sábado, fevereiro 07, 2009

Deixem o Phelps fumar!

Um estardalhaço foi feito recentemente porque o nadador Michael Phelps, cheio de medalhas olímpicas, aparentemente fumou maconha - ou alguma outra droga ilícita e muito, muito malvada.

Aí começou o inferno pra ele: a mídia caiu em cima, o patrocínio caiu fora, as mães e os pais de família caíram pra trás e as criancinhas que o idolatravam agora se decepcionaram com ele.

Pois eu digo uma coisa: se decepcionaram e continuarão a se decepcionar eternamente com seus ídolos de carne e osso enquanto esperar que eles sejam perfeitos. A decepcão é o fruto natural e perfeitamente lógico da idealização, da vontade romântica da não-maculação, da criação de ídolos usando como matéria-prima pessoas como todos nós, que temos qualidades sim, mas também defeitos.

Por que o Ronaldo a.k.a. 'fenômeno' merece sim admiração e o título de "herói" na visão de muitas crianças? Porque foi o maior artilheiro de todas as copas? Não. Bom, talvez sim se a criança for um jogador de futebol, mas pro ser humano normal ele é sim "o cara": o joelho lá ficou todo fudido, e ele estava na época praticamente no auge da carreira. Com o dinheiro que ele provavelmente já tinha, ele podia se aposentar, ir fazer outra coisa, se tornar técnico ou dirigente de algum clube, viver da publicidade ou das ações. Mas não. O amor dele pelo futebol o fez superar isso, e a determinação dele pra voltar pra mais uma copa e se tornar o maior artilheiro delas foi algo impressionante. E então agora que ele está gordo, anda confundindo mulheres com travestis, fumando e abandonando seus supostos times do coração, ele não merece mais respeito? Qual é! E tudo que ele foi, isso simplesmente se apaga?

Pois eu digo que não, não se apaga.

As pessoas erram, mas mesmo assim ao invés dos admiradores do Phelps se mostrarem solidários a ele - e acharem até mesmo natural que ele não seja, afinal, perfeito - não é isso que ocorre. Julgam-no como se fosse um monstro, dizem que o que fez foi uma vergonha, não entendem "como uma pessoa assim pode fazer uma coisa dessas". E se decepcionam.

Gente, ele não é feito de mármore. Acordem.

Nossa cultura não gosta de heróis reais. Eu vou além e digo que não apenas são tão bons quanto os 'fantásticos', como são ainda melhores: estar perto dos seus heróis é como estar perto do Rei Arthur e ajudá-lo a combater seus inimigos. Estar perto de seus heróis e conviver com suas fraquezas é também a oportunidade de ajudá-los a superá-las tanto quanto vc também quer superar as suas (ou conviver melhor com elas, sei lá). Ter heróis reais e tratá-los assim, como pessoas que tem coisas admiráveis e não como semi-deuses gregos, isso é, pelo menos pra mim, mais saudável do que achar que uma pessoa que é boa em alguma coisa tem que ser boa em tudo. E esperar isso dela.

2 comentários:

Observador disse...

Muito bom seu Blog. Vc está de parabéns.

Fernando disse...

Na verdade ele virou meu herói depois que fumou a erva do diabo e me decepcionou ao não peitar esse bando de cuzões moralistas.