#TheGame23 - Enter the Infinite Rabbit Hole





What is #TheGame23?

"It is what it isn't though that isn't what it is and like I've always said I think that it's exactly what you think it is. If you believe it is whatever someone else told you it is then you're doing it all wrong because you're the only one who could possibly know what it is." - zed satelite nccDD 23 ksc


Project 00AG9603 - #TheGame23 mod 42.5 level 5

"00AG9603 develops as a self-organizing organism, connects with the virtual environment through its hosts (admins) by arranging the surroundings randomly for its own autonomous purpose" - Timóteo Pinto, pataphysician post-thinker





00AG9603 Dataplex LinKaonia Network

00AG9603 Dataplex
Aaní – Memetized Chaos
#fnordmaze
Hail Galdrux!
Mermeticism and the Post-Truth Mystic
Discordian Babel – a collection of different interpretations on Discordianism
#QuantumSchizophrenia
Neoism/Anti-Neoism/Post-Neoism/Meta-Neoism/Hyper-Neoism
The Omniquery Initiative – How To Save The Universe – an incomplete tutorial
A Call to Weirdness - Operation D.I.S.T.A.N.C.E.
Cosmic Liminality - The Space Between
00AG9603 Forum
00AG9603 Hyper-Surrealism



Hyper-Surrealist Fnord Agency


KSTXI Dataplex


Know more, Understand less



KSTXI Reality Glitch Hack Post-Neoist Meta-Discordian Hyper-Surrealist Galdruxian Tudismocroned Bulldada Network ::: art, anti-art, post-art, `pataphysics, absurdism, discordianism, concordianism, meta-discordianism, realism, surrealism, hyper-surrealism, neoism, anti-neoism, post-neoism, anythingism, etc..

KSTXI Hyper-Surrealist Fnord Agency Portal

KSTXI Glitch Network

:::

—–><—–

“Welcome to the most ancient conspiracy on the planet. We’ve gone for so long now that we don’t remember what we were doing, but we don’t want to stop because we have nothing better to do.” - Fire Elemental

—–><—–

:::


KSXTI Post-Neoist Meta-Discordian Galdruxian Memes Illuminati Cabal Contact Information

::: KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Memes Illuminati Cabal ::: Tumblr_inline_p10gskins81rlg9ya_500

.

"Stick apart is more fun when we do it together." - St. Mae

.

::: Discord:

- Dataplex Ourobouros

::: Reddit:

- 00AG9603

- KSTXI Galdrux Dataplex Web

- #TheGame23 Mod 42.5

- Dataplex Ourobouros

::: Forum



Join Us!

:::

quarta-feira, abril 01, 2009

Anão vestido de palhaço mata 8 - A Saga de Josef

por Marcos Barbará

Prefácio

A saga de Josef, o Anão, se desenrolará sem o menor sentido, lógica ou coerência. Obviamente inspirada no pior de Monty Python, Woody Allen e Douglas Adams, começou a ser escrita em 2004 e jamais terminará, apenas para irritar a imprensa especializada. Não que o autor tenha alguma idéia do que está fazendo, ele apenas escreve em intervalos não-periódicos, normalmente intercalados com ofensas aos leitores.

Há aqueles que dizem que Josef tem um pouco de cada um de nós, e esses são os mais idiotas. A ligação com os fatos históricos narrados é perfeitamente plausível, desde que você acredite no Wikipédia.



Croácia, verão de 1999. Nevava. Era mesmo um verão estranho. Zagreb amanhecia escura, sem saber que Josef, o Anão, amolava sua faca com um carinho todo especial...

... naquela manhã, Josef acorda e descobre que seu papagaio foi nomeado Ministro da Economia. Morre de inveja e tenta suicidar-se, mas seu revólver é daqueles que disparam uma banderinha com a palavra "bum!". A bandeirinha acerta seu olho mas ele sobrevive, passando a enxergar tudo em duas dimensões.

Após correr pelado em um campo de golfe por não conseguir cortar os pêlos de suas costas, Josef, o Anão, consegue um emprego de tenor na Orquestra de Zagreb, e é demitido 15 minutos depois por não conseguir fazer o sinal de aspas com dois dedos de cada mão. Amargurado, ele dança até a beira do lago, onde contempla a si mesmo durante quarenta minutos. De repente dorme e sonha com um cabrão, uma besta mitológica com a cabeça e o corpo de um leão, mas não do mesmo leão.

Ao acordar, Josef decide procurar emprego no crime organizado, porque gosta de ser beijado na face como um italiano. Conhece então Little Joe Brumbble (também conhecido como Big Joe Brumbble), um sujeito tão desconfiado que não dava as costas a ninguém e, por isso, andava pelas ruas girando, rodopiando constantemente.

Foi então que Josef, o Anão, decide fazer uma ode a seu pâncreas, a quem chama carinhosamente de "Franklin Delano Roosevelt". A ode torna-se um sucesso instantâneo, e Josef é convidado para uma festa no Sindicato dos Produtores de Bibelô, onde bebe, faz um discurso, vira o centro das atenções, e faz amor com três mulheres, tudo isso em sete minutos.

Neste momento, percebe que sua alma está saíndo de seu corpo para fazer uma chamada telefônica. Dez minutos depois, é preso pela Interpol, pelo fato de sua obra "Ode à Franklin Delano Roosevelt, Meu Pâncreas" ser um plágio de "Ode à Winston Churchill, Meu Duodeno", publicado duas semanas antes pelo Rabino Zevin. Este processa Josef, que é condenado a pagar setecentos milhões de dólares ao Rabino e obrigado a usar suspensórios no Dia do Trabalho.

Josef se recusa a usar suspensórios, por "deixar a impressão que tenho 62 centímetros, e não 65", e é levado para a Prisão de Greb, em Zagreb. Lá conhece Ti Ma, um chinês que se veste de esquilo para não ser mais confundido com Mao Tse-Tung.

Treze segundos depois, Josef descobre que Ti Ma é seu irmão, e chora copiosamente como uma ovelha. Quatro minutos depois, Ti Ma morre de tifo. Utilizando apenas suas mãos e os conhecimentos adquiridos na Universidad Autónoma de Cochabamba, Josef faz uma cirurgia para ressuscitar seu irmão. Em quinze minutos de procedimentos cirúrgicos, Josef profere vida a seu irmão e cura sua lordose. Ti Ma levanta, prepara-se para fazer um discurso, porém é mordido por uma doninha, cai, e morre. A habilidade de Josef é reconhecida e ele é levado ao encontro do grão-vizir de Zagreb para acompanhá-lo em uma pescaria de atum.

Então disse o grão-vizir a Josef, "estive pensando em como minha vida seria diferente se eu tivesse nascido um dia antes do dia que nasci". Em um momento de sublime inspiração, Josef proferiu que "pouca coisa mudaria, a não ser o fato de que você teria feito essa mesma pergunta ontem". Libertado pelo grão-vizir por sua sabedoria, o Anão vai ao supermercado comprar tubérculos, e lá encontra John C. Willow, o homem que venceu o Prêmio Nobel da Paz após matar seus quatro concorrentes.

Willow confunde Josef com um pernil assado, coloca-o dentro de uma caixa de isopor e começa a correr em grande velocidade pela calçada, derrubando todos que encontra em seu caminho. Aproveitando-se de um breve momento de distração de John C., Josef salta da caixa, caindo dentro de um cesto de vime de uma mulher africana que colhia figos. No meio das frutas, o Anão tem um insight, levanta-se e proclama ao povo: "A verdade é a fortaleza dos inocentes!". Todas as pessoas param instantaneamente, inclusive o trânsito e todos os sons da cidade. Lentamente, começam a aplaudir, uníssonos, ao mesmo tempo que surge uma fanfarra. Josef é erguido aos braços da multidão, ganha a chave da cidade, e é nomeado como Mulá de uma religião xiíta ortodoxa.

Assustado, Josef percorre a planície do Cáucaso por 6 dias e 6 noites, e então encontra um sujeito que lhe faria uma revelação bombástica, se estivesse sóbrio. Janko Milaszkiewicz, um polonês desempregado, mantinha sua funções vitais ativas com a ingestão de leguminosas que ele próprio plantava em seu jardim hidropônico. Vivendo sozinho desde 1917, Janko nunca foi popular, e os poucos amigos o abandonaram ao descobrir que ele possuia dez dedos nos pés, sendo nove dedos no pé esquerdo e um no pé direito. Discreto, muitas vezes incógnito, caminhava rumo ao anonimato total. A única felicidade do polaco consistia em conversar com Puppy, uma fuinha maltesa. A diminuta criatura lhe transmitia carinho e confiança, ao mesmo tempo que cozinhava e anotava os recados. Após uma troca de olhares, Josef repudia a fuinha, cospe ao chão, e decide fazer do objetivo de sua vida a extinção de todos os animais do filo dos Chordata. Então Josef desafia Janko a um duelo que custaria a vida de um dos envolvidos na balbúrdia.

Janko afaga Puppy, sua fuinha maltesa, e após cantar "The Candy Man", atira com um estilingue em Josef, que desvia e comemora como se fosse um gol. Transtornado, o polonês se recolhe no canto da sala em posição fetal, ao mesmo tempo que Josef imita um quero-quero. Então uma revoada de patos migratórios invade o recinto, dispostos em V, capturam Puppy, e somem no horizonte em câmera lenta. Janko se aproxima de Josef e pede para ser sacrificado. O Anão apalpa sua cútis e declama: "Ninguém pode ser sábio com o estômago vazio". Miguel de Unamumo entra no ambiente, reclama por ter perdido a consulta no periodontista, e foge. Minutos depois, Janko é levado pela Companhia das Índias Ocidentais, em troca de rum e melaço. Livre da ameaça hidropônica, Josef segue livre seu caminho em busca de alcaparras, mas cai em um vórtice do espaço-tempo e é jogado no ano de 1327, onde decide abrir uma padaria de pães artesanais em sociedade com Sean Connery.

Enquanto a padaria seguia rumo à bancarrota, Josef divertia os locais com seus intrigantes passos de Lambada Escandinava. O ritmo frenético e contagiante fez com que Josef ficasse famoso da Prússia até o Reino Ostrogodo. Contaminado pelo ciúme, Sean Connery decide eliminar Josef utilizando uma broa envenenada, forjada meses antes para tal intento. Josef aceita a broa com júbilo, sorri, e ao aproximar seu maxilar da mortífera massa fermentada, Connery se arrepende, e gritando em câmera lenta, se arremessa na direção do Anão, que rola e cai ao solo, ao lado do quitute da morte. O escocês conta a verdade a Josef, que afaga a face de seu quase-executor, e o perdoa, declamando: "Poupe seus ovos e serás um grande galináceo". Sean Connery, em êxtase, ergue o Anão como um troféu e em seguida o abraça carinhosamente por 19 minutos, mantendo-se em catarse por tempo indefinido. A fama de benevolente de Josef se espalha com a ventania e dois dias depois ele é eleito Papa. Porém, o destino de Josef e, quiçá, de toda a humanidade, estaria nas mãos daquele que sabia tanto sobre sua importância para o mundo quanto um brócolis sabe sobre a história da União Soviética: Sr. Rufus Donato.

Sr. Rufus Donato estava satisfeito em seu cubo, ao qual denominou sabiamente de "cubo". A frustração por descobrir que a União Soviética ainda não havia sido criada em 1327, aliada ao fato do Trópico de Câncer se localizar no hemisfério norte, tornaram o Sr. Rufus Donato tão amargo quanto Robert De Niro em "Taxi Driver". Quando descobriu que Josef fora proclamado Papa, Sr. Donato pensou, enquanto roía obsessivamente as unhas do pé, que o Anão poderia evocar um movimento tectônico e criar a União Soviética. Partiu imediatamente à caça de Josef, não sem antes tropeçar nos pedaços de unha cuspidos no chão. O andar do Sr. Rufus, que a cada três pulinhos exclamava 'plim!' e sacudia os chocalhos costurados nos bolsos do seu paletó, chamou a atenção de todos do vilarejo, que taparam os olhos com a mão esquerda, fazendo com que Sean Connery despertasse de sua catarse cheio de flunfas em seu umbigo.

Exatamente ao mesmo tempo em que Josef vencia um duelo de rappers contra o Coral Grego de Canto Gregoriano, Sr. Rufus Donato corria em espantosa velocidade pelas ruas medievais, guiado por doze bilhões de vespas africanas, atrás dos rastros do Anão, seu suposto salvador. Porém, quando alcançou a velocidade mítica de 27 nós, tropeçou em Santo Agostinho, que ensaiava para um papel mediano em Procurando Nemo. Ouvindo a algazarra formar-se no vilarejo, Josef sai à varanda, e mais que automaticamente seu olhar se encontra com o olhar de Sr. Rufus Donato. E foi então que o mundo parou.

Eis que chega o momento de Josef revelar parte do segredo de sua felicidade. Do horizonte surge um urso panda de 120 metros chamado Chu, que corre ao encontro de seu satisfeito proprietário. Chu é uma entidade cativante, que acha todas as pessoas legais, e não pára de repetir que precisa de amor. Sem proferir uma palavra sequer, e fazendo um leve movimento com a cabeça, Josef manda Chu ao encontro do Sr. Rufus Donato, que, extasiado, começa a correr em círculos em volta de seus próprios cotovelos, e instantaneamente adota Chu oferecendo seu amor incondicional. Por maior que possa parecer, o amor do Sr. Rufus Donato não era suficiente para suprir a carência afetiva de Chu, que se transforma em um artefato inanimado. Chu, sugando todo o amor medieval do condado, cria um vórtice que leva todo o vilarejo para a remota Normandia, em 1066, no instante em que Haroldo III da Noruega invade a Inglaterra com a ajuda de Tostig Godwinson, ex-Conde da Nortúmbria e irmão renegado de Haroldo II, expulso da corte depois de tropeçar e cair em público.

Atordoado, Josef aproxima-se de um castelo, e sua única entrada está guardada por hunos truculentos que só o deixarão entrar se ele se chamar Douglas. Afortunadamente, aproxima-se dos portões do castelo uma multidão carregando uma faixa com os dizeres "XVII Convenção Anual dos Douglas". Josef se entranha em meio aos Douglas e consegue entrar, de ceroulas, mas é flagrado cantarolando "Assim Falava Zaratustra" durante a execução do hino normandio. O Anão alega tratar-se da canção-tema da "Pequena Sereia", e começa a dançar charleston com grande desenvoltura, mesmo amarrado como um cordeiro. Surge então o gerente do castelo, um homem com tanto poder que possui a alcunha de faraó grão-czar. Ele parece apreciar a agilidade de Josef, mas se distrai com duas pombinhas, e Josef é encaminhado ao calabouço, onde conhece Nietzsche, que está lá por não saber soletrar seu próprio nome.

E de um fosso no fundo do castelo, ao som de "Doze milhões de pulgas estão me carregando", grande sucesso da época, emerge um trono. Neste trono está sentado um homem minúsculo, que carrega como vestimenta seu crachá desproporcional com seu cargo gravado: "Faraó Grão-Czar - FGC". Cinco estagiários o ajudam a levantar sua micro-cabeça, que fica sempre baixa devido ao peso do cordão do crachá. Os estagiários acabam se confundindo e levantando os braços e as pernas de FGC, criando um estranho balé. Josef não suporta a idéia de comer pratos temperados com cominho todas as manhãs, e, com o punho erguido, declara a independência da Caxemira. Inexplicavelmente, Nietzsche começa a brigar consigo mesmo, atraindo a atenção de FGC, dos guardas e dos estagiários, deixando livre a passagem de Josef para a liberdade.

Josef se esquiva dos guardas e, tal como um saltador mexicano de penhascos, se atira ao mar, onde começa a fazer movimentos de golfinho, chegando desta forma no Estreito de Bering em seis minutos. A ginga frenética do Grande Anão causa um enorme atrito entre seu diminuto corpo e as moléculas da água do mar, tornando aquele pequeno espaço de oceano em um colapsal redemoinho do tempo, levando Josef e 20 milhões de litros de água salgada diretamente ao centro de Tebas, 297 a.C., onde o Anão conquistaria os corações e as mentes dos nativos, assim que todos se secassem.

No momento seguinte à hecatombe oceânica, uma pequena multidão viu Josef emergir do recém-formado lago e automaticamente ser reconhecido como Poseidon, o Rei dos Mares. O povo ateniense o saudava e ele foi levado ao encontro dos sábios da época, onde conheceu Sólon, o grande legislador, que tentava criar uma nova espécie de pepinos, e Mulipas, o agrimensor, que tinha acabado de descobrir que a Terra era em forma de G. Do outro lado da pólis, Josef, enquanto Poseidon, fora convidado para entregar a medalha de ouro no decatlo para o herói Aquiles, mas nota a extrema semelhança entre o atleta e Janko Milaszkiewicz, o polonês desempregado. Ressabiado, Josef simula estar maltratando uma fuinha, o que faz com que Aquiles perca o controle e revele-se como o Senador Republicano Greg Bingaman, de Idaho.

Apavorado, o Senador Bingaman tenta colocar a peruca que guardou desde a Grande Depressão, mas atrapalha-se com os protetores de orelha e fere sua própria gengiva, pela qual era obcecado. Josef o reconhece, e, encarando seu nêmesis, o obriga a dizer a palavra "Guatemala". O Senador erra a pronúncia e é preso. Uma grande e gorda mulher, aparentemente sem nenhuma ligação com os eventos, começa a pegar fogo, não parecendo se importar com isso. Em meio à balbúrdia, Josef considera seu trabalho em Tebas cumprido, mas fica triste porque lembra que seu celular não terá sinal nos próximos 2293 anos.

Desprezando os limites da física e do bom gosto, Josef salta sobre o Monte Olímpo gritando "tio Toby roubou minh'alma", sendo teleportado ao epicentro da Revolução Bolchevique de 1917, fato que deixaria Nikita Khrutchev confuso por algumas décadas. Como forma de auto-defesa, o Anão começa a ofender a todos chamando-os de "lambões" e "Bob McNamara", evocando a quinta emenda. Consegue confundir os sovietes e, aproveitando-se da inflação de 829.000% ao segundo, aplica 1(hum) rublo em um fundo DI e três minutos depois retira o valor suficiente para adquirir o Encouraçado Potemkin, rebatizando a embarcação de "Olof Mancuso", para fugir como um islandês.

Fanático por "Caçada ao Outubro Vermelho", Josef obriga os tripulantes a entoarem o hino soviético, porém como a União Soviética não existia ainda, todos começam a cantar "Bamboleo", do Gipsy Kings. Isso irrita o nano-capitão Josef, que inicia uma série de conquistas com o encouraçado, modificando o rumo da humanidade e fazendo inimigos nas editoras dos livros de história. Eis que ressurge Sean Connery, alegando ser o único a saber o nome do filme argentino no qual um esquilo cai em um recipiente com cádmio e vira o presidente da Noruega. Josef diz "El Rey Serelepe", compelindo Sir Connery a trocar seu sistema imunológico por um ouriço-do-mar. Liderada por Marcel Marceau, uma frota de submarinos patrocinados pelas grandes editoras aproxima-se ameaçadoramente do Encouraçado Olof Mancuso, onde Josef veste sua melhor polaina e ingere um refresco Mupy, apenas olhando o radar verde e aguardando o início do ataque.

Quando a frota de Marceu Marceau liberou seu primeiro torpedo na direção do Encouraçado Olof Mancuso, o único som que se ouvia era o alarme incessante e o som do radar anunciando a chegada do anjo da morte. Mais que conformada, a tripulação estava orgulhosa de sucumbir ao lado do Capitão Josef, o Anão. O cantar da sirene provavelmente seria o último som que os homens a bordo ouviriam antes de encontrarem-se com seus antepassados, mas Josef não desistiria tão fácil. Para um olho destreinado, o Anão estava apenas tentando lamber seu cotovelo, quando na verdade, ele acabara de ter uma idéia que salvaria a vida de todos, aniquilaria o inimigo, e tornaria ultrapassado o Grande Livro de Receitas da Vovó Esmeralda. Enquanto o suor fúnebre já emanava de toda a tripulação, Josef recordou que o Encouraçado carregava 412 toneladas de inhame, trocadas por um guaxinim no Porto de Minsk no mais bizarro escambo já registrado pelas autoridades aduaneiras do leste europeu. Quando restavam dez segundos para o impacto, e todos os homens se acotovelavam para padecer mais perto do Anão, Josef profere: "Libertem o inhame". O responsável pelo tubérculo aperta o botão vermelho que abre as comportas do depósito, e meio segundo depois, o torpedo inimigo explode contra a parede de inhame, eclodindo em um grande cogumelo de fogo e carboidratos. A chuva de inhame não só afundou a frota de Marceu Marceau como acabou com a fome de toda a Lituânia, fazendo com que Vladimir Lenin desistisse da Revolução Bolchevique para se tornar padeiro.

Após subjulgar a frota de Marcel Marceau, Josef é erguido em êxtase pelos seus comandados, enquanto saboreia um autêntico refresco Mupy e faz o V da vitória para a multidão. Porém, um sujeito não estava satisfeito com a glória do Anão. J. Gallardo ocupava o cargo de maior prestígio em Kiev – Bongo Humano – e não seria superado com tanta facilidade pelo Diminuto. Durante a marcha de Josef, J. Gallardo começa a espalhar o boato que o "V" de Josef quer dizer "ventoinha", ou ainda pior, "vinagrete". A população fica ouriçada e começa a se voltar contra o Anão, fazendo com que J. Gallardo inicie uma gargalhada cósmica. Prestes a ser linchado pela massa, Josef simula o som de uma cuíca com grande exatidão, atraindo onze mil macacos-bonobos, sendo o estopim de um caos jamais visto antes de 1917. J. Gallardo se arrepende de seu gesto cruel, e numa tentativa desesperada de salvar Josef, se lança em um recipiente com cádmio para atrair a atenção de todos, ao mesmo tempo em que sacrifica seu sonho de ser jóquei. A reação química somada ao rugir dos macacos-bonobos causa um fluxo de energia suficiente para sugar Josef, J. Gallardo e o czar Nicolau II para 2007, materializando-se os três bem no meio da cerimônia de abertura das Olimpíadas Escolares de Uberaba.

O discurso do Secretário de Esportes de Uberaba foi subitamente interrompido pela materialização de Josef, J. Gallardo e czar Nicolau II no alto da tabela de basquete, suficiente para arrancar alguns aplausos satisfeitos. Devido a uma confusão na entrega dos convites, o cônsul da Lituânia estava presente à cerimônia, e ao reconhecer o czar, avança sobre o monarca com tremenda virilidade, em repúdio ao regime totalitarista impetrado entre 1894 e 1917. Porém, czar Nicolau II só dava ouvidos ao seu peixe-beta, e começa a correr pelas ruas de Uberaba com seu suntuoso casaco de arminhos. Preocupado com essa pequena alteração no curso da história, Josef persegue e captura Nicolau, cedendo o casaco à recém-inaugurada loja de roupas Arminhomania. "Seja bom", diz Josef ao czar, que se arrepende instantaneamente de todos seus crimes de guerra e entende o verdadeiro sentido da vida, abraçando o Anão com ternura, logo após declarar a independência de Uberaba.

Satisfeito com o resultado da missão, Josef busca repouso em uma estalagem de nome "Abrigo de Tia Regina". Embora incomodado com alguns detalhes, como o fato de Tia Regina ser um sujeito de farda militar e rosto camuflado, que bradava ordens em alemão a outros trinta homens vestindo trajes espaciais que carregavam um recipiente amarelo com a palavra "Plutonium", decide entrar mesmo assim. Após aguardar, sem sucesso, resposta para o toque da sineta na recepção, Josef entranha-se furtivamente em uma sala onde Tia Regina prepara-se para apertar um botão vermelho, sob gritos de incentivo dos colegas e o mapa da Groenlândia na parede como final da rota de um míssil. Aproveitando-se da mesa de quitutes natalinos, Josef atira uma noz moscada em Tia Regina, que cai e morre. Inflamados com o acontecimento, os homens encurralam Josef, que, mesmo cercado, confunde os oponentes com uma ginga de corpo e se lança sobre o recipiente amarelo, que começa a vazar. O fim do Grande Anão era uma questão de segundos, já que os homens se aproximavam com palavras não amistosas, e o líquido derretia o chão perto de seus pés. Numa mistura de genialidade e ousadia, Josef retira do bolso seu estojo de Alquimia Mirim, e mesmo sem ler as instruções, atira pó de ferro e ácido sulfúrico no líquido esverdeado. A reação química ainda não compreendida pela ciência gera uma bolha protetora em volta de Josef, que gira em velocidades cósmicas e atira o Anão para o século VI a.C., no exato momento onde os persas, aparentemente, encontravam uma maneira de transportar um enorme golfinho até Utah.

Ao materializar-se no centro político da Pérsia, no século VI a.C., Josef estava nu e com fome. Levantou-se, mediu a velocidade do vento com seu indicador, e calçou suas meias da sorte. Os locais aproximavam-se com um misto de admiração e assombro, e o eficiente artesão Sa'dabad esculpia graciosas miniaturas do Anão em pedra-pomes, vendendo ao preço de três cabras. O líder espiritual foi prontamente chamado, e ao chegar renunciou ao seu cargo por se sentir cosmicamente ínfimo perante Josef. Tanto poder incomodou o Xá Pahlevi, que suspendeu a reunião com os emissários da Babilônia para ir a encontro do tumulto que se formava. "Apresente-se àquele que se materializou", bradou o porta-voz do Xá Pahlevi. "Sou Josef, o Anão, e desafio seu pavão para uma partida de War". A tensão tomou conta de todos os seres vivos em um raio de 4,2 quilômetros. Uma certa senhora Brewster desmaiou. Após alguns momentos de deliberação entre Xá Pahlevi, o pavão (acompanhado de seu empresário), e um sujeito extremamente parecido com Al Pacino, o desafio foi aceito e teve local e hora marcados, para alegria dos cambistas persas, que já tinham em mãos todas as entradas compradas com uma carteirinha de estudante em nome de Carlitos Tevez.

O duelo de War entre Josef e o pavão real era o evento mais importante do Império Persa desde que Arthos, o Grego, desafiou (e venceu por 2x1) um arbusto em uma partida de bocha. Embora a aparição apocalíptica do Anão tenha lhe rendido alguns seguidores, a casa de apostas de Ghulaman mostrava que o pavão tinha a preferência do povo e da crônica especializada. Conforme o momento da batalha se aproximava, o público se aglomerava no local do evento, sem que faltasse uma criatura sequer. Lá estavam todos, leões e pulgas, o sujeito extremamente parecido com Al Pacino, o eficiente artesão Sa'dabad, Arthos, quarenta mil garotas com carteirinhas de estudante (falsas) de Carlitos Tevez, uma certa senhora Brewster, e um arbusto. Tal como um Cassius Clay, o pavão surge envolto em um roupão, com seu séquito de treinadores, massageadores, advogados e um filósofo, conquistando a multidão com seu carisma inconfundível. Aproveitando-se da situação, Josef aparece despreocupadamente comendo uma mexerica, sem saber que morder o fruto poroso era considerado na Pérsia uma ofensa tão grande quanto lamber os cotovelos na presença de um marceneiro. Tomado pelo ódio, o pavão e as milhares de pessoas atacam o Anão de forma voluptuosa, e, naquele momento, pouco restava a Josef exceto sua honra e sua camiseta da seleção da Nicarágua assinada por S. Paladiño.

Ao ver Josef mordiscando a mexerica, o líder espiritual persa ordenou que o Anão fosse morto como prevê a lei que protege os frutos cítricos: cada habitante da Pérsia aplicaria um sopapo na nuca do réu, exceto crianças e idosos, que poderiam dar dois. Entregue à própria sorte, Josef é capturado, atado e levado na direção do Templo do Sacrifício, ao som da animada marchinha "Alimentem a hiena com o rim do desventurado". A fúria incontida da população persa contrastava com a serenidade de Duílio Kobayashi, obscuro membro da equipe de seguranças do pavão. Enquanto os demais protetores e empresários do pavão somavam-se à multidão enlouquecida, Duílio caminhava tranquilamente no sentido contrário ao fluxo, na direção do Anão imobilizado. Ao aproximar-se de Josef, o segurança se despe em um só movimento de seus trajes de segurança persa, revelando um uniforme militar russo. A multidão pára, e Duílio sussurra ao ouvido de Josef: "Foi uma honra servir com o senhor no Encouraçado Olof Mancuso". Em meio à surpresa geral, o misterioso benfeitor arma uma mini-hélice e fixa o artefato em Josef que é erguido do solo com a ajuda da exótica máquina, sendo guiado em câmera lenta pelo doce vento da liberdade, para desespero do povo e das autoridades persas.

continua...

segunda-feira, março 30, 2009

Timóteo Pinto Quer Participar no BBB10

Nosso Timóteo Pinto, não sei porque raios, decidiu participar do BBB10.

Bom, já que ele me garantiu que não mudaria de opinião, o nosso papel agora é ajudá-lo nessa sua mais nova OM. O que fazer? Como fazer um vídeo ideal para chamá-lo? Quais as estratégias?

Veja aqui a posição de Timóteo Pinto sobre o programa, como também a sua decisão.

Eu, você todos sommes Timóteo Pinto.

domingo, março 01, 2009

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Jovem cria painéis solares com esmalte e acetona


Além de gatinha, a australiana Nicole Kuepper, 23 anos, inventou "quase sem querer" um novo tipo de células fotovoltáicas - usadas para transformar energia solar em energia elétrica - com produtos parecidos com esmalte e acetona, uma impressora e um forno de pizza, baixando o preço da tecnologia.

fonte

sábado, fevereiro 21, 2009

República Livre Eristocrática Monarquista Absolutista Anarquista d’Avignon

Projeto Sái do Chão! -> Web Freak e Política Freak <-

República Livre Eristocrática Monarquista Absolutista Anarquista d’Avignon

História

Vossa Reverendíssima Santidade Majestade, =Papa= Reverendo Rafael Luis Apscal Rasputin Dionisio Trimegisto Beraldo, Guardião do Sagrado Cao, Alto Sacerdote (ou Polipadre, dependendo da intimidade) da Cabala Cavalo-de-pau de Éris & Tzara, cinco vezes Campeão do Mundo no Torneio Mundial de Tetris em Stalingrado, conhecido como “O Reverendo do Escrever na Areia (por ter traduzido o Principia Discordia para o Sânscrito, o Árabe e o Hebreu, depois escrevendo-o na areia, onde até hoje permanece)” no Oriente Médio, e como “O Papa que MUgia” entre zen-budistas de todo o mundo, amigo pessoal do Atual Dalai Lama, para todo o sempre, estava Viajando & Conjecturando durante uma Aula de Matemática, quando resolveu montar um país em seu quarto.

Em pouco tempo ele estava devidamente divulgado, com uma Carta Constitucional praticamente finalizada, etc. O monarca começou a estruturar seu país, distribuir cargos, cunhar moedas, comprar livros, colocou redes de internet sem fio por todo o território nacional, água encanada, áreas de diversão, filmes, enfim, fez a infraestrutura básica do país, bem como favoreceu fatores que poucos países possuem.

Independência

Quando a República estava Devidamente Formalizada, nosso Rei proclamou a independência do país das terras brasileiras ao 51° dia do Caos de 3175 YOLD. A independência teve repercussão mundial, especialmente entre os discordianos, que rapidamente reconheceram a nova nação.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Intoxicação Através do Mundo Onírico

por Strotoxic Silence



Não sou Discordiano, Lokista e nada parecido, apenas quero ratificar aqui um ponto a muito esquecido por vós, no tempo em que nos reuníamos em conclaves, reuniões perto de áreas florestais onde o silêncio imperava - nem mesmo pássaros cantavam perto dos reunidos.

Faz uma grande quantidade de tempo e, durante esse lapso, mudamos totalmente. Venho do nosso Antigo Mundo astear um clarão que talvez possa despertar alguns. Minha esperança não será em vão.

Não falo aqui de vidas passadas ou algo parecido, mas uma era em que vivíamos de um modo diferente e, todos que estão aqui presentes - reunidos pelo acaso causado por Atratores de afinidade - esqueceram das reuniões. Esqueceram que nossa vida tem uma duração muito maior do que é imposto - os que morrem com 70, 80 anos, não passam de bonecos para fazerem vocês acreditarem nisso.

Depois de uma viagem por meus sonhos, fui intoxicado com esse clarão, que seria algo transportado pela mensagem que recebi oniricamente.

Quando acordei, Acordei.

Sinto a necessidade de compartilhar com vocês a mesma mensagem mas, infelizmente não posso. Apenas posso mostrar os meios.

É simples: antes de dormir, faça um esforço imaginativo.

sábado, fevereiro 07, 2009

Deixem o Phelps fumar!

Um estardalhaço foi feito recentemente porque o nadador Michael Phelps, cheio de medalhas olímpicas, aparentemente fumou maconha - ou alguma outra droga ilícita e muito, muito malvada.

Aí começou o inferno pra ele: a mídia caiu em cima, o patrocínio caiu fora, as mães e os pais de família caíram pra trás e as criancinhas que o idolatravam agora se decepcionaram com ele.

Pois eu digo uma coisa: se decepcionaram e continuarão a se decepcionar eternamente com seus ídolos de carne e osso enquanto esperar que eles sejam perfeitos. A decepcão é o fruto natural e perfeitamente lógico da idealização, da vontade romântica da não-maculação, da criação de ídolos usando como matéria-prima pessoas como todos nós, que temos qualidades sim, mas também defeitos.

Por que o Ronaldo a.k.a. 'fenômeno' merece sim admiração e o título de "herói" na visão de muitas crianças? Porque foi o maior artilheiro de todas as copas? Não. Bom, talvez sim se a criança for um jogador de futebol, mas pro ser humano normal ele é sim "o cara": o joelho lá ficou todo fudido, e ele estava na época praticamente no auge da carreira. Com o dinheiro que ele provavelmente já tinha, ele podia se aposentar, ir fazer outra coisa, se tornar técnico ou dirigente de algum clube, viver da publicidade ou das ações. Mas não. O amor dele pelo futebol o fez superar isso, e a determinação dele pra voltar pra mais uma copa e se tornar o maior artilheiro delas foi algo impressionante. E então agora que ele está gordo, anda confundindo mulheres com travestis, fumando e abandonando seus supostos times do coração, ele não merece mais respeito? Qual é! E tudo que ele foi, isso simplesmente se apaga?

Pois eu digo que não, não se apaga.

As pessoas erram, mas mesmo assim ao invés dos admiradores do Phelps se mostrarem solidários a ele - e acharem até mesmo natural que ele não seja, afinal, perfeito - não é isso que ocorre. Julgam-no como se fosse um monstro, dizem que o que fez foi uma vergonha, não entendem "como uma pessoa assim pode fazer uma coisa dessas". E se decepcionam.

Gente, ele não é feito de mármore. Acordem.

Nossa cultura não gosta de heróis reais. Eu vou além e digo que não apenas são tão bons quanto os 'fantásticos', como são ainda melhores: estar perto dos seus heróis é como estar perto do Rei Arthur e ajudá-lo a combater seus inimigos. Estar perto de seus heróis e conviver com suas fraquezas é também a oportunidade de ajudá-los a superá-las tanto quanto vc também quer superar as suas (ou conviver melhor com elas, sei lá). Ter heróis reais e tratá-los assim, como pessoas que tem coisas admiráveis e não como semi-deuses gregos, isso é, pelo menos pra mim, mais saudável do que achar que uma pessoa que é boa em alguma coisa tem que ser boa em tudo. E esperar isso dela.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Há 93 anos nascia o Dadaísmo

Em 5 de fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas "Cabaret Voltaire". Era o início do dadaísmo, uma tendência artística antiburguesa que se baseia no irracional.

"O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da atividade artística." Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: "Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.

Tudo começou em 5 de fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, diretor, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée de seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que chamou de "coisas bonitas".

Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério.

Arte, acaso da natureza

A Primeira Guerra Mundial estava às portas. Pintores, poetas, pacifistas, filósofos e músicos de todas as nacionalidades se reuniam no Cabaret Voltaire, no solo neutro da Suíça. "Eles eram contra a sociedade pequeno-burguesa decadente, contra autoridades na política e na Igreja e, de maneira não pouco significativa, contra o aparato da arte estabelecida", como explica Raimund Meyer, responsável pela exposição Dada Global, de 1994, em Zurique:

Dada é espatifar aquilo que até então era válido, quer dizer, não mais utilizar a tinta a óleo para pintar, nem empregar a língua do modo como era usada na literatura. A arte deveria ficar ao acaso da natureza.

Por acaso, combinavam-se palavras achadas, letras, sílabas. Como por acidente, produziam-se colagens de cores, materiais, palavras, movimentos e sons. Como que acidentalmente, nasceu o nome Dada, ao folhear um dicionário.

Não havia uma orientação estilística determinada, nem uma escola definida. Pois justamente isso levou à briga com os surrealistas, que podiam até flertar com os dadaístas, mas exigindo diretrizes claras. Em 9 de abril de 1919, o movimento encontrou seu apogeu e declínio numa gigantesca exposição de arte total, com poemas simultâneos e danças de máscaras ao som de música atonal.

Fora da Suíça, contudo, o dadaísmo continuou vivendo. Em Nova York, Marcel Duchamp declarou objetos utilitários como peças de arte. Em Berlim, Huelsenbeck fundou o Club Dada, de orientação sócio-crítica. O poeta e colagista sonoro Kurt Schwitters não era um de seus membros, porém seu nome está estreitamente ligado ao dadaísmo, sendo sua ursonate uma das obras mais célebres do movimento.

E o que restou do dadaísmo?

Meyer: "Se vejo o Dada como um estado de espírito, ele está em nós. Quando me remeto ao passado, as agitações estudantis em 1980, em Zurique, penso que ali, nas ruas, o Dada tomou novamente uma forma bem palpável. Quer dizer, que eu coloque algo fundamentalmente em questão, o ataque radicalmente, usando de todos os meios para isso."

Livremente baseado no Dada: Se o mundo está em ruínas, todos os meios são permissíveis. Também permaneceu algo que os dadaístas sempre rechaçaram: a indústria artística literária estabelecida. Ela incorporou o Dada, ela declarou a antiarte como arte. E, assim, Dada vive também protegido pela redoma dos museus, conservado, eternamente jovem.

Gaby Reucher

fonte: Deutsche Welle

domingo, fevereiro 01, 2009

Bela-Parrachia: Sub-divisões tipológicas.





Todos sabem que o Bela-Parrachianismo é um fenômeno arcaico retomado com força no final do século XX e início do século XXI, especialmente no Brasil e ainda mais no RJ. Longe de querer explicar as razões de tal fenômeno, me interessa mais continuar uma análise começada a tempos atrás sobre a situação contemporânea do Parrachianismo. Muitos ainda se confundem, creditando ao Parrachianismo origem Discordiana/ Erisiana, como se fosse uma ramificação tupiniquim e pós moderna.
Ora, queridos, sinto em novamente ter que reforças a diferença não só de origem, mas de natureza teórico/prática entre as duas doutrinas. Para continuar minha intenção, após esse leve jogar de brasas, devo me ater ao fenômeno Parrachiano que tem cada vez mais saído de suas cavernas e tomado as ruas da cidade do Rio de Janeiro.
Minha tese é que o Parrachianismo desde o momento em que surge pode ser dividido, até o presente momento, em 5 fases distintas, embora relacionadas. Ainda, para facilitar a compreensão do que pretendo dizer, é mister expor uma entrevista com o Pedro Cachaça, um dos responsáveis pela renascença do parrachianismo prático no último ano.

Inicialmente penso que o Bela-Parrachianismo poderia ser dividido a partir de tais estágios:

1 – Parrachianismo Pré-Chinês
2 – Parrachianismo Chinês
3 – Parrachianismo Árabe
4 – Parrachianismo Ocidental Contemporâneo (ressaltando o Francês e o Brasileiro, no RJ iniciando com Sâmia, o artista Tiago Ganso e FernandoR e o Konh Hu)
5 – Parrachianismo Prático/Cacofonico – tomando força com o Pedro Cachaça e com o Sr. Pestifero.

Entrevista, relativamente cortada, com Pedro C., divulgador do dadaísmo no RJ:
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz: = Cachaça
olha
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
me parece que há 4 fases
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
a 0
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
a 1 seria o intervalo entre la e voces
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
a 2a seriam a com v6
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
e "eu"
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
2.5
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
um desdobramento
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
afinal eu começei com a vida e morte
Fernando diz:
então, como vc descobriu o parrachianismo?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
=O
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
eu nao sei
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
nao me lembro =OO
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
nao sei se por contato indireto contigo
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
ou diretamente ao vida e morte
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
nao sei
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
só sei que eu entrei definitivamente depois de lê-lo pela 5a vez
Fernando diz:
ih, a Sophia interveio aqui
Fernando diz:
me mostrando fotos do Backyardingans..
Fernando diz:
vc já viu?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
qual sophia
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
sophia sophia
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
conheço nao
Fernando diz:
minha filha
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
massa
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
bom nome
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
e o que sao esses backyards nao sei o que
Fernando diz:
são uns personagens de desenho..
Fernando diz:
qual pergunta que você acha que deveria ser feita?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
olha
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
tive uma ideia
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
essa pode ser uma entrevista bilateral
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
tanto pro seu quanto pro meu blog
Fernando diz:
sim.. eu já estou gravando tudo que esta sendo dito... acho que a entrevista é isso tudo...
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
gravando como?
Fernando diz:
embora possa ficar grande...
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
copiando e colando?
Fernando diz:
tipo, copiar/colar..
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
é só editar e limpar depois
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
ja fiz isso
Fernando diz:
vc é mais rápido..
Fernando diz:
vc acha que isso pode influenciar o resultado presente do mov. de Santa Teresa?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
ja fiz isso em outro momento*
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
isso a entrevista?
sendo otimista, sim
Fernando diz:
a entrevista não.. sua velocidade
Fernando diz:
e a cacofonia... qual a ligação possível com o parrachianismo?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
e nossas proprias versoes para esses simbolismo
Fernando diz:
como vc vê essa ligação?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
simbolismos
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
uma boa ligação sao alguns conceitos em comum
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
o que mais me atrai e a possibilidade, que ambos permitem, de um usar o outro
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
o que mais me atrai é a...*
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
por sinal essa historia de extase com ritmos de respiraçao é beem massa
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
e o cumulo disso sou eu entrando em hiper ventilaçao durante as aulas pra ficar zoado e me divertir um pouco
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
voltando a entrevista
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
ce perguntou
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
vc acha que isso pode influenciar o resultado presente do mov. de Santa Teresa?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz (22:36):
ja fiz isso em outro momento*
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz (22:37):
isso a entrevista?
sendo otimista, sim
Fernando diz (22:37):
a entrevista não.. sua velocidade
"
Fernando diz:
isso (id)
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
entao, bicho, não há movimento.
Fernando diz:
como assim?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
eu me recuso a formalizar essas maluquices cacoparrachianas como movimento
Fernando diz:
e o que seria isso: ausência de movimento?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
melhor ainda seria nao procurar nomes para esses eventos quinzenais
Fernando diz:
ou não seria possível, através da relativazação nominal e do ritual do arroz que esses eventos não fossem os mesmos encontros?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
como assim os mesmo encontros?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
ce diz entre caco e parrachia?
Fernando diz:
sim... Have a Nietzsche day...
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
claro
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
sempre foram
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
mas ainda assim, nada de movimento!
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
não há movimento cacofonico ou parrachiano em santa teresa, só eventos e atos cacofonicos e parrachianos, sacas?
Fernando diz:
então, vc está dizendo que só há ato?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
pode ser
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
eu nao fico dizendo para as pessoas, "bem vindo a sociedade da cacofonia!" ou coisa assim. elas só vivenciam
Fernando diz:
então, vc acha que isso é uma possível passagem do mov. das bolas de gude do parrachianismo para um ato contínuo de mutação sem mudança?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
eu fiz meu primeiro evento antes de saber o que era cacofonia, e dividia muitos conceitos com a bela-parrachia antes de conheçe-la, por exemplo
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
achar isso implicaria deu estar encabeçando o "parrachianismo"
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
fardo queu delego
Fernando diz:
então, carnaval ou contracultura?
autosuberversao coletiva... engordando o monstro memético diz:
pur que nao os dois?!

E assim termina por hoje.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Igreja de SubGenius anuncia que fim do mundo ocorrerá em 5 de julho

CLEVELAND, Ohio, janeiro de 2009: A Igreja de SubGenius anunciou que o fim do mundo ocorrerá no domingo, 5 de julho de 2009. À vista da realização desta profecia do dia do julgamento final, a igreja está pedindo que todos seus membros participem de uma cerimónia religiosa que ocorrerá em Nova York, durante o fim de semana final antes da chegada do apocalipse.

Desde seu início em 1953, o fundador da igreja, J.R. “Bob” Dobbs, previu que uma frota de discos voadores chegará no princípio de julho para destruir a conspiração mundial contrária à Igreja de SubGenius, quando todos os ministros ordenados de SubGenius serão salvos pelas embarcações pilotadas pelas Deusas Estrangeiras do Sexo, igualmente conhecidas como o Xists.

A igreja está convidando todos seus membros no mundo inteiro a se encontrarem para as horas finais em Sherman, New York, de quarta-feira 1 de julho ao domingo 5 de julho em um acampamento ao ar livre, roupa-opcional, denominado Brushwood Folklore Center. O primeiro encontro neste local ocorreu em 1996, e o evento aumentou em tamanho e em participantes a cada ano. Em 1998 foi designado o primeiro “Dia X verdadeiro,” e cada ano sucessivo adicionou um ao total. A celebração deste ano em 2009 é o Dia X 12, ou o Dia X XII.

A igreja elaborou uma campanha maciça de recrutamento para aumentar os números de sua sociedade antes da chegada do Xists. De acordo com registros da igreja, a organização tem atualmente aproximadamente 100.000 membros no mundo inteiro. O recrutamento de SubGenius foi dedicado especialmente entre as pessoas que se recusam a se conformar às normas da sociedade, incluindo blasfemos, brincalhões, rebeldes, cabouqueiros, pornógrafos, totós, e proscritos.

A igreja está procurando faixas, artistas e produtores subterrâneos da industria do ócio adulto, porque a liberdade sexual é uma parte importante da doutrina de igreja. O Dia X será uma celebração da expressão livre, da arte, do rock and roll, da pornografia, e do entretenimento adulto; e determinadas partes do evento serão restringidas aos adultos somente. Somente serão permitidos no evento ministros ordenados da Igreja de SubGenius, mas a igreja está aceitando inscrições em sua taxa padrão de $30 até as horas finais do 4 de julho.

A Igreja de SubGenius sempre foi adepta da controvérsia desde sua fundação, e próximo da celebração do Dia X não será diferente. Nos finais dos anos 80, os membros da igreja foram acusados de espalhar um vírus em computadores Macintosh conhecidos como “o vírus da paz.” Artigos numerosos foram escritos sobre a igreja em publicações notáveis como New York Times, Washington Post, Boston Globe, entre outras. Em abril de 1999, os oficiais da cidade de Cambridge, Massachusetts interromperam um evento SubGenius sob a acusação de que a igreja era afiliada à máfia de Trenchcoat (a organização responsabilizada pelos tiros na escola de Columbine), embora as autoridades disseram posteriormente que a associação foi inverídica. Em sua edição de 1º de janeiro de 2000, uma votação da revista Time declarou J.R. “Bob” Dobbs a maior fraude do século 20.

A igreja recebeu adicional atenção em 2006 quando uma de suas membras, conhecida como reverenda Mary Magdalen, se tornou envolvida em uma batalha judicial pela custódia de seu filho devido a sua sociedade na igreja. Este caso foi coberto em publicações populares como Boing Boing, Fark, e Wikinews (serviço de notícia da Wikipedia).

Em 2008, o Anonymous Anti-Scientology Group se uniu a causa da Igreja de SubGenius, e muitos deles estavam entre os participantes de seu festival anual. Em um exemplo surpreendente do potenciômetro que chama o preto da chaleira, os representantes da Igreja da Cientologia acusaram a Igreja de SubGenius de ser “um culto perigoso de UFOS” e os membros SubGenius estiveram entre os Anonymous Anti-Scientology Group desde que sua guerra contra a Cientologia começou.

Contato: The SubGenius Foundation, Inc. 1-216-320-9528
Fax: (216) 320-9528

Web site: http://www.modemac.com

terça-feira, dezembro 16, 2008

Loucura Lúcida



Não conseguir fugir da realidade significa um excesso de lucidez ou extrema loucura? A resposta confirmaria minha tese poética-lunática, de que não só o excesso de lucidez leva a loucura como o excesso de loucura leva a lucidez.

Se minha realidade é na verdade uma ilusão, quando tento fugir dela, tento alcançar a realidade? Ou migro de ilusões em ilusões? Se as realidades são múltiplas a tentativa de alcançar a realidade única em que todos se enquadram seria uma farsa. Talvez todos vivam em suas respectivas ilusões, que criamos e recriamos. Se pertence a cada sujeito que a resolva viver, a realidade sim que é uma ilusão, a ilusão da ilusão. A ilusão é uma realidade. A realidade está fora ou dentro? do exterior ou do interior? O que faz pensar quantas realidades seriam possíveis. Infinitas. Nos casos que unem mais indivíduos, podemos denominar precisamente como o fenômeno do delírio coletivo.

Se produzimos a realidade ilusória, o que é loucura? Como são diversas as loucuras, digo, ilusões, realidades. A metafísica disso tudo é expressa pela loucura de Deus, o tal dançarino do qual falava Nietzsche, que nos criou a sua imagem e semelhança, como deuses de nossas próprias loucuras. Fato é que nelas podemos fazer o que quisermos dentro dos limites da loucura de Deus.

Dizem por ai, que o sóbrio é aquele que sabe distinguir a realidade da fantasia, mas o que dizer se somos máquinas de produzir fantasias? Certamente jamais será possível olhar um homem despido de seu imaginário. Ilusões sobrepostas numa translucidez aguda. Perceber que está iludido não significa que nos livramos da ilusão se ela é real. As ilusões/realidades se desdobram uma fora da outra. Se trancafiamos alguns de nós dentro das salas estofadas, é porque os condenamos pelo abuso da criatividade.

O excesso de lucidez, faz perceber a ilusão real, que se exacerbada leva a loucura originária. A loucura alucinatória se levada a extremos nos leva a realidade ilusória, que é a realidade possível.

sábado, dezembro 13, 2008

Humor mainstream e underground

A crítica político-econômico-filosófico-social-whatever que podemos fazer geralmente adota contornos humorísticos pela simples razão de que o humor parece ser a melhor ferramenta para nos guiar por essa vida. Todos falam da força do amor ou mesmo do antagonismo do ódio e, dentre todos os valores que parecem secundários nas histórias mais clássicas - tendo por clássico algo que vai desde a odisséia até harry potter passando por shakespeare e senhor dos anéis - que vemos por aí, o humor é o mais negligenciado, trocado por valores mais de tradição ou de honra, sérios, cinzas. Mas, quando o humor aparece nessas histórias ele costuma ter uma importância decisiva ou ser uma força doce, reconfortante, mas ao mesmo tempo "energética" e contagiante que outra não é capaz de ter ou ser.

Continuemos. O humor, o absurdo, o ridículo, o tosco, eis a arma para vencer a apatia ou para aguçar mentes adormecidas, estuporadas pela aceitação passiva dos powers-that-be? Talvez. Vê-se pelas iniciativas na época da ditadura, como O Pasquim. Mas ainda assim, por que a coisa não é similar hoje? Casseta e Planeta tá aí há anos. O CQC, que tem como pretensão abordar a política desse jeito mais humoristicamente ácido - embora eu não veja nada de tão engraçado nem de tão diferente nele - tá aí também fazendo relativo sucesso. E o que conseguimos? Ou melhor, o que conseguiram, que nunca fui da produção de nenhum dos dois programas, hehe... Eu, sinceramente, não vejo a mudança que poderia causar um programa de alcance nacional.

Será que o humor, a risada das desgraças, será que ele não aquieta e faz acalmar ainda mais o espírito dos inconformados em potencial ao invés de despertar senso crítico ou vontade pra mudança? Tendo isso em mente, qual a diferença entre o humor mainstream e o underground, sendo o underground esse que se produz por aí, vindo de mindfucks ou teatros de rua ou manifestações espontâneas do tipo que, pelo menos do modo como vejo, é uma das maneiras disponíveis hoje mais citadas pra tentar incutir um pouco de caos no consciente coletivo? Será que falta o "toque pessoal" de ser algo próximo a você, e não no distante, frio e abstrato reino da televisão? Ou será que os mindfucks em geral tem um potencial "ofensivo" ainda maior, encostando nos "brios" das pessoas bem mais do que uma musiquinha do casseta e planeta chamando os eleitores de burros e enganados? Qual é a diferença e, se não há alguma, deveríamos mesmo ter esperança nesse método?

E se não pudermos ter, que outra coisa fazer?

terça-feira, dezembro 09, 2008

Discórdia Brasilis número 2

e chegou a segunda edição da Discordia Brasilis, a Revista do Discordianismo Brasileiro.

Rev. Beraldo (responsável por essa maravilhosa edição juntamente com Rev. Peterson) dá o toque: "O conteúdo da revista pode ser usado de qualquer forma. MESMO. Mas seria legal que você desse crédito ao autor original."

baixe aqui

sábado, dezembro 06, 2008

Zona Anônima Temporária

Projeto Sái do Chão! -> Web Freak <-

Palavras com sonoridades de malabares inflamados, juntas como numa costura como um tapete persa, não perfeito, mas com falhas tão belas quanto todo o resto. Um mágico tapete voador de palavras escritas por verdadeiros artesãos desta era, costureiros de idéias, escritores autônomos e anônimos pervertendo idéias com palavras e palavras com idéias. Não há uma regra, só vontades.

Um desses tecelões venho, por ventura de minhas vontades a ser, e decerto você também ou o é ou pode – e possivelmente quer – sê-lo. Um autor sem nome nem rosto, um poeta do terror, um ensaísta do Pãnico/revelação.
Muitos são os que entendem o que digo, pessoas que desde crianças tem uma chama natural ao homem. Mas a maioria se perde por ser reprimida pela Sociedades e pela Moral, um pecado à arte.

Decido pela tristeza de ver tantos dos meus morrerem dentro de suas mentes, crio e declaro ao mundo esta, a zona Anônima temporária. Um local onde quaisquer textos enviados ao e-mail serão postados, tendo ou não a ver com os assuntos tratados a cima.

Um local fértil, adubado pelos cadáveres da Moral, da Ética, do Platonismo dualista. Um ponto antes vazio agora ocupado por mentes. Não se enganem que quero a destruição de egos com isso, o anonimato é simplesmente para impossibilitar que peguem os praticantes do terrorismo poético por causa de seus “poemas” ou arte-sabotagens.
Se juntem, uni-vos , usem esse local para práticas libertárias mesmo que ilegais, para encontrar pessoas dispostas a raptar uma garota para levá-la ao cinema ou a um jovem para levá-lo para tomar sorvetes. Planejem pichar Augusto dos Anjos nas paredes das prefeituras, façam a história e mudem o mundo.

Sois livres e sois sóis, senhores de si mesmos, e agora têm aonde se comunicar sem medos ou retaliações. Declaro a morte do autor e o célebre nascimento deste “consciente coletivo”. Liberdade total e sem pudores. sejamos crianças selvagens de novo.

Arte como crime e crime como arte

terça-feira, novembro 18, 2008

Seja Bem Vindo!

Imagine chegar no aeroporto e ser recebido por um grupo de 20 pessoas que você nunca viu antes - e com cartazes, flores, balões. Uma festa para a sua chegada.

O grupo Improv Everywhere, que realiza intervenções urbanas em Nova Iorque, fez isso no aeroporto JFK. Os passageiros escolhidos para serem recepcionados, em um primeiro momento, não entendem nada do que está acontecendo. Clique na imagem abaixo para ver.


Welcome Back from ImprovEverywhere on Vimeo.

fonte: bluebus

segunda-feira, novembro 10, 2008

metafisica enquanto medo da realidade ontológica

por don guakito

Até onde pesquei o principia discordia tira aquele sarro do mundo ocidental neo-platônico. até onde percebo, erisianos, parece-me, a cada dia que passa se tornam mais e mais neo-platônicos. até a mais cômica e livre religião parece sofrer com seus usuários. estranho. mas o que tou seco pra escrever é sobre a constatação de que o ocidente anuviou os pré-socráticos, favorecendo, unicamente, a visão de uma realidade anterior absoluta e mental, vinda de sócrates em diante... mas ainda assim adoramos dizer que a filosofia nasceu com pitágoras. ao meu ver a filosofia que nasceu com pitágoras era uma onde o corpo humano era integrado ao ecossistema e era tão importante em uma medição quanto a máquina em si, no caso, o monocórdio. Amigo da sabedoria, pois incluia-se no experimento, pois ouvia-se o ultrasom no centro da cabeça.

já a filosofia que nos guia, seja na ciência ou religião, é aquela vinda da especulação grega. especulação pois isolou o processo em apenas mental, abstrato. Assim fomos do conceito de liberdade absoluta, logo, abstrata, nascida na especulação de sócrates, platão e aristóteles em direção ao idealismo transcendental de kant ao não entendimento do não-dualismo indiano por parte de hegel em sua tentativa de reintegrar o indivíduo na sociedade, apregoando um espírito ainda absoluto, abstrato e ideal, mas em procura por justificação da historicidade do pensamento, essa entidade abstrata que nega a realidade que vê, logo, a que não vê tb, pois vive em si e para si.

O pensamento é crise enquanto entidade que deve ser respeitada. não há pensamento. há indivíduos que pensam via consciência. E se há consciências individuais, há uma consciência coletiva, mas talvez, parece-me, esta consciência coletiva não é apenas a soma das consciências. a consciência coletiva é um conjunto maior que a soma das partes. Mas aceitar isso é negar o absoluto de outros pensadores, os idealistas e os lógicos tradicionais que nos diziam que o pensamento, enquanto instrumento, "eu penso que..." kantiano, via autoconsciência crítica :D :D :D, era algo verdadeiro! uma verdade absoluta, pois imaterial e ideal.

Dai dizer que todo o processo de pensamento, que por se propor sair ou buscar por uma verdade absoluta, especulativo ocidental, seja gnóstico, monista, kantiano, hegeliano, freudiano, junguiano, etc, consiste no esforço único e egóico de reintegrar na realidade, da qual separa-se, o ideal de espírito uno e eterno enquanto origem e destino do indivíduo e do homem coletivo, demonstrando a semelhança e paralelo teológico entre filosofia vinda da especulação socrática, ciência de base comutativa, religiões monistas e esoterismo neo-platônico, logo, gnóstico.

Há uma crise, mas não é uma crise da humanidade, nem uma crise da realidade, nem da ecologia, há uma crise no pensamento enquanto crise, no pensamento ocidental. A sociedade seguirá, mas o pensamento separado da realidade ontológica, este está a morrer. A teologia científica, religiosa, filosófica como a conhecemos está desmanchando no ar. O sonho irreal, pois absoluto e abstrato de convergir, centralizar tudo sobre um messias, um rei-filósofo, uma teoria de tudo, está a ruir, e a destruição será mais e mais violenta enquanto não aceitarmos o fato de que o erro especulativo grego foi o de separar a mente do corpo/natureza na busca do controle e perpetuação de um espírito eterno, abstrato, irreal.

O ocidente está doente até a medula óssea devido ao excesso de pensamento; corpos paralíticos perante a força do visgo de conceitos, palavras, pássaros presos em seus ovos, pois viciou-se em pensar absolutamente tudo aquilo que pode se tornar real, material, dai a fascinação quântica por infinitas probabilidades enquanto a realidade a ser alcançada: impor o pensamento sobre o próprio pensamento, prendendo-o, destruindo tudo o que não for absoluto enquanto potência controlável, convergente, isto é, na prática, destruindo a natureza, a realidade anterior, por tanto, ontológica, a cada ser, em nome de um ideal unificador de tudo em apenas um, seja comutativo ou monista, como ocorreu ao se impor a simetrização dos intervalos musicais.

Filósofos querem corpos sem órgãos. Religiosos querem espíritos sem corpos. Cientistas querem probabilidades em detrimento de possibilidades. Se há uma coisa que todo monista, gnóstico, filósofo, religioso merecia nesse nosso período de transição é terem as pernas e braços cortados, pois vivem na e pela mente apenas. Isto é negar a vida integral por temor ao tempo.

sábado, novembro 01, 2008

A Dança da Consciência

Você olha para o outro e tudo acontece naturalmente. Mas é só lembrar das obrigações, só lembrar de manter a postura, só lembrar de lembrar de se fazer de perfeito, só lembrar de do script, só lembrar do que evitar, só lembrar do que é pra ser, não do que vai sendo. Isso estraga. Mas dá pra evitar? Dá pra combater? Será que alguém só funciona assim co mo cérebro distraído? Será que todos os propósitos enfrentam o problema da casa pronta* porque existe isso, e seria melhor dizer que tudo de melhor na vida acontece nonada, acontece por distração? Pode ser. Mas será que não existe nenhum foco que dê uma satisfação parecida? O Esporte, talvez? Na verdade, todos dão. A questão é o depois. A questão, na verdade, é só que tudo o que se passa na cabeça tem que ser natural também. Os planos às vezes são artificiais; isso que causa o passo errado na dança da consciência. Mas o que é natural? Aí...

* Você passa meses sonhando com sua casa nova. Mas depois de pronta todo o encanto some. Dá uma agonia depois de um tempo porque você percebe que a sua vida não mudou drasticamente; de repente você não está tão mais feliz e realizado por causa da sua casa nova. Você percebe que não era a redenção pra sua vida. Essa é o problema da casa pronta. O prazer maior está em sonhar com o futuro do que alcançá-lo.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Boneco de Lego gigante ataca novamente



Um boneco de Lego gigante apareceu misteriosamente na praia britânica de Brighton, nesta quinta-feira (30), causando espanto à população local. O brinquedo de plástico, que mede cerca de 1,8 metro, é amarelo, tem calça vermelha e blusa verde. “É muito estranho, só deus sabe como ele veio parar aqui. Alguns dizem que veio da Holanda, pois ele tem palavras escritas em holandês. Deve ter caído de um barco”, disse Gerry Turner, 34, que mora em Brighton.

Segundo a publicação “Daily Mail”, um porta-voz da cidade afirmou que a prefeitura não faz idéia da origem do Lego e que não se opõe em manter o boneco no mesmo lugar. “Será interessante ver quanto tempo ele fica lá. Vamos ficar de olho”, disse.

Essa não é a primeira vez que um boneco gigante desse tipo aparece na praia. O modelo encontrado em Zandvoort (Holanda) no ano passado tinha 2,5 metros. Na ocasião, também não souberam explicar de onde surgiu o brinquedo.

fonte: G1

quinta-feira, outubro 23, 2008

Cagar Sempre Foi Uma De Minhas Maiores Predileções (Distraídos Venceremos)

por Ari Timóteo Almeida Pinto

Durante meu período de suspensão criogênica a comunidade do Manual Prático de Delinquência Juvenil no Orkut foi abonada às traças. Nesse período uma traça chamada Federalista leu o livro e soltou este singelo comentário:

"li o manual
e descobri que há só rebeldia sem causa..
lamentavel "

O Felipoe respondeu o comentário de uma forma meio agressiva. Em nome da pluralidade de pontos de vista não sou muito adepto dessa tática. Vou explicar aqui o que hoje penso a respeito.

A respeito da acusação de rebeldia sem causa, não colocaria a coisa bem nesses termos. Bom, talvez sim, mas só para o caso de que ali o que ocorre é a mais absoluta e insolente indiferença política. A subversão, no caso, consiste em fazer desta indiferença uma ferramenta de inversão de perspectiva. Ao invés de fazer de si mesmo um instrumento para a Revolução, fazer a Revolução ser instrumento para si mesmo. O inimigo está em nós e a nossa vida é o campo de batalha.

Se a situação não for analisada sob esse prisma, resta o desejo de mudar o mundo

Só que pouca coisa pode ser feita para mudar o mundo, mas talvez exista um consolo para esse fato, o mundo provavelmente não quer saber desse negócio de mudança. Isso talvez explique o porque das órbitas planetárias serem tão estáveis. Talvez e mais uma vez talvez, essa coisa de mudar o mundo não seja nada além de pura e simplesmente vaidade. Aliás, uma vaidade pueril, diga-se, pois pressupõe uma superioridade sobre todo o resto das pessoas que simplesmente não liga, que simplesmente querem viver suas vidas e serem felizes na medida do possível. Como se isso fosse pouco. Como se isso não fosse a única coisa que valesse a pena tentar.

Acredite, para quem quer mudar o mundo, a busca pela felicidade individual é individualismo, alienação e mais uma série de adjetivos que seria por demais enfadonha listar aqui. Há algo de muito errado nisso.

As verdadeiras revoluções não foram feitas por quem partiu dessa premissa. As grandes revoluções foram feitas na cagada.

Vou citar um exemplo, o incensado Sgt. Peppers dos Beatles não foi o grande disco revolucionário de 1967, quem fez o grande disco daquele ano provavelmente o fez sem essa intenção, era o Velvet Underground. Outro exemplo foi a Revolução Francesa, que a única coisa que deixou de relevante foi aquele hino nacional trimassa.

terça-feira, outubro 21, 2008

Propositadamente

por Santaum

Esqueça tudo. Esqueça que o homem foi à lua, que fez as pirâmides e o mausoléu de Helicarnasso, que inventou o futebol e que existe copa do mundo. Esqueça a matemática e os cálculos. Esqueça a filosofia e todas as outras ferramentas do conhecimento. Esqueça a linguagem. Não pense. Não converse. Não leia. Despreze tudo. Faça um off na sua cabeça.

Tente. Tente. Você chega lá. Ponha momentaneamente um branco na sua cabeça. Livre-se do mundo, dos vícios, livre-se dos imperativos, esqueça essa sociedade chata e abarrotada de valores bobos. Esqueça a sua posição hierárquica que alcançou, apesar de se achar e se vangloriar que, mesmo não sabendo disso no futuro, entrará para a história.

Corra. Corra. Corra para o nada. Espere o nonada e não o aceite quando isso ocorrer. Enxergue o mundo de outra maneira. Pense agora. Não, não pense. Pense. Fale. Não Fale.

Despreze o mundo, a sociedade, nossos valores morais, tudo. Esqueça que tem nome, CPF e que se inscreveu em um sítio de auto-ajuda na internet. Esqueça os arquivos em PPT que ficaram na sua memória. Principalmente daqueles seus amigos recém-internautas que lhe enviaram.

Pense agora. Não, não pense. Pense. Fale. Não Fale.

O que podem fazer os imperativos, hã? Tampouco as contradições.

domingo, outubro 19, 2008

Como a polícia pode ser ontologicamente pior para o crime

Vamos supor um labirinto.

Neste labirinto você é um elemento A, vagando por entre seus complexos corredores.

No mesmo labirinto encontram-se várias pessoas do tipo B, e, vamos supor, a metade dessa quantidade de Bs do tipo C.

Bs e Cs tem algo que A não tem, e A quer pegar. Entretanto, se A tentar pegar com um C, ele acaba preso. Se A tentar pegar com B, e C ver, ele será preso também. Logo, qual é a estratégia para pegar o que B tem? Ora, observar os Cs e aproveitar os momentos em que B ficar por tempo sufciente sozinho para que possa pegar o que B tem.

O que acontece é que esse é um sistema previsível: você sabe o que deve evitar e é fácil reconhecer o que evitar; o alvo também se torna claramente distinguível.

Agora, se não fosse possível distinguir Bs de Cs - se fossem todos Ds, nenhum deles parecendo ter as características de um C - mas ainda assim, você sabe que alguns têm características de C. Seria mais fácil ou mais difícil pegar o que B (ou, nesse caso, D) tem?

sábado, outubro 18, 2008

Ofensivo = Efetivo?

Se não é fora da lei, é inofensivo.

Mas quão útil e efeitvo é o ofensivo? Pelo menos na época em que nos encontramos?

quarta-feira, outubro 15, 2008

Pernalonga e meditação: tudo a ver!

por A Furiosa



Em teoria da comunicação, "ruído" é toda expressão que se pode jogar fora, pois ela só atrapalha a captura do significado que se pretende enunciar. É joio, não trigo. É enfeite, sobra, filigrana besta, desvio não essencial. Pois é: o que se fala por aí é só ruído, o sentido se perdeu. Não se pode dizer que isso foi produzido, de fio a pavio, como manipulação ideológica todo o tempo, mas pode-se afirmar que ela deu uma imensa e decisiva contribuição para que se tenha chegado novamente às cavernas, pela via da "inversão evolutiva", estágio em que a manifestação gutural é tudo o que se pode pretender como sofisticação lingüística. Para os evolucionistas, é uma volta à macaquice, digamos assim...

Em vista disso, complementando o post "marxista" sobre o livro de Bob Black, lembramos que Cristo, ao criticar Marta (vide o evangelho de São Lucas), ótima dona de casa e excelente pessoa, traz à baila não a condenação do trabalho em si, mas a escravização neurótica em que ele pode mergulhar os melhores e mais bem intencionados seres. Em contrapartida, o elogio à Maria, nesse mesmo episódio bíblico, é a proposta de um oásis verbal em meio à atarefada rotina do cotidiano, o que vem a ser uma drástica ruptura com o tal do "ruído", sem a qual a palavra essencial não pode emergir, trazida à vida em um diálogo tecido de silêncio autêntico e audição genuína, o pano de fundo perfeito para a comunicação entre o humano e o divino, em termos cristãos.

Quanto ao zen, lembramos que um dos conceitos mais importantes desse discurso fala de um vazio fértil - estado meditativo a que não se pode chegar sem uma dose cavalar de ócio -, a partir do qual ocorre o surgimento do verbo em seu melhor estilo, o da verdade, o que é impossível de se obter em meio à barulhenta verborragia que costuma acorrentar a maioria dos seres humanos.



Dessa forma, tanto o Budismo como o Cristianismo falam da necessidade de se limpar a mente, habitualmente estagnada num pântano de vícios verbais, o que só se obtém pela ruptura com a algaravia em que o homem-massa é aprisionado desde que vem ao mundo.

Ou seja: a premissa para se alcançar um estado mais perfeito de consciência passa pelo combate a todos os tipos de apego, inclusive o apego ao trabalho, o que vem ao encontro das análises de Bob Black, em seu Groucho-marxismo.

That' s all, folks!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Ainda no Silêncio...

When we listen as if we were in a temple


“When we listen as if we were in a temple and give attention to one another as if each person were our teacher, honoring his or her words as valuable and sacred, all kinds of great possibilities awaken. Even miracles can happen. To act in the world most effectively, our actions cannot come from our small sense of self, our limited identity, our hopes, and our fears. Rather, we must listen to a greater possibility and cultivate actions connected with our highest intentions from the patient and compassionate Buddha within us. We must learn to be in touch with something greater than ourselves, whether we call it the Tao, God, the dharma, or the law of nature. There is a deep current of truth that we can hear. When we listen and act in accordance with this truth, no matter what happens, our actions will be right.”
~ Jack Kornfield, from A Path With Heart

via dharmalog

sexta-feira, outubro 10, 2008

Considerações epistemológicas sobre o post anterior


As palavras, que fazem parte da linguagem, não se confundem com simbolos (sym+baylen = união de duas partes de uma moeda), logo, simbólo não é a moeda, não é a palavra, o termo, nem o significante (materialidade da palavra mais sua parte acústica), nem tampouco seu significado. O simbolo é a coninctio, como ressaltado, mas do inconsciente com a consciência. Nesse sentido ele é não apenas plurisignificativo, numinoso, como também misterioso. A morte do símbolo é sua plena revelação.


Cada palavra, pode ser ressaltada a partir de seu protótipo, ou seja, de um modelo-padrão (ex: significado a partir do dicionário), mas, ao sair da virtualidade da linguagem (mosaico linguístico) torna-se idiotípica, ou seja, singular. É na singularidade dessa palavra que em conjunção com outras (doravante, indissociabilidade) forma um mosaico de isomorfos não-triviais (ou seja, um conjunto não ordinário [não identico a si próprio] de semelhanças [como o pertencimento a linguagem] e diferenças relativamente fechadas e relativamente abertas [passíveis de mutação]). São palavras agenciadas a um sujeito em seu processo de individuação, que falam de si além de si. Pedra que não é só pedra, pedregulho da existência, lapis philosophorum, pedra profana, pedra no meu caminho, e cada pedra que precede a pedra contém a pedra-toda, ou, como os número de Fibonacci, seguem um pro-porção em diferença e regularidade.


Existe nesse estado de coisas uma possibilidade de absurdo e não-linearidade. Então a linguagem, em seu múltiplo engano, em sua rota-de-fuga (aproveitando que ainda temos nossos ifens!) encontra a própria trans-cendência, quer dizer, não o além do fenômeno (phainomenon), mas através do seu aparecimento seu "mais-do-que"...


Então, todas as perguntas feitas tem seu sentido pela e através da experiência. Se Deus, enquanto noumeno existe, isso não sei, mas que ele pode ser doce, isso sei que pode, assim como Jah, Iavé, Atmã, Jesus, Buda, etc. podem ter uma realidade animica que vai além do dado na hyle (matéria)... logo, as perguntas tem pleno sentido. Existe vida além da morte? É uma pergunta crucial a uma pessoa que está próxima a essa experiência (experiência como antonimo de vivência).. seja experiência pela linguagem, imagem (Jung dizia que a linguagem nada mais é do que imagem!), ato ou qualquer outro protótipo.


O mapa não é o território, mas o mapa está para além do mapa!

O Véu de Aurélio

por maelstrom5


Onde é minha moradia? Onde nem eu nem tu estejamos.

Onde está meu fim último ao qual devo chegar?

Lá onde nenhum fim se encontra. Então para onde me voltar?

Devo tender para além de Deus, para um deserto.

-Angelus Silesius,

“O Peregrino Querubínico”.



Toda a existência da linguagem está baseada em dualidades simbólicas: vida/morte, bem/mal, eu/isso, prazer/dor. Estes pólos opostos são mutuamente referentes, validando-se em um relação de reciprocidade. Muito embora os símbolos mereçam ser celebrados (e não obedecidos), não é proveitoso esquecer que sua finalidade mais importante é apontar para a sua própria superação no que alguns chamaram de união dos opostos.

Os símbolos não são a realidade para que apontam, o mapa certamente não é o território. A linguagem, que é composta de símbolos, é uma espécie de cercado auto-referencial e os jogos e discussões sutis que enseja só fazem sentido dentro do seu próprio conjunto de regras. Entretanto, a realidade, violenta por natureza, tem o poder de passar ao largo destas regras auto-referenciais, inundando o cercado da linguagem com suas sensualidades e circunvoluções muito mais plenas, fluidas e caóticas do que faria supor a mera assimilação automática das palavras.

Há um desvão (outros prefeririam falar em abismo de misericórdia, vazio, silêncio) entre o regramento da linguagem e a realidade. Este limiar é inicialmente imperceptível, pois para cada objeto no mundo parece corresponder uma palavra e vice-versa. Mas é justamente esta pressuposição de que cada objeto é uma palavra que constitui o erro, o fundamento próprio da ilusão. A “teia” linguística assim formada e cada palavra que a integra, interpõe uma espécie de membrana que entope a passagem para uma intuição mais essencial e iminente da realidade.

Levando em consideração que as palavras não são a própria realidade para que apontam, a palavra Deus, por exemplo, tem o condão de hipnotizar a mente e chega mesmo a esconder uma realidade que sim, poderia ser chamada de Deus, mas é uma realidade tão viva, presente e complexa em seus relevos, nuances, territórios, vãos, desvãos, peculiaridades, carnes, veias, artérias, acidentes geográficos, enfim uma realidade tão iminente que seria um atentado colocar em discussão a existência ou não de Deus. A iminência é toda o máximo da expressividade. O mais longe que se pode chegar com este tipo de discussão é à conclusão pela existência ou não de um símbolo, de uma palavra: neste caso a palavra Deus. Cai por terra a discussão se Deus existe porque a própria realidade para que aponta a discussão a repele. A repele justamente porque é a realidade e não o instrumento, ou o cercado de regras que aludem mais ou menos arbitrariamente para a realidade.

Ao se colocar em relevo a realidade para que aponta a discussão se Deus existe ou não, não se quer em absoluto dizer que esta realidade é Deus. Dizer que esta realidade é Deus é dizer que esta realidade é uma palavra, é dizer em outros termos que o dedo que aponta para a lua é a lua. Neste sentido Deus não existe como também não existem quaisquer outras palavras ou conjunto de palavras enquanto realidades fora de seu próprio sistema auto-referencial: morte, vida, amor, medo, “o livro está sobre a mesa”, etc.

Por analogia, todas as demais categorias caem, dissolvem-se, relativizam-se frente a transcendência dos opostos. Tornam-se sem importância as grandes questões como vida depois da morte, bem como o próprio dualismo vida/morte, a questão do bem/mal, o dualismo entre sujeito e objeto, prazer e dor. A melhor resposta para as indagações que se refiram a estas questões é a dissolução natural da própria pergunta, que se dá ante a iminência absoluta do silêncio.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Isto não é um jogo, então pare de perder!

por Janos Biro

- Você não vai entender enquanto continuar tentando entender.
- Você não vai entender se não tentar entender.
- Você não vai entender, entende?
- Você entendeu mal a última frase.
- Você mal entendeu o que eu disse depois disso.
- Você pulou uma linha e nem percebeu.
- Você se desentendeu logo no início.
- Você nunca quis entender, e se quisesse entenderia menos.
- Você é apenas uma palavra. Palavras não entendem coisas.
- Você ainda não entendeu o que significa você.
- Você é tão desentendido que acha que você é você mesmo.

Resposta ao Manifesto de Repúdio

Nós, criaturas mutantes, sob as palavras de Rev. BobÉris, vulgo Iquiz, desejamos expressar nossas sinceras desculpas por ter manifestado tal opinião de viez conflituoso referente a divisões de pontos de vista. À luz de uma análise mais detalhada observamos que estávamos enganados e desejamos não mais do que harmonia entre os seres dessa comunidade.


Sociedade Mutante do Eterno Glub Glub
Sob as letras de Rev. BobÉris,

Namastê