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A realidade fixa-se quando, puxado pelos representantes do socius, o ainda-bebê vai ao cartório, lugar vil, onde encontra seu rosto prensado pela máquina de xerocar: IN-DIVÍDUO.
Não divisível.
Doravante o ego, conceito mais abstrato que papai noel, emerge com sua força pusilâmine. Por fraco e covarde que seja, o ego agora é o sujeito: não estamos aqui no domínio da crítica realista ao nominalismo como flactus vocis.
O paradigma do cartório é lacaniano.
Sujeito e nome se unem como significado e significante. Não estamos no plano do "sujeito" e "objeto", mas de uma realidade que se torna indissociável, prímeva, quase irrevogável.
Foi neste plano de guerra que os parrachianos desafiaram o status quo quando desbancaram de uma vez por todas o totalitarismo do nome único e eterno.
O realismo ingênuo treme na beirada da sua cova, num apartamento confortável.
O que é, é.
Os parrachianos, longe de louvarem incondicionalmente o não-eu e o não-território vão desterritorializar num plano de fuga rizomático. A imagem é amplificada num soul-making que produz novos nomes para novas realidades.
O que é, já era.
Nessa permissividade do sujeito, este pode descolar-se, entendendo que seu nome é, além de tantas coisas, um mecanismo de opressão inibindo o fluxo de sua excentricidade daimonica. Para tal foi instituido, como rito de desintituição, o rito do arroz.
E de arroz em arroz, o parrachiano defaz-se.
Não estamos tampouco no plano do idealismo aqui, mas num outra organização epistemológica imagética, entendendo que a saúde espiritual e psicológica só é possível a partir da invenção continua do ainda-não.
Um abraço queridos,
Encerramos por aqui hoje.