora que isso cansa, ou que pelo menos deveria ser externalizado e não expresso em histórias ou HQs (rs...)
Quirk Town, povoada com seus habitantes excêntricos, é um prato cheio para aventuras recheadas. Suas maiores aflições pairam em locais específicos onde apenas os mais entediados e intrépidos vão, em troca de que? Em troca de nada! Ou muita coisa... A graça é ter o que contar nos eventos sociais, mesmo com a metade do cérebro faltando.
Agora vamos pairar por alguns destes intrépidos aventureiros, mas iremos focar naqueles que, geralmente, se aventuram FORA da cidade, ao invés de se intoxicarem com partes nada saudáveis deste povoado. Bul é um homem jovem, ocasionalmente se diverte e ocasionalmente se aborrece, ele é loiro, gordo, forte e parece uma pessoa rasa a princípio, mas em seu interior é cultivado diversos pensamentos inusitados sobre as mais diversas questões, principalmente aquelas atreladas a suas experiências de vida.
Bul era um cara legal. Ainda é, só que hoje é um pouco menos feliz. Um soco na cara e uma risada, uma histeria coletiva que é vista todo ano bissexto. Um portal. Gritaria. Enfim, tais coisas fazem parte da história de Bul.
BUL -> TANK. GORDO E FORTE, PORÉM NÃO É BURRO.
DÊ O FODA-SE, BUL. NADA INTERESSA.
O grupo dos que se foram, voltaram, e a cidade estava em festa, era um festival noturno onde tudo poderia acontecer, seres feitos da mesma matéria de nossa imaginação estavam sentados, bebendo conosco e com todos. Nós tiramos uma folga de contadores de histórias para fazer uma meta-narrativa de nossa própria vida no lugar. Ninguém de fora sabe que somos contratados para fazer este trabalho, Quirk Town se perpetua através de seu conhecimento dentre mentes pensantes. Sua existência é notada através dessas narrações que fazemos, porém recebemos as instruções de permitir pequenas seções de cut-up em nossos cérebros que acabam aparecendo nas narrações. Então podemos contar para vocês sobre alguns processos da gênese de Quirk Town enquanto estamos falando, por exemplo, sobre Bul. Mas na verdade, o que realmente interessa?
Quirk Town poderia ser uma caverna perdida no meio do nada, sendo apenas um depósito de lixo psíquico, porém seus habitantes antigos pareciam possuir uma espécie de fagulha criativa que propulsionou um impulso evolutivo e a construção da cidade foi possível. Em tempos atrás, seu aspecto mais aparente era gloriosamente grandioso, hoje em dia é algo mais lúdico e criativo, porém a história desse passado perdura e nenhuma dessas características é relegada a segundo plano, muito pelo contrário, cada aspecto está presente por baixo do viés lúdico, e só há esta alegria quase exagerada, pois seus habitantes se reconhecem como seres muito afortunados.
Bul era assim, e ainda é. Ele ocasionalmente realiza visitas aos patriarcas construtores, aqueles fundadores da cidade que escaparam do destino de serem apenas cascos vazios ou lotados de frustrações. O local onde ficam os patriarcas, seres gigantes sentados em tronos, estão sempre muito limpos e lotados de adornos, presentes e coisas douradas e prateadas. Um dia, ele ouvia a história de alguns dos patriarcas, eles contavam que havia um ser ou deus que parecia metade mente e metade forma visível, ele parecia confundir a todos e a si mesmo com uma rarefeita rizoma que as vezes era uma esfera e que as vezes era fumaça; este ser ou deus adorava escrever coisas em si mesmo, era como se a parte que ele denominava corpo fosse apenas uma mídia, uma espécie de quadro, onde sua intenção escrevia as palavras e essas palavras acabavam tomando forma e encontravam a manifestação que podemos ver, que nossos sentidos podem captar. Foi assim que toda essa região foi criada, através de meros esforços imaginativos deste ser / deus.
Acontece que haviam coisas que ele pensava, mas descartava e então ele jogava tudo em uma caverna. As vezes, acabava criando algo que ficava uma merda e ele ficava frustrado, e sendo o que era, a frustração acabava pesando, fazendo-o mais lento a cada 10 unidades de frustração por vento². As garras foram criadas só para remover tais frustrações e estas eram jogadas na caverna. Estas mesmas garras foram jogadas fora quando toda a região foi completa e então não teria mais possibilidades de se frustrar.
Com o tempo, os conteúdos da caverna foram tomando consciência de si, e notaram que o peso só estava na percepção do ser / deus e era apenas uma ilusão, que acabou sendo dissipada pelas garras jogadas fora. Assim, toda uma estrutura foi criada no subterrâneo, que depois começou a emergir para a superfície, chamando a atenção do ser / deus: ele não criou nada que possuísse uma consciência muito complexa para que não houvesse nenhum poder paralelo, mas parece que ele tinha subestimado seu próprio poder criativo, pois até suas rejeições haviam tomado vida. A partir daí, foi um grande esforço e conflito para permanecer existindo. E no fim quase cataclísmico, ficamos sabendo que éramos um universo de bolso criado pela empresa Zambi Inc. e o nosso criador era um deus freelancer que se candidatou para a vaga. O nosso propósito era apenas servir de local de relaxamento e apreciação da natureza, mas acabamos nos transformando em um miniverso cheio de possibilidades.
Nós ficamos satisfeitos, a Zambi Inc. também, tanto que ela acabou abençoando ainda mais o deus freelancer, ampliando algumas de suas capacidades criativas, e hoje em dia todos nós somos amigos.

Nenhum comentário: