segunda-feira, agosto 13, 2018

Multiversalismo: O mundo como Mito e Imaginação

‘’Me dê um momento senhor, e eu lhe  explicarei tudo, literalmente Tudo.
O universo! Constatando de forma simples, o cosmos funciona da seguinte maneira:
Em qualquer mundo aonde a vida está presente, toda possível permutação da ‘’realidade’’ existe.
Existem no mesmo espaço, mas em planos dimensionais distintos!’’





‘’Todas as histórias são reais, cada uma delas. Todos os mitos, todas as lendas, todas as fábulas. Se você crê que são reais, então são reais. Se você não crê, então tudo que se pode dizer é que são reais para outra pessoa.’’-Dave Sim

"Agora eu acho que entendo. O que eu estava vendo era a multiplicidade de realidades parcialmente atualizadas repousando tangencialmente sob o que evidentemente era a mais atualizada, aquela cujo a maioria de nós, que por consenso universal, concordamos. Apesar de que originalmente eu presumi que a diferença entre esses mundos era causada inteiramente pela subjetividade dos vários pontos de vista humanos, não demorou muito tempo para que eu me abrisse a questão de que talvez fosse algo além disso – que na verdade realidades plurais existam sobrepostas umas as outras como muitas transparências de filmes.
O que eu não compreendi ainda, entretanto, é como uma realidade entre muitas se atualiza em contradição às outras . Talvez nenhuma faça isso. Ou quem sabe, novamente, se apoie sob um acordo sobre determinado ponto de vista por um número suficiente de pessoas.’’ –Philip K. Dick

“Magia para mim é sobre uma relação mais dinâmica com a nossa consciência, um modo mais dinâmico de entende-la ; o que a consciência é, o que o pensamento é. Pois o pensamento é o ponto cego da ciência. Não podemos falar em termos de lógica cartesiana e experimentos empíricos quando  falamos sobre a mente... Eu estava pensando e talvez seja necessário um modelo diferente para a consciência. Eu venho com esse modelo e eu não digo que é novo. É a ideia do espaço das ideias... aonde filosofias são massas de terras e religiões são provavelmente países inteiros, podem conter flora e fauna que são nativos deles, criaturas desse mundo conceitual que são feitas de ideias do mesmo modo que criaturas do mundo material são feitas de matéria.  Isso pode concebivelmente explicar fantasmas,anjos,demônios,deuses,alienigenas grey,elfos,fadas.'' -Alan Moore

Eu gastei uma grande parte da minha vida investigando várias filosofias,escolas de pensamento e reinos de experiência, tentando encontrar o sentindo do mundo em que estou. Tendo achado todos os sistemas de crença insatisfatórios, eu tentei criar alguns. Minha última (e creio que seja a melhor) tentativa é algo que chamo de ‘’Multiversalismo.’’

A ideia básica do Multiversalismo é um tipo de niilismo invertido, no qual qualquer coisa imaginável é pensada existir num extenso Multiverso de ideias. Isso é similar a hipótese matemática universal do físico Max Tegmark, aonde o conjunto de todas as estruturas matemáticas define a totalidade da existência. O Multiversalismo leva a ideia de Tegmark  muito além ao dizer que o conjunto de todas as construções mentais de qualquer tipo – matemáticas, mitológicas, artísticas, mágicas, alucinatórias, etc. –  definem um extenso grupo de possibilidades de realidade multiversal. Todos os deuses míticos,heróis ficcionais, reinos de fantasia, mundos oníricos e entidades sobrenaturais são reais  – eles apenas habitam diferentes dimensões dentro de um extenso multiverso mental.  Pontos de vista similares já foram sugeridos por artistas e místicos ao longo das eras, mas a maior parte deles caíram no descrédito e obscuridade no mundo ocidental desde (o assim chamado) Iluminismo.

Ao passo que a ciência moderna tem adotado  modelos de multiverso que soam cada vez mais esotéricos como o de Tegmark, e a tecnologia tem escurecido a distinção entre mundos reais e imaginários, talvez teremos uma nova convergência da ciência,arte e misticismo ao redor de um ponto de vista como o Multiversalismo.

Eu desenvolvi o Multiversalismo pois eu percebi que todo sistema de crença Universalista parece colapsar sob escrutínio em um incompleto,incompreensível,emaranhado tautológico de premissas não verificáveis, contradições lógicas e perspectivas limitadas.  Eu simplesmente não podia encaixar minha mente em nenhuma das caixas disponíveis!  Por um tempo, isso me levou  a adotar o niilismo como única filosofia consistente com minha experiência.  Mas eu posso ter encontrado um caminho pra fora do beco sem saída mental do niilismo por adotar um olhar mais criativo as possibilidades desse mundo.  Schopenhauer falou sobre o  “mundo como vontade e ideia”; Eu ofereço uma equação similar: O mundo como Caos e Imaginação.


Alguns pensadores que influenciaram fortemente minha perspectiva Multiversalista incluem: Philip K. Dick, Terence McKenna, Carl Jung,
Friedrich Nietzsche, Jack Kirby, H.P. Lovecraft, Aleister Crowley,
Frank Herbert, Robert Heinlein e Alan Moore.  Se você é familiar com o trabalho desses homens, então você deve ter notado uma ênfase recorrente no poder ilimitado da mente criativa de dar sentido a existência, ceticismo radical contra qualquer forma de totalitarismo intelectual, e reverencia a imaginação como canal para a verdade cósmica.  Eu vejo tais homens como shamans modernos, operando numa civilização que não tem mais um nome para esse tipo de pessoa.

Eu não inclui nenhum cientista na minha lista porque, apesar de reverenciar a magia matemática de Einstein, Dirac e Feynman, Eu acho as suas perspectivas um pouco estreitas e dogmáticas de mais pro meu gosto. Cientistas ortodoxos nunca parecem dispostos a considerar qualquer coisa muito longe das caixas de suas próprias mentes racionais, ou explorar a consciência que filtra todas as  observações  cientificas. Para mim essas são limitações fatais no paradigma cientifico atual.

Uma consequência divertida do Multiversalismo é que ele provem uma justificação filosófica para ‘’trollar,’’ uma atividade que eu gosto muito. Sempre que alguém promove um sistema de crença em particular na internet ou sugere que monopolizou o mercado em algum aspecto da verdade, eu me sinto compelido a argumentar a posição oposta. Ao fazer isso, eu frequentemente apoio posições que são 180 graus opostos um dos outros, enquanto que não tenho senso de contradição.

De acordo com minha filosofia multiversalista, ambas posições estão corretas em algum lugar no multiverso de mundos possíveis, e podem portanto ser defendidos. Ao trollar dessa forma, Eu não estou buscando desacreditar sistemas de crença como um ideólogo, nem destruir todas as ideologias como um desconstrucionista, mas defender todos os sistemas de crença de ataques de ideólogos e desconstrucionistas.

Multiversalismo é portanto a derradeira filosofia construcionista,
E é o Universalismo – a crença em uma verdade que substituiu todas as outras –  que é niilista.  A diferença entre Universalismo e Niilismo é apenas um sistema de crenças; a diferença entre Multiversalismo e Niilismo é uma infinidade de sistemas de crenças!


Em particular, o Multiversalismo considera o projeto cientifico de estabelecer as leis de uma singular e objetiva realidade algo fútil  equivocado e repugnante.  A campanha dos Novos Ateistas de impor o totalitarismo epistemológico do método cientifico deve ser resistido assim como o dogma cristão era no tempo de Galileu. Se algum subconjunto da humanidade deseja coletivamente imaginar um deus e o adorar, eles devem ser livres para tal sem difamação.  Qualquer ‘’tirania do real’’ deve ser derrubada em favor da liberdade ilimitada da imaginação criativa. A Arte se torna mais importante em uma civilização Multiversalista, pois enquanto a ciência descreve as leis e os limites deste universo, a arte encontra um meio de quebra-las. 
Você não gosta de um universo de velocidade limite de trezentos mil quilômetros por segundo?  Imagine um universo sem um, e use as artes tecnológicas para criar um mundo arbitrariamente real aonde tal limite não existe. A fronteira final do multiverso não são portando as  três dimensões do espaço sideral, mas o infinito-dimensional caos criativo do espaço interno.

Talvez o conhecimento mais profundo que posso tentar sugerir é que o multiverso de ideias é idêntico a consciência em si. Todo tipo de realidade surge da consciência. Tudo que estamos conscientes é real. A mente e o multiverso, portanto, são uma coisa só. Realmente parece para mim que os místicos pré-científicos estavam certos o tempo todo: A realidade é uma construção mental criada e explorada pela tecnologia da imaginação.

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